
Polícia Civil do Paraná ouve dezenas de vítimas do ‘golpista das semijoias’
As oitivas já ocorreram em cidades como Cascavel, Marechal Cândido Rondon, Foz do Iguaçu, Maringá, Palmas e outros municípios onde supostas vítimas procuraram as delegacias para...
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Por Luiz Haab

O que começou como relatos nas redes sociais se transformou em uma investigação de grandes proporções no Paraná. A Polícia Civil começou a ouvir dezenas de pessoas que afirmam ter sido vítimas do chamado “golpe das semijoias” — um caso que, segundo os depoimentos, pode envolver centenas de mulheres em diferentes municípios do Paraná e de Santa Catarina.
As oitivas já ocorreram em cidades como Cascavel, Marechal Cândido Rondon, Foz do Iguaçu, Maringá, Palmas e outros municípios onde supostas vítimas procuraram as delegacias para formalizar denúncias e apresentar documentos, conversas, comprovantes e relatos sobre prejuízos financeiros que teriam sido causados por um homem de iniciais M.C., morador de Cascavel.
O cenário descrito pelas mulheres chama a atenção pela dimensão e pelo padrão dos relatos. Muitas afirmam que jamais realizaram compras ou assumiram compromissos financeiros relacionados às semijoias, mas acabaram envolvidas em cobranças, notificações e situações que agora são alvo de investigação policial.
Nesta sexta-feira (22), uma das mulheres ouvidas pela Polícia Civil gravou um vídeo relatando o drama enfrentado por quem tenta provar que também foi vítima.
“Oi pessoal, eu, Elza Aparecido de Souza, também sou uma das inúmeras vítimas do golpe das semijoias. Eu moro em Marechal Cândido Rondon, tá? Eu já dei a minha entrevista pro delegado Anderson Santana na delegacia de polícia de Marechal Cândido Rondon também, como todas as outras, tá gente? A gente continua aqui na luta pra ver se tentamos provar a nossa inocência. Nós não compramos nada, tá bom gente? Um abraço!”
Nos bastidores da investigação, a quantidade de pessoas procurando as autoridades já acende um alerta. A Polícia Civil busca agora entender a estrutura do suposto esquema, como os nomes teriam sido utilizados e qual o alcance real do caso.
Entenda
Segundo os relatos publicados pela CGN e os depoimentos reunidos pela Polícia Civil, o suposto “golpe das semijoias” funcionaria por meio de um modelo de revenda em consignação que, conforme as denúncias, acabava se transformando em cobranças judiciais e penhoras de bens. O caso segue sob investigação e os fatos ainda estão sendo apurados oficialmente.
De acordo com as vítimas ouvidas pela reportagem, o esquema aconteceria assim:
• Mulheres eram procuradas com a promessa de renda extra vendendo semijoias;
• Recebiam mostruários ou maletas com peças para revenda;
• No momento da entrega, assinavam notas promissórias apresentadas como “garantia”;
• Muitas afirmam que assinaram documentos em branco ou sem detalhes claros dos valores;
• Depois de devolverem os produtos — ou até mesmo sem terem vendido nada — começaram a surgir cobranças judiciais;
• As ações incluíam pedidos de bloqueio de contas, penhora de veículos, imóveis e outros bens.
As denúncias apontam ainda que os valores cobrados nas promissórias seriam muito superiores ao valor das peças recebidas. Algumas vítimas afirmam que os documentos teriam sido preenchidos posteriormente com quantias que elas não reconhecem.
A defesa do homem citado nas denúncias informou à CGN que deve se manifestar apenas judicialmente. Até o momento, não há condenação definitiva relacionada ao caso.
Enquanto isso, novas vítimas continuam surgindo diariamente.
O caso segue em investigação.
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