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Farmacêutico 'Doutor Milagre': Transplante capilar, plástica e PMMA

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Reprodução

Por Redação CGN

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A CGN teve acesso ao relatório de inspeção do Conselho Regional de Farmácia do Paraná (CRF-PR) realizado no dia 10 de setembro de 2024 na Clínica Revive, localizada na cidade de Cascavel (PR). O documento, datado de 03 de outubro de 2024, traz detalhes de uma investigação envolvendo o farmacêutico Tiago Tomaz da Rosa, suspeito de realizar procedimentos médicos sem autorização legal.

A clínica, que tem como sócia a médica Carolina Milanezi Bortolon, esposa do farmacêutico, está no centro de uma polêmica que envolve o uso indevido de substâncias, prescrição irregular de medicamentos e até cirurgias plásticas sem a devida qualificação. A denúncia mais grave envolve a paciente Raquel Roseli Demichei Dornelles, que, ao procurar um procedimento estético, acabou recebendo uma substância de preenchimento permanente sem seu consentimento.

O começo do escândalo: paciente denuncia erro e abre processo

Denúncia feita pela Paciente Raquel Roseli Demichei Dornelles para a CGN em 04/12/2024.

A investigação começou a partir de uma denúncia feita pela paciente Raquel Roseli Demichei Dornelles, que entrou com um processo na 1ª Vara Cível de Cascavel.

Segundo o relatório, Raquel procurou a clínica para a aplicação de um bioestimulador de colágeno chamado Sculptra. Esse produto é amplamente utilizado para melhorar a firmeza da pele, mas, logo após o procedimento, a paciente começou a apresentar reações adversas severas, incluindo inchaços e deformações faciais.

Por 12 meses, Raquel buscou atendimento na própria clínica, onde Tiago Tomaz da Rosa teria minimizado as queixas, afirmando que os sintomas eram normais. Durante esse período, diversos outros procedimentos foram realizados na tentativa de corrigir o problema, sem sucesso.

Sem encontrar solução, Raquel procurou um médico especialista, que solicitou uma biópsia do tecido facial. O resultado foi chocante: o que estava em seu rosto não era Sculptra, mas sim PMMA (polimetilmetacrilato), uma substância de preenchimento definitiva que pode causar reações inflamatórias severas e não pode ser aplicada por farmacêuticos.

Segundo o relatório obtido pela CGN, a troca da substância foi confirmada pelo próprio farmacêutico Tiago Tomaz da Rosa. Ele alegou que houve um erro no momento do procedimento e que, em vez de aplicar o Sculptra, utilizou Biosculpt, um produto composto por PMMA.

Pior ainda: ele admitiu que sabia do erro desde julho de 2023, dois meses após a aplicação, mas não informou a paciente. Em vez disso, teria recomendado novos procedimentos para tentar amenizar o problema. Raquel só descobriu a verdade após a biópsia e o início do processo judicial.

A fiscalização: irregularidades em série

Diante das denúncias, o CRF-PR organizou a operação de fiscalização no dia 10 de setembro de 2024, às 14h34. A ação contou com a participação do Conselho Regional de Medicina do Paraná (CRM-PR), que também investiga a clínica por suspeita de exercício ilegal da medicina.

No momento da chegada dos fiscais, Tiago Tomaz não estava presente, e a recepcionista informou que ele não se encontrava no local. Já a médica Carolina Milanezi Bortolon teria impedido a fiscalização do CRF-PR de acompanhar a vistoria do CRM-PR.

O farmacêutico chegou às 16h00, entrando pelos fundos da clínica, e só recebeu os fiscais às 16h14. Durante a vistoria, os auditores tiveram acesso ao sistema de prontuários eletrônicos da clínica e constataram diversas irregularidades, incluindo registros que mostravam Tiago como responsável por procedimentos médicos proibidos para sua profissão.

Ao realizar a análise dos procedimentos efetuados pelo farmacêutico Tiago na clínica durante o período de 01/12/23 a 10/09/24, foi possível constatar que o mesmo realizou por diversas vezes procedimentos não regulamentados pela profissão, abaixo listamos alguns:

  • 13/12/23, procedimento de aplicação de PMMA 30%; Este procedimento não é autorizado pela legislação que rege a profissão farmacêutica.
  • 21/12/23, procedimento de aplicação de PMMA 30%; Este procedimento não é autorizado pela legislação que rege a profissão farmacêutica.
  • 21/12/23, procedimento de remoção de Lesão; Este procedimento não é autorizado pela legislação que rege a profissão farmacêutica.
  • 09/01/24, procedimento de remoção de tatuagem via laser; Este procedimento não é autorizado pela legislação que rege a profissão farmacêutica.
  • 14/04/24, procedimento de transplante Capilar, procedimento este que pode ser realizado apenas pelo profissional Médico.
  • 02/05/24, procedimento de transplante Capilar, procedimento este que pode ser realizado apenas pelo profissional Médico.
  • 15/07/24, procedimento de alectomia – A alectomia é um procedimento que corta a base das asas nasais, conhecidas popularmente por narinas, e a reposiciona, retirando pedaços da pele, para afinar o nariz. Ela tem apenas função estética e não deve ser feita de maneira isolada. “A alectomia é o refinamento da cirurgia de rinoplastia; Este procedimento é autorizado apenas para profissionais médicos.

A fiscalização ainda identificou que prontuários de pacientes estavam incompletos, sem assinaturas ou com informações inseridas após a solicitação dos fiscais.

Prescrição irregular de medicamentos

O relatório também aponta que o farmacêutico prescrevia medicamentos, prática que é limitada dentro da legislação farmacêutica. Entre os remédios prescritos por Tiago estão:

  • Predsin 40mg (corticoide potente) – Receitado para Raquel Dornelles em 17/06/23;
  • Lasix 40mg (diurético) – Prescrito em 22/06/23;
  • Ozempic 1mg (medicamento para diabetes e emagrecimento) – Aplicação recomendada em 22/06/23.

Além disso, a esteticista da clínica teria prescrito um medicamento tópico chamado Topson, o que não é permitido para profissionais dessa categoria.

Outras irregularidades

Outro problema grave encontrado foi o armazenamento incorreto de produtos termolábeis (que necessitam de refrigeração).

No momento da fiscalização, a geladeira da clínica armazenava Dysport, um medicamento para procedimentos estéticos, mas a temperatura estava entre 3,4°C e 13,2°C, enquanto a recomendação do fabricante é que fique entre 2°C e 8°C.

Além disso, não havia um controle adequado de temperatura, o que poderia comprometer a qualidade dos produtos utilizados nos pacientes.

Ação da ANVISA e consequências legais

Em 25 de junho de 2024, a ANVISA publicou a Resolução 2.384/2024, proibindo a importação, fabricação e uso de produtos à base de fenol para procedimentos estéticos e de saúde.

No entanto, a Clínica Revive descumpriu a proibição ao realizar um peeling de fenol em 3 de julho de 2024, quando a norma já estava em vigor.

Com base nas constatações da fiscalização, o CRF-PR e o CRM-PR devem abrir processos administrativos e criminais contra Tiago Tomaz da Rosa por exercício ilegal da medicina e infrações éticas. O caso também pode resultar na interdição da clínica e cassação do registro do farmacêutico.

Um caso que ainda promete repercussão

O relatório obtido pela CGN revela um cenário preocupante na área de estética em Cascavel. As denúncias contra a Clínica Revive e seus profissionais levantam questionamentos sobre a fiscalização e segurança dos pacientes que procuram esses serviços.

Enquanto as investigações continuam, pacientes que passaram pela clínica podem procurar órgãos competentes para verificar se foram expostos a procedimentos irregulares.

Resumo do que aconteceu

Chocante: O que aconteceu com a paciente que ficou com o rosto deformado após procedimento estético em Cascavel?
R: A empresária Raquel Roseli Demichei Dornelles ficou com o rosto deformado após realizar um procedimento estético na Clínica Revive, em Cascavel, no Paraná. Ela contratou a aplicação de Sculptra, mas laudos médicos e biópsia confirmaram que foi injetado PMMA, uma substância plástica de uso restrito, causando inchaços, nódulos e deformidades faciais irreversíveis.
Quem são os principais acusados no escândalo da clínica de estética de Cascavel?
R: Os principais acusados são o farmacêutico Tiago Tomaz da Rosa, conhecido como 'Doutor Milagre', e a médica Carolina Milanezi Bortolon, sócios da Clínica Revive. Eles respondem por estelionato qualificado, lesão corporal gravíssima e exercício ilegal da profissão.
Por que o caso ganhou tanta repercussão nacional?
R: O caso ganhou repercussão pela gravidade das lesões, o uso de substância proibida, denúncias de procedimentos irregulares, impactos emocionais severos nas vítimas e suspeitas de práticas ilícitas cometidas por profissionais de saúde, incluindo a realização de cirurgias plásticas por um farmacêutico não autorizado.
O que é PMMA e por que ele é considerado perigoso em procedimentos estéticos?
R: O PMMA (polimetilmetacrilato) é uma substância plástica permanente, não absorvível, usada apenas em casos restritos, como deformidades causadas por doenças. Seu uso em estética é desaconselhado pela Anvisa e sociedades médicas devido ao alto risco de inflamações, necrose, deformidades irreversíveis e até insuficiência renal.
Como foi descoberta a troca do Sculptra pelo PMMA no procedimento de Raquel?
R: Após meses de sofrimento e tentativas de correção na própria clínica, Raquel procurou um especialista que solicitou biópsia facial. O exame confirmou a presença de PMMA, e o próprio farmacêutico Tiago admitiu ter cometido o erro, mas não informou a paciente imediatamente.
Quantas vítimas já denunciaram a Clínica Revive e quais complicações relataram?
R: Até fevereiro de 2025, pelo menos nove vítimas foram ouvidas pela Polícia Civil, com relatos de queimaduras por fenol, necrose, deformações por PMMA e problemas renais. Uma paciente relatou necrose nas nádegas após procedimento de Sculptra, além de sofrimento físico, emocional e prejuízo financeiro.
A clínica e os profissionais foram presos?
R: Não, até o momento os sócios da clínica não foram presos, mas tiveram seus registros profissionais suspensos e estão proibidos de se aproximar de vítimas e testemunhas por decisão judicial.
Quais irregularidades foram encontradas na fiscalização das autoridades na Clínica Revive?
R: A fiscalização do Conselho Regional de Farmácia e de Medicina encontrou procedimentos médicos realizados ilegalmente por Tiago, prescrição irregular de medicamentos, prontuários incompletos, armazenamento inadequado de produtos e impedimento de fiscalização pela médica Carolina.
O que dizem as defesas de Tiago Tomaz da Rosa e Carolina Milanezi Bortolon?
R: A defesa alega que os procedimentos foram realizados dentro das normas técnicas, que os riscos foram esclarecidos e que Carolina não participou diretamente do procedimento questionado. Negam dolo e afirmam que complicações podem ser riscos inerentes aos procedimentos.
Como a Justiça tem se posicionado diante das denúncias e pedidos das partes?
R: A Justiça negou o pedido da clínica para censurar publicamente a paciente, entendendo que suas críticas não configuram abuso. Também negou o bloqueio de bens e apreensão de passaporte do farmacêutico por falta de provas de tentativa de fuga.
O que diz a vítima Raquel sobre o impacto do procedimento em sua vida?
R: Raquel relata dores constantes, presença de nódulos, inchaço, risco de complicações renais, impactos emocionais graves, isolamento social, afastamento do trabalho e despesas elevadas com tratamentos corretivos.
O que as investigações revelaram sobre outros procedimentos realizados por Tiago Tomaz da Rosa?
R: Foram identificados diversos procedimentos não autorizados para farmacêuticos, como aplicação de PMMA, transplante capilar, cirurgias plásticas e remoção de lesões, além de prescrição de medicamentos fora das normas da profissão.
Que medidas estão sendo tomadas pelas autoridades reguladoras e policiais?
R: A Polícia Civil instaurou inquéritos, realizou buscas e apreensões na clínica e residência dos investigados, recolheu documentos, computadores e caixas de PMMA. Os Conselhos de Farmácia e Medicina abriram processos administrativos e criminais e podem interditar a clínica e cassar registros profissionais.
A Anvisa e o Conselho Federal de Medicina já se posicionaram sobre o uso do PMMA?
R: Sim. Em 2024, a Anvisa proibiu o uso de fenol em estética, e o Conselho Federal de Medicina solicitou o banimento do PMMA no Brasil, devido ao aumento de complicações graves e riscos à saúde.
Qual a situação atual do processo judicial contra a Clínica Revive?
R: O julgamento criminal teve início em novembro de 2025, mas foi adiado para maio de 2026 devido à ausência da médica Carolina, que está em gravidez de risco, e para ouvir mais testemunhas. O caso segue sem sentença definitiva.
Houve tentativa de responsabilizar a paciente pelas complicações?
R: A defesa da clínica alegou que possíveis complicações poderiam ser resultado de cuidados inadequados no pós-operatório pela paciente e que ela já teria histórico de procedimentos estéticos anteriores.
Quais foram as consequências emocionais e financeiras para as vítimas?
R: As vítimas relataram sofrimento extremo, necessidade de curativos diários, afastamento do trabalho, perdas financeiras, ansiedade, depressão, isolamento social e despesas elevadas com tratamentos médicos e substituição de bens danificados.
Por que a clínica tentou censurar publicamente a vítima?
R: A clínica entrou com ação para proibir a paciente de mencionar seus nomes publicamente, alegando campanha difamatória, mas a Justiça entendeu que as críticas eram legítimas e alertavam terceiros sobre os riscos do procedimento.
Que riscos o uso de PMMA representa para a saúde?
R: O PMMA pode causar inflamações crônicas, deformidades permanentes, necrose, nódulos, infecções e até insuficiência renal, especialmente quando aplicado por profissionais não médicos ou em locais não autorizados.
O escândalo pode mudar as regras para procedimentos estéticos no Brasil?
R: O caso já motivou pedidos de proibição do PMMA no país e acendeu o alerta para maior fiscalização e rigor nas normas de procedimentos estéticos, além de reforçar a importância de buscar profissionais qualificados e autorizados.

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