Procurador de Justiça do MPPR aponta em artigo propostas para a melhoria do transporte público em Curitiba

Está sendo apresentado na cidade uma discussão sobre a tarifa do transporte público, sempre apontando que Curitiba é modelo no transporte de passageiros.......

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Por CGN 1

Saint-Clair Honorato Santos, procurador de Justiça do Ministério Público do Paraná

Está sendo apresentado na cidade uma discussão sobre a tarifa do transporte público, sempre apontando que Curitiba é modelo no transporte de passageiros.

Acontece que este modelo já existiu em muitos lugares onde se tem os trens de superfície, bonde, metrô, monorail, metrô elevado.

Há que se pensar que Curitiba instalou um modelo que foi interessante num primeiro momento. Ao instalarem as canaletas exclusivas, por exemplo, houve uma melhoria no sistema, em determinado ponto, mas o modelo também se satura, passando-se, então, para outras intervenções, como o ligeirinho e o interbairros, que já não mais em canaletas exclusivas. De se ressaltar que, ao serem adotadas as canaletas exclusivas, as velocidades dos ônibus expressos têm que ser bem controladas, e deveria ser em tempo real e à disposição da própria população, para que se pudesse observar esta velocidade permanentemente até como meio de fiscalizar, tendo em vista que se nota que acidentes são cometidos na canaleta.

Houve alguma discussão sobre a aplicação de multa por excesso de velocidade dos ônibus nas canaletas, embora anotadas nos radares não se logrou buscar as imagens e fazer a devida sanção aos transgressores.

Em se dando nomes específicos como ônibus expresso, ligeirinho, significa fazer também com que ele impulsione o próprio motorista para que as vezes cometa infrações de trânsito.

Mas dizer que Curitiba é um modelo único e que se espalhou pelo mundo é um pouco exagerado já que copiamos um modelo existente em outros países adaptando-o para nossa realidade em uma cidade à época com, aproximadamente, 700 mil habitantes, certamente melhoramos nosso sistema como não poderia ser diferente.

Para uma melhor análise sobre o sistema tarifário, uma de suas premissas é a transparência, aliás, determinada em lei, portanto, a planilha de custos deve estar disponível a todos os cidadãos para possam consultá-la, avaliá-la e contradizê-la, se assim o desejarem.

Muito há que se fazer para alcançarmos a nova denominação de cidades inteligentes, ou smart cities, e para se aperfeiçoar o modelo é o caso, por exemplo

a) de se retirar poluição do centro, retirar poluição dos ônibus, eletrificando-os;

b) diminuir custos significa implantar também material rodante sobre trilhos e isso é já feito no nosso país, há muito tempo é praticado no próprio exterior, tem-se em São Paulo, Rio de Janeiro, Porto Alegre, no Mato Grosso que empacou com problemas na licitação, que era fazer efetivamente sobre trilhos e obviamente material rodante tem uma maior durabilidade, lembrando que Curitiba teve bondes que chegaram a percorrer os bairros mais distante do centro da Capital e, certamente, isso implica em uma tarifa mais interessante para população.

c) o metrô, e assim é em Brasília, ou seja, no subsolo no Centro e depois se torna de superfície para atingir, hoje, distâncias mais longas, como a região metropolitana, barateando seus custo e diminuindo, obviamente, a tarifa.

Como se está a discutir que a tarifa está muito elevada, estes números têm que ser públicos para que todos possam ter acesso à composição tarifária e analisar-se o modelo. Parece que ainda estamos um pouco distante destes números, porque deveriam estar disponíveis à sociedade, isso mostra transparência que qualquer modelo público deve propiciar aos cidadãos.

Para falar-se em smart cities, estes modelos já poderiam ter sido aperfeiçoados com a eletrificação do sistema. Esse ônibus já existe em São Paulo há muitos anos – em Curitiba, isso poderia ter sido feito nas canaletas, reduzindo o ruído na cidade, a poluição e até partindo para os trilhos, exatamente para diminuir as despesas em relação ao modelo de motor, diesel, poluição, pneu e desgaste destes equipamentos.

O metrô de superfície poderia vir pela Avenida das Torres, do aeroporto, passando por São José dos Pinhais, com três ou quatro paradas direto para a Rodoferroviária ou até o Círculo Militar, ou pela Marechal Floriano indo até a Praça Tiradentes já que temos também o modelo de canaleta naquela via, melhorando-se os custos.

Na década de 90, tivemos um seminário em que a Suécia apresentava um ônibus a álcool exatamente para diminuir a poluição e diminuir os casos de assistência à saúde nos serviços de saúde. Esta conta também não é feita aqui em Curitiba nas zonas que sofrem com toda a poluição com um número grande de outros veículos que se somam aos próprios ônibus como São Paulo, Rio de Janeiro, o sul em especial, com a inversão térmica.

Os metrôs vão se transformar em trens urbanos ou suburbanos como é o caso de São Paulo, ou de outros países, em cidades como Londres, Paris, onde o metrô depois se transforma em trem de superfície indo, em alguns casos, até o aeroporto, ou zonas mais longínquas, distantes da metrópole.

Como exemplo de busca de eficiência, em algumas cidades dos países da Europa, o horário do ônibus sai num letreiro dizendo qual é o ônibus que vai chegar, em quantos minutos e qual será o seguinte na sequência que vai chegar, portanto, temos muito ainda que aprender com os países mais desenvolvidos.

Aprender e praticar o que não temos feito.

Fonte: MPPR

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