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Bumbum necrosado: Mais uma denúncia atinge clínica de Cascavel

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Foto: Reprodução/CGN

Por Redação CGN

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A CGN teve acesso a mais uma ação judicial envolvendo o farmacêutico Tiago Tomaz da Rosa e a clínica Revive Saúde e Estética, de Cascavel, no Paraná. A ação, movida por uma paciente que relata complicações graves após um procedimento estético, soma-se a um histórico de controvérsias envolvendo o profissional e a clínica.

O caso em questão ocorreu em novembro de 2021, quando a paciente procurou a clínica para realizar um procedimento estético conhecido como Sculptra, indicado para rejuvenescimento e fortalecimento da pele. Segundo a ação, confiando na reputação do farmacêutico, a cliente aceitou passar pelo tratamento sem que fossem realizados exames prévios. O resultado, no entanto teria causado necrose em ambas as nádegas, resultando em deformidades graves e impactando profundamente a vida da paciente.

Meses de sofrimento e perdas financeiras

Os documentos anexados à ação detalham o período de recuperação como uma experiência de sofrimento extremo. A paciente precisou de curativos diários por vários meses devido às feridas abertas, enfrentando dores constantes e dificuldades para se locomover. Além disso, ela relata ter arcado com despesas inesperadas, como a substituição de móveis manchados pelos fluidos provenientes das feridas, incluindo colchões e sofás.

A situação também afetou sua rotina profissional, já que ficou afastada do trabalho por vários meses, acumulando perdas financeiras. Paralelamente, a paciente teria desenvolvido quadros de ansiedade e depressão, necessitando de tratamento com medicamentos controlados. Ela afirma que o trauma físico e emocional a afastou de atividades sociais, como frequentar praias e piscinas, por vergonha das cicatrizes deixadas pelo procedimento.

Laudo médico aponta falhas graves no procedimento

O laudo médico pericial anexado ao processo revela detalhes sobre o procedimento realizado. De acordo com o perito, não há comprovação de que o farmacêutico tenha utilizado o produto correto nem que tenha seguido os protocolos técnicos exigidos para a aplicação de Sculptra, nome comercial do ácido poli-l-láctico. Além disso, não existem prontuários que detalhem a substância aplicada, a dose utilizada, a técnica de aplicação ou os cuidados pré e pós-procedimento.

O perito identificou que a paciente sofreu necrose cutânea nas regiões onde o produto foi aplicado, o que pode ter sido causado por injeção intravascular, vasoespasmo ou compressão extrínseca, fatores relacionados a erro técnico. O laudo ainda destaca que, embora a paciente tenha referido assinar um termo de consentimento, isso teria ocorrido somente dois meses após o procedimento, para fins de acionar o seguro.

As sequelas relatadas incluem cicatrizes visíveis e afundamento na região glútea, avaliados pelo método AIPE como de grau 5/6, o que indica um dano estético permanente e de difícil correção. O laudo também conclui que houve incapacidade laboral total e temporária por cerca de 90 dias, mas sem redução de capacidade após a recuperação.

Pedidos de bloqueio de bens e apreensão de passaporte

Recentemente, no dia 20 de janeiro de 2025, os advogados da paciente apresentaram um pedido à Justiça solicitando o bloqueio de bens e valores de Tiago Tomaz da Rosa e da clínica Revive Saúde e Estética, além da apreensão do passaporte do farmacêutico, sob alegação de que ele estaria se desfazendo de bens e poderia evadir-se do país. A defesa argumentou que essas medidas seriam essenciais para garantir o cumprimento de uma eventual condenação.

Contudo, no dia seguinte, 21 de janeiro de 2025, o juiz Phellipe Müller indeferiu os pedidos. Na decisão, o magistrado destacou que as alegações da autora não estavam respaldadas por provas concretas que demonstrassem a intenção do réu de se desfazer de bens ou de fugir do país. Ele também apontou que a existência de um contrato de seguro firmado entre o réu e a Companhia Excelsior de Seguros minimizava o risco de frustração de eventual crédito indenizatório.

“Com a generalidade com que formuladas as alegações e sem elementos concretos que as sustentem, a manifestação parece derivar de mera suposição da defesa técnica da autora”, afirmou o juiz na decisão. Ele determinou que o processo seja encaminhado para julgamento após o encerramento da fase de especificação de provas.

Alegações da defesa

O farmacêutico Tiago Tomaz da Rosa e a clínica Revive Saúde e Estética alegam que o procedimento foi realizado dentro das normas técnicas e que o profissional possui qualificação respaldada por resoluções do Conselho Federal de Farmácia. A defesa afirma que todos os riscos foram previamente esclarecidos à paciente, que teria assinado um termo de consentimento antes do procedimento.

Além disso, a defesa contesta a gravidade dos danos alegados pela autora, sugerindo que complicações podem ter sido agravadas por falta de cuidados adequados no pós-operatório. Também é levantado que a paciente já apresentava histórico de procedimentos estéticos anteriores e boa cicatrização, o que reforçaria a hipótese de ausência de responsabilidade por parte dos réus.

“Importante ressaltar que não existe nos autos qualquer demonstração de dano decorrente do procedimento estético de Sculptra realizados pelos Requeridos, ademais o cuidado posterior realizado pela autora pode certamente ter causado os danos descritos, se é que decorrem da realização do procedimento estético.”

Trecho da defesa

Outro ponto crucial da defesa é a inclusão da seguradora Excelsior de Seguros no processo como responsável solidária, destacando que há cobertura contratual para possíveis indenizações. Segundo os réus, essa apólice reduziria qualquer risco de prejuízo financeiro para a autora.

Com o caso ainda em tramitação, a expectativa é de que a decisão judicial traga definições importantes tanto para a autora quanto para os réus. A paciente busca reparação pelos danos sofridos, enquanto o farmacêutico e a clínica Revive lutam para afastar a responsabilidade e proteger sua reputação.

A CGN seguirá acompanhando esse processo.

Resumo do que aconteceu

Chocante: O que aconteceu com a paciente que ficou com o rosto deformado após procedimento estético em Cascavel?
R: A empresária Raquel Roseli Demichei Dornelles ficou com o rosto deformado após realizar um procedimento estético na Clínica Revive, em Cascavel, no Paraná. Ela contratou a aplicação de Sculptra, mas laudos médicos e biópsia confirmaram que foi injetado PMMA, uma substância plástica de uso restrito, causando inchaços, nódulos e deformidades faciais irreversíveis.
Quem são os principais acusados no escândalo da clínica de estética de Cascavel?
R: Os principais acusados são o farmacêutico Tiago Tomaz da Rosa, conhecido como 'Doutor Milagre', e a médica Carolina Milanezi Bortolon, sócios da Clínica Revive. Eles respondem por estelionato qualificado, lesão corporal gravíssima e exercício ilegal da profissão.
Por que o caso ganhou tanta repercussão nacional?
R: O caso ganhou repercussão pela gravidade das lesões, o uso de substância proibida, denúncias de procedimentos irregulares, impactos emocionais severos nas vítimas e suspeitas de práticas ilícitas cometidas por profissionais de saúde, incluindo a realização de cirurgias plásticas por um farmacêutico não autorizado.
O que é PMMA e por que ele é considerado perigoso em procedimentos estéticos?
R: O PMMA (polimetilmetacrilato) é uma substância plástica permanente, não absorvível, usada apenas em casos restritos, como deformidades causadas por doenças. Seu uso em estética é desaconselhado pela Anvisa e sociedades médicas devido ao alto risco de inflamações, necrose, deformidades irreversíveis e até insuficiência renal.
Como foi descoberta a troca do Sculptra pelo PMMA no procedimento de Raquel?
R: Após meses de sofrimento e tentativas de correção na própria clínica, Raquel procurou um especialista que solicitou biópsia facial. O exame confirmou a presença de PMMA, e o próprio farmacêutico Tiago admitiu ter cometido o erro, mas não informou a paciente imediatamente.
Quantas vítimas já denunciaram a Clínica Revive e quais complicações relataram?
R: Até fevereiro de 2025, pelo menos nove vítimas foram ouvidas pela Polícia Civil, com relatos de queimaduras por fenol, necrose, deformações por PMMA e problemas renais. Uma paciente relatou necrose nas nádegas após procedimento de Sculptra, além de sofrimento físico, emocional e prejuízo financeiro.
A clínica e os profissionais foram presos?
R: Não, até o momento os sócios da clínica não foram presos, mas tiveram seus registros profissionais suspensos e estão proibidos de se aproximar de vítimas e testemunhas por decisão judicial.
Quais irregularidades foram encontradas na fiscalização das autoridades na Clínica Revive?
R: A fiscalização do Conselho Regional de Farmácia e de Medicina encontrou procedimentos médicos realizados ilegalmente por Tiago, prescrição irregular de medicamentos, prontuários incompletos, armazenamento inadequado de produtos e impedimento de fiscalização pela médica Carolina.
O que dizem as defesas de Tiago Tomaz da Rosa e Carolina Milanezi Bortolon?
R: A defesa alega que os procedimentos foram realizados dentro das normas técnicas, que os riscos foram esclarecidos e que Carolina não participou diretamente do procedimento questionado. Negam dolo e afirmam que complicações podem ser riscos inerentes aos procedimentos.
Como a Justiça tem se posicionado diante das denúncias e pedidos das partes?
R: A Justiça negou o pedido da clínica para censurar publicamente a paciente, entendendo que suas críticas não configuram abuso. Também negou o bloqueio de bens e apreensão de passaporte do farmacêutico por falta de provas de tentativa de fuga.
O que diz a vítima Raquel sobre o impacto do procedimento em sua vida?
R: Raquel relata dores constantes, presença de nódulos, inchaço, risco de complicações renais, impactos emocionais graves, isolamento social, afastamento do trabalho e despesas elevadas com tratamentos corretivos.
O que as investigações revelaram sobre outros procedimentos realizados por Tiago Tomaz da Rosa?
R: Foram identificados diversos procedimentos não autorizados para farmacêuticos, como aplicação de PMMA, transplante capilar, cirurgias plásticas e remoção de lesões, além de prescrição de medicamentos fora das normas da profissão.
Que medidas estão sendo tomadas pelas autoridades reguladoras e policiais?
R: A Polícia Civil instaurou inquéritos, realizou buscas e apreensões na clínica e residência dos investigados, recolheu documentos, computadores e caixas de PMMA. Os Conselhos de Farmácia e Medicina abriram processos administrativos e criminais e podem interditar a clínica e cassar registros profissionais.
A Anvisa e o Conselho Federal de Medicina já se posicionaram sobre o uso do PMMA?
R: Sim. Em 2024, a Anvisa proibiu o uso de fenol em estética, e o Conselho Federal de Medicina solicitou o banimento do PMMA no Brasil, devido ao aumento de complicações graves e riscos à saúde.
Qual a situação atual do processo judicial contra a Clínica Revive?
R: O julgamento criminal teve início em novembro de 2025, mas foi adiado para maio de 2026 devido à ausência da médica Carolina, que está em gravidez de risco, e para ouvir mais testemunhas. O caso segue sem sentença definitiva.
Houve tentativa de responsabilizar a paciente pelas complicações?
R: A defesa da clínica alegou que possíveis complicações poderiam ser resultado de cuidados inadequados no pós-operatório pela paciente e que ela já teria histórico de procedimentos estéticos anteriores.
Quais foram as consequências emocionais e financeiras para as vítimas?
R: As vítimas relataram sofrimento extremo, necessidade de curativos diários, afastamento do trabalho, perdas financeiras, ansiedade, depressão, isolamento social e despesas elevadas com tratamentos médicos e substituição de bens danificados.
Por que a clínica tentou censurar publicamente a vítima?
R: A clínica entrou com ação para proibir a paciente de mencionar seus nomes publicamente, alegando campanha difamatória, mas a Justiça entendeu que as críticas eram legítimas e alertavam terceiros sobre os riscos do procedimento.
Que riscos o uso de PMMA representa para a saúde?
R: O PMMA pode causar inflamações crônicas, deformidades permanentes, necrose, nódulos, infecções e até insuficiência renal, especialmente quando aplicado por profissionais não médicos ou em locais não autorizados.
O escândalo pode mudar as regras para procedimentos estéticos no Brasil?
R: O caso já motivou pedidos de proibição do PMMA no país e acendeu o alerta para maior fiscalização e rigor nas normas de procedimentos estéticos, além de reforçar a importância de buscar profissionais qualificados e autorizados.

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