
Suposto golpista das semijoias abriu centenas de processos; novas vítimas revelam ‘esquema’ à CGN
Em uma busca com filtros avançados no sistema do Poder Judiciário do Paraná, a CGN encontrou o nome do suposto golpista como autor de centenas de...
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Por Luiz Haab

A revelação de dezenas de relatos envolvendo um suposto esquema com semijoias em Cascavel começou a produzir um efeito em cadeia. Após a publicação da reportagem da CGN, novas vítimas procuraram a equipe de reportagem em diferentes cidades do Paraná relatando histórias semelhantes — algumas delas marcadas por bloqueios judiciais, apreensão de veículos e cobranças baseadas em notas promissórias que elas afirmam jamais ter assinado nos valores apresentados.
Em uma busca com filtros avançados no sistema do Poder Judiciário do Paraná, a CGN encontrou o nome do suposto golpista como autor de centenas de processos judiciais, a maioria relacionada justamente à cobrança de notas promissórias. O volume de ações e a repetição dos relatos reforçam os depoimentos das vítimas e levantam um questionamento inevitável: como um padrão tão semelhante de casos ainda não despertou suspeitas mais profundas dentro do próprio sistema judiciário?
As novas denúncias vieram de cidades como Foz do Iguaçu e da própria Cascavel. Uma empresária de Foz afirma que teve a assinatura falsificada em uma promissória de R$ 10 mil, valor que, segundo ela, sequer correspondia ao conteúdo da maleta de semijoias recebida em consignação. “Ele levou a maleta e depois entrou com processo contra mim”, contou. Ela relata ainda que o homem teria filmado a fachada do estúdio dela, acompanhado reformas no imóvel e até registrado a troca de carro da família para sustentar judicialmente a suposta capacidade financeira da vítima. Outra moradora da cidade afirma que teve contas bloqueadas, uma caminhonete apreendida e o carro retido mesmo após conseguir vitória judicial em uma das ações. “Ele entrou de novo contra mim, só mudou de vara”, afirmou.
Em Cascavel, uma terceira vítima contou à CGN que o caso começou em 2017, quando recebeu a visita do homem oferecendo semijoias para venda consignada. Segundo ela, o discurso era sempre o mesmo: sem riscos, sem investimento e com possibilidade de renda extra. Após problemas com a qualidade das peças, decidiu devolver a maleta. A dívida restante, segundo a mulher, era inferior a R$ 300 e teria sido quitada diretamente ao representante. Anos depois, porém, ela foi surpreendida com uma ação judicial cobrando mais de R$ 10 mil. “Eu achei que fosse um engano. Ele me bloqueou e mandou falar com o advogado”, contou. Desde então, afirma conviver com bloqueios bancários e visitas constantes de oficiais de Justiça em seus endereços residencial e comercial.
Os relatos se repetem em cidades diferentes, com detalhes quase idênticos: promissórias assinadas em branco, retirada das maletas, cobranças posteriores, ações judiciais e buscas patrimoniais direcionadas a carros, contas bancárias e imóveis das vítimas. Mesmo diante da quantidade de processos e da semelhança entre os casos, as mulheres afirmam sentir que lutam praticamente sozinhas contra uma engrenagem já consolidada.
A CGN entrou em contato com o advogado do suposto golpista, mas ele informou que irá se manifestar apenas judicialmente. Enquanto isso, novas vítimas continuam aparecendo — e trazendo à tona um roteiro que, para muitas delas, deixou de ser apenas uma dívida judicial para se transformar em um pesadelo financeiro e emocional.
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