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“Eu estava de luto quando levei o golpe”; “Vem na nossa casa ameaçar”, dizem mais vítimas do golpe das semijoias

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“Eu estava de luto quando levei o golpe”; “Vem na nossa casa ameaçar”, dizem mais vítimas do golpe das semijoias

Por Luiz Haab

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Novos depoimentos e declarações graves demonstram a seriedade do caso do suposto “golpista das semijoias”, em Cascavel. Mais duas mulheres de diferentes cidades do Paraná descrevem o mesmo roteiro: confiança, assinatura de documentos em branco, cobranças inesperadas, processos judiciais e um rastro de medo que, segundo elas, ultrapassa as dívidas e invade a vida pessoal das famílias.

“Sou mais uma vítima do ***. Em troca do mostruário de joias, ele pede pra gente assinar uma nota em branco e muitas vezes, na inocência, a gente acaba assinando”, relata uma das mulheres ouvidas pela reportagem.

Ela afirma que, posteriormente, os documentos seriam preenchidos com valores que, segundo ela, não reconhece. O caso então seguiria para cobranças judiciais.

“Depois entra judicialmente. Isso quando não vem na nossa casa me ameaçar, me afrontar. Prende todos os bens e ainda procura os bens da família toda. No caso, tenta destruir a vida das pessoas”, denuncia.

O relato expõe um cenário descrito pelas vítimas como uma espécie de “caçada patrimonial”, em que familiares também passariam a ser alvo de investigações e visitas em busca de bens que possam ser vinculados às dívidas cobradas judicialmente.

Outra mulher, moradora de Assis Chateaubriand, afirma que conheceu Moisés antes da pandemia e trabalhou revendendo produtos por cerca de um ano. Ela garante que quitou toda a dívida ainda em 2020, pouco antes de enfrentar uma tragédia pessoal: a morte do marido.

“Eu já tinha pagado pra ele. Não tava devendo mais nada”, afirma.

Mas, segundo ela, mesmo em meio ao luto, a tranquilidade durou pouco.

“Passou um tempo e ele me mandou uma citação do juiz me cobrando seis mil reais, sendo que eu não devia mais nada pra ele.”

A cabeleireira afirma que o processo acabou bloqueando seu CPF e trazendo consequências financeiras que persistem até hoje.

“Só tô com o nome bloqueado por conta do processo.”

Ela também relata que pessoas próximas passaram a ser investigadas informalmente.

“Ele até foi na casa da minha irmã, porque achou que a casa era minha. Foi perguntar se a casa era minha.”

As denúncias se acumulam enquanto cresce o número de mulheres que dizem ter vivido situações semelhantes. Os relatos têm pontos em comum: documentos assinados sem preenchimento, cobranças inesperadas, processos judiciais e pressão psicológica.

Nos bastidores, vítimas relatam medo de falar publicamente. Algumas afirmam que evitam conceder entrevistas por receio de novas ações judiciais ou represálias.

Enquanto isso, o caso começa a ganhar dimensão regional e levanta uma pergunta inquietante: quantas mulheres ainda podem estar vivendo em silêncio o mesmo drama?

A reportagem tenta contato com Moisés Campignaro para manifestação sobre as acusações. O espaço segue aberto para posicionamento.

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