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Feminicídio ou suicídio? Audiência reúne novas provas e expõe versões conflitantes no caso Vanessa Marty

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Feminicídio ou suicídio? Audiência reúne novas provas e expõe versões conflitantes no caso Vanessa Marty

Por Isabella Chiaradia

Atualizado em

Foi realizada na tarde desta segunda-feira (24), no Fórum de Cascavel, a audiência de instrução do processo que apura as circunstâncias da morte da escrivã da Polícia Federal Vanessa Marty.

A audiência teve como objetivo reunir elementos para a continuidade da ação penal. Com os depoimentos e demais provas produzidas nesta etapa, o juiz deverá analisar o conjunto das informações para decidir se Júlio César será submetido ao Tribunal do Júri.

A acusação sustenta que Vanessa teria sido vítima de feminicídio cometido pelo ex-companheiro, Júlio Valteman, subtenente da reserva do Exército. Já a defesa afirma que a policial teria cometido suicídio e busca, por meio das provas periciais, sustentar essa versão.

O que diz a defesa?

Segundo o advogado de defesa, Armando Souza, a audiência foi considerada “muito produtiva” do ponto de vista técnico. Entre os principais depoentes estiveram peritos criminais que participaram do levantamento do local onde Vanessa foi encontrada morta.

De acordo com o defensor, durante os depoimentos foi possível confrontar a análise inicial apresentada pelo perito criminal que acompanhou o flagrante com laudos complementares produzidos posteriormente pela Polícia Científica.

Armando Souza afirmou que os documentos técnicos apontariam a existência de vestígios de sangue tanto na arma utilizada no disparo quanto na mão de Vanessa. Para a defesa, esses elementos podem ser compatíveis com a hipótese de que o disparo tenha sido provocado pela própria vítima.

A defesa também cita como elementos importantes o exame do local de crime, o laudo de necropsia e exames de DNA realizados durante a investigação. Segundo Armando, os exames realizados na roupa de Júlio César e no sangue coletado da vítima também serão utilizados para sustentar a versão apresentada pela defesa.

Para o advogado, o conjunto de provas técnicas reunidas até o momento afasta a hipótese de feminicídio cometido pelo ex-companheiro.

O que diz a acusação?

Em entrevista, o advogado assistente de acusação, Ricardo Bantle, afirmou que os depoimentos prestados nesta segunda-feira reforçam a tese de que Vanessa foi vítima de feminicídio. Segundo ele, não foram apresentados elementos capazes de sustentar a hipótese de que a policial tenha cometido suicídio.

De acordo com o advogado, os policiais e peritos ouvidos durante a audiência consideraram “muito improvável” a possibilidade de suicídio, levando em conta as circunstâncias encontradas no local e as contradições apresentadas pelo acusado no dia da morte.

Um dos pontos destacados pela acusação é a dinâmica do disparo. Segundo Ricardo, a perícia apontaria que, caso Vanessa tivesse efetuado o disparo contra a própria nuca, teria precisado realizar um movimento muscular considerado complexo.

O advogado argumentou ainda que a posição dentro do veículo dificultaria esse movimento, devido à presença de bancos, vidros e colunas. Além disso, Vanessa utilizava um casaco pesado, que, segundo a acusação, teria limitado ainda mais seus movimentos.

Outro elemento citado pelo advogado é a ausência de vestígios de pólvora e queimadura no couro cabeludo da vítima. Conforme Ricardo Bando, essa informação indicaria que o disparo ocorreu a uma distância de pelo menos 50 centímetros da cabeça.

O principal elemento apresentado pela acusação nesta segunda-feira, segundo o advogado, foi um laudo pericial de exame residográfico realizado nas vestes do acusado.

Bantle afirmou que o documento foi juntado ao processo na manhã desta segunda-feira e apontou resultado positivo para a presença de resíduos de pólvora nas roupas de Júlio César.

“Esse laudo também foi realizado na vítima e não deu positivo. Na perícia realizada nas vestimentas do acusado, o laudo veio positivo”, afirmou o advogado.

Segundo ele, os resíduos foram identificados especificamente na manga e na região do pulso da blusa direita utilizada pelo acusado.

O advogado também explicou que não foi possível realizar o exame residográfico nas mãos de Júlio César. Conforme relatou, antes da chegada das primeiras equipes policiais à residência, o investigado teria lavado as mãos, o que, segundo a acusação, poderia ter removido eventuais resíduos provenientes da deflagração da munição.

Próximas etapas

A audiência desta segunda-feira contou apenas com os depoimentos das testemunhas indicadas pela acusação. As testemunhas da defesa ainda serão ouvidas em uma etapa posterior.

O interrogatório de Júlio César também deverá ocorrer somente ao final da instrução processual. Após a produção das provas, caberá ao juiz analisar os elementos reunidos no processo e decidir se o acusado será submetido ao Tribunal do Júri.

Resumo do que aconteceu

O que aconteceu com a escrivã da Polícia Federal Vanessa Marty em Cascavel?
R: Vanessa Marty, escrivã da Polícia Federal de 45 anos, foi encontrada morta na noite de 24 de junho de 2026, dentro de seu carro, estacionado no pátio de sua residência no Bairro Brasília, em Cascavel. Ela apresentava um ferimento na cabeça causado por disparo de arma de fogo.
Quem é o principal acusado pela morte de Vanessa Marty?
R: O principal acusado é Júlio César Waltemann, subtenente da reserva remunerada do Exército e ex-companheiro de Vanessa Marty. Ele foi preso em flagrante e permanece detido preventivamente enquanto responde à acusação de feminicídio.
Quais são as versões apresentadas para a morte de Vanessa Marty?
R: A acusação sustenta que Vanessa Marty foi vítima de feminicídio, enquanto a defesa de Júlio César Waltemann afirma que ela teria cometido suicídio. O caso segue em investigação e instrução judicial para esclarecer a dinâmica dos fatos.
Como as autoridades chegaram até a prisão do acusado?
R: Após o crime, a Polícia Militar e a Polícia Científica foram acionadas e, durante a perícia inicial, encontraram inconsistências que afastaram a hipótese de suicídio. Júlio César Waltemann foi preso em flagrante ainda na madrugada de 25 de junho de 2026, sendo a única testemunha no local.
O que apontaram as primeiras investigações e perícias sobre a cena do crime?
R: As investigações iniciais e a perícia técnica indicaram que a dinâmica dos fatos, a distância da arma e a ausência de sinais de pólvora no corpo da vítima não condiziam com suicídio, levando a Delegacia de Homicídios a tratar o caso como feminicídio.
Quais provas e evidências técnicas estão sendo analisadas no processo?
R: Entre as principais provas estão imagens e áudios captados por câmeras de segurança na residência, depoimentos de testemunhas, laudos periciais e análises do local do crime. As gravações registram a chegada do casal, discussão, disparo e reações posteriores.
O que mostram as gravações das câmeras de segurança da residência?
R: As gravações mostram Vanessa e Júlio César chegando em casa discutindo, parte da discussão, o som do disparo e, posteriormente, Júlio César gritando e realizando ligações para o Samu e outras pessoas. As imagens não registram o momento exato do disparo, mas mostram a movimentação antes e depois do ocorrido.
Como a defesa de Júlio César Waltemann argumenta sobre o caso?
R: A defesa sustenta que Vanessa Marty teria cometido suicídio, citando vestígios de sangue na mão da vítima e histórico de depressão e tentativas anteriores. O advogado também destaca que os principais laudos periciais ainda não estavam concluídos quando a denúncia foi apresentada e questiona a rapidez do processo.
Quais elementos a acusação considera fundamentais para a hipótese de feminicídio?
R: A acusação considera que as provas reunidas, como a análise da cena do crime, depoimentos e perícias, são unânimes e contundentes ao apontar que Vanessa foi assassinada pelo ex-companheiro. A assistência de acusação também pediu reconstituição simulada dos fatos para afastar alegações de suicídio.
Qual foi o posicionamento da Justiça em relação à prisão do acusado?
R: A Justiça homologou a prisão em flagrante de Júlio César Waltemann e a converteu em prisão preventiva, entendendo que permanecem presentes os fundamentos para a medida, como garantia da ordem pública e gravidade do crime.
Quais são os próximos passos do processo judicial?
R: O processo está na fase de instrução, com produção e análise de provas, incluindo perícias complementares e possível reconstituição dos fatos. Ao final, a Justiça decidirá se há elementos suficientes para submeter Júlio César Waltemann ao Tribunal do Júri.
Por que o caso ganhou grande repercussão e como a sociedade reagiu?
R: O caso gerou grande comoção entre familiares, amigos e colegas de Vanessa Marty, que era muito querida na Polícia Federal. Homenagens emocionadas foram realizadas, destacando sua dedicação profissional e o impacto de sua morte na comunidade.
Houve alguma manifestação oficial do Exército sobre o caso?
R: Sim, o Comando da 15ª Brigada de Infantaria Mecanizada confirmou oficialmente a prisão em flagrante do subtenente da reserva Júlio César Waltemann, informando que ele permanece detido à disposição da Justiça enquanto as investigações prosseguem.
O que motivou o pedido de reconstituição simulada dos fatos pela acusação?
R: A acusação pediu a reconstituição simulada do fato para esclarecer a dinâmica do crime e afastar alegações de suicídio, já que não há testemunhas presenciais e as imagens não mostram o exato momento do disparo.
Como o histórico pessoal de Vanessa Marty foi citado no processo?
R: A defesa mencionou relatos de familiares e colegas sobre um quadro de depressão e tentativas anteriores de suicídio por parte de Vanessa, argumentando que esse contexto deve ser considerado na investigação.
Quais desdobramentos são esperados após a audiência de instrução?
R: Após a audiência de instrução, o juiz analisará as provas apresentadas para decidir se Júlio César Waltemann será submetido ao Tribunal do Júri, etapa em que crimes dolosos contra a vida são julgados.

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