Câmera registra discussão, disparo e reação de suspeito no caso da morte da policial federal Vanessa Marty
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Por Diego Cavalcante
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As imagens e os áudios captados pelas câmeras de segurança da residência onde a escrivã da Polícia Federal Vanessa Marty morreu passaram a integrar as principais provas da investigação que apura o caso em Cascavel. O material registra a chegada do casal à casa, parte da discussão entre eles e os momentos que sucederam o disparo de arma de fogo.
De acordo com as informações apuradas, as câmeras mostram Vanessa e Júlio César Waltemann chegando à residência enquanto discutiam. Algum tempo depois, é possível ouvir um disparo de arma de fogo.
Passados vários minutos de silêncio, os áudios registram Júlio gritando: “Meu Deus, Vanessa, o que que você fez… mas que merda que você fez.”
Na sequência, as gravações também captam o momento em que ele realiza ligações telefônicas para o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) e para outras pessoas, relatando o ocorrido.
As imagens ainda mostram que, após os telefonemas, Júlio deixa o interior da residência e permanece na parte da frente do imóvel. Em determinado momento, uma viatura da Polícia Militar passa pela rua, em frente à casa, mas ele não faz qualquer sinal para chamar a atenção dos policiais, que seguem o patrulhamento.
Pouco tempo depois, uma equipe do Corpo de Bombeiros chega ao endereço. Desta vez, Júlio sinaliza para os socorristas, que entram na residência para prestar atendimento. No entanto, Vanessa já estava morta.
O conteúdo das gravações faz parte do conjunto de provas analisadas pela Polícia Civil, pelo Ministério Público e pela assistência de acusação.
Júlio César Waltemann permanece preso preventivamente e responde à investigação por suspeita de feminicídio. A Polícia Civil concluiu o inquérito pelo indiciamento do investigado, entendimento que foi acompanhado pelo Ministério Público ao oferecer denúncia à Justiça.
A defesa, por sua vez, sustenta uma linha investigativa que aponta para a hipótese de suicídio, tese que deverá ser debatida ao longo da instrução processual.
Com a denúncia já recebida pelo Poder Judiciário, o processo seguirá para a fase de produção de provas. Ao final da instrução, caberá à Justiça decidir se o acusado será pronunciado para ser julgado pelo Tribunal do Júri, responsável por analisar os crimes dolosos contra a vida.