
“De R$ 900 para R$ 13.900”: nova vítima mostra promissória que teria sido adulterada pelo ‘golpista das semijoias’
O relato de Silvana traz detalhes que chamam atenção: além da acusação de adulteração do documento, ela afirma que o caso aconteceu em 2015 — dois...
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Por Luiz Haab

A denúncia envolvendo um suposto esquema com semijoias, em Cascavel, acaba de ganhar um novo capítulo — e, desta vez, com documentos que podem ampliar ainda mais a gravidade do caso. Em entrevista ao Estúdio CGN, a dona de casa Silvana Pires apresentou cópias da promissória que, segundo ela, tiveram dados alterados pelo suposto golpista. Ela afirma que, após assinar o documento, ainda em 2015, a nota teria tido números incluídos e data modificada posteriormente para embasar uma cobrança judicial que já resultou na penhora de dois veículos da família dela.
O relato de Silvana traz detalhes que chamam atenção: além da acusação de adulteração do documento, ela afirma que o caso aconteceu em 2015 — dois anos antes dos episódios já revelados pela CGN até então. Se confirmado, o novo depoimento amplia o período de atuação do suposto esquema para pelo menos 11 anos.
“Ele colocou R$ 900 na promissória, deixou o resto em branco e eu assinei porque estava tudo certo”, relata Silvana. Segundo ela, o homem apareceu em seu salão de beleza oferecendo um mostruário de semijoias para venda consignada, com a promessa de que ela pagaria apenas pelas peças vendidas após 30 dias. “Era um papo muito convincente. Parecia uma oportunidade boa.”
Silvana afirma que vendeu parte das peças, pagou cerca de R$ 600 diretamente ao representante e devolveu o restante do mostruário. Depois disso, segundo ela, o homem desapareceu. Algumas clientes teriam procurado o salão relatando defeitos nas peças, e ela diz que chegou a entregar itens de garantia para troca — que nunca foram devolvidos.
Por anos, afirma, acreditou que o assunto estivesse encerrado, até que vieram as notificações judiciais. Segundo Silvana, ela foi surpreendida com uma ação cobrando mais de R$ 13 mil. O detalhe mais grave, porém, estaria no próprio documento usado no processo. Durante a entrevista, ela mostrou a promissória e afirmou que o valor original teria sido adulterado.
“Onde era R$ 900, ele colocou um 13 na frente e transformou em R$ 13.900”, denuncia.
Ela também afirma que a data do documento teria sido alterada. Segundo Silvana, a promissória original seria de 2015, mas o ano teria sido modificado para 2018.
“É visível. Qualquer pessoa olhando percebe”, disse.
A suspeita levantada por ela é de que a alteração teria ocorrido porque o prazo legal para cobrança já estaria próximo de expirar quando o homem conseguiu localizá-la novamente.
Segundo o relato, o reencontro teria acontecido de maneira inesperada. Silvana conta que, anos depois, recebeu uma mensagem da esposa do suposto representante pedindo doces caseiros. Ela passou o endereço para entrega, mas afirma que os doces nunca foram buscados.
“A partir dali ele conseguiu meu endereço e entrou na Justiça”, afirma.
As consequências, segundo ela, continuam até hoje.
Silvana relata que já teve valores judiciais bloqueados automaticamente para pagamento da dívida e que atualmente enfrenta a penhora de veículos ligados à família. Um dos carros, segundo ela, pertence à filha e está parado há meses em uma garagem após restrição judicial.
“É uma dor de cabeça atrás da outra desde 2018”, desabafa.
O relato dela segue um padrão semelhante ao de dezenas de outras mulheres que procuraram a CGN nas últimas semanas. As histórias têm pontos em comum: oferta de semijoias consignadas, assinatura de promissórias parcialmente preenchidas ou em branco, recolhimento posterior das maletas e, anos depois, ações judiciais cobrando altos valores.
Em reportagens anteriores, vítimas de Cascavel, Foz do Iguaçu e cidades de Santa Catarina relataram bloqueios bancários, apreensão de veículos, penhoras e cobranças baseadas em documentos que afirmam não reconhecer. Algumas denunciam falsificação de assinatura; outras afirmam que os valores cobrados não correspondem às mercadorias recebidas.
Uma das ex-revendedoras chegou a afirmar à CGN que o homem observava deliberadamente o patrimônio das mulheres recrutadas antes de entregar os mostruários — avaliando carros, imóveis e padrão de vida para eventual cobrança judicial futura.
Em levantamento realizado pela CGN no sistema do Poder Judiciário do Paraná, o nome do suposto representante aparece vinculado a centenas de ações judiciais, a maioria relacionada justamente à cobrança de notas promissórias.
Mesmo diante da repetição dos relatos, do volume de processos e das semelhanças entre os casos, as vítimas afirmam não entender como o padrão ainda não despertou suspeitas mais profundas dentro do sistema de Justiça.
“Isso aqui qualquer estagiário vê”, afirma Silvana ao apontar as supostas alterações na promissória. “Mas passou batido pela Justiça. A sensação é de impunidade.”
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