Morte da PF Vanessa Marty: assistência de acusação pedirá reconstituição simulada do fato
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Por Diego Cavalcante
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O advogado Ricardo Augusto Bantle, assistente de acusação no caso que investiga a morte da escrivã da Polícia Federal Vanessa Marty, concedeu entrevista à CGN e detalhou o andamento do processo, afirmando que as provas reunidas pela investigação são “unânimes e contundentes” ao apontar que a vítima foi assassinada pelo ex-companheiro, o Subtenente da reserva remunerada do Exército Júlio César Valteman.
Segundo Bantle, a ocorrência teve início após uma ligação ao serviço de emergência informando que uma mulher teria cometido suicídio com um disparo de arma de fogo na cabeça. No entanto, ainda durante o atendimento, as equipes de socorro e policiais perceberam que a cena apresentava elementos incompatíveis com essa hipótese.
Diante da situação, a Delegacia de Homicídios de Cascavel foi acionada e solicitou o apoio dos peritos do Instituto de Criminalística. Conforme o advogado, a análise do local, os depoimentos colhidos e as provas iniciais levaram os investigadores à conclusão de que não se tratava de um suicídio.
“A partir disso, o acusado foi preso em flagrante, interrogado e manteve a versão inicialmente apresentada. As investigações prosseguiram, as perícias foram concluídas, todas as testemunhas foram formalmente ouvidas e as provas coletadas pela investigação são unânimes e contundentes em comprovar a ocorrência de um crime de feminicídio praticado pelo ex-companheiro da vítima”, afirmou.
Ricardo Bantle explicou que, ao fim do inquérito, a Polícia Civil indiciou o investigado por feminicídio, com a causa de aumento de pena pela impossibilidade ou dificuldade de resistência da vítima. O Ministério Público concordou com o entendimento da autoridade policial e apresentou denúncia à Justiça.
O advogado destacou que o juiz responsável pelo caso recebeu integralmente a denúncia e manteve a prisão preventiva do acusado, entendendo que permanecem presentes os fundamentos que justificam a medida cautelar.
Agora, a defesa será intimada para apresentar sua manifestação e poderá indicar testemunhas e solicitar novas provas.
Pela assistência de acusação, Bantle informou que novas diligências também serão requeridas. Entre elas estão perícias complementares e a reconstituição simulada dos fatos.
“Nós iremos solicitar também a reconstituição simulada do fato para afastarmos toda e qualquer alegação defensiva no sentido de ter havido ali um suicídio e não um crime de homicídio”, declarou.
Áudios e imagens serão periciados
Durante a entrevista, o advogado também comentou sobre as imagens de câmeras de segurança existentes na residência.
Segundo ele, as gravações não registram o momento do disparo, mas podem contribuir para esclarecer a dinâmica dos fatos.
“As imagens coletadas no local não filmam o fato em si. Há gravações de áudio do momento do crime e nós iremos requerer perícias sobre essas imagens e sobre esses áudios para que eles sejam limpos e possamos extrair informações importantes”, explicou.
O objetivo, conforme Bantle, é verificar em que condições Vanessa chegou à residência, analisando se ela estava consciente, dormindo ou em outra situação, o que poderá contribuir para a reconstrução dos acontecimentos.
O advogado ressaltou ainda que, como não há testemunhas presenciais do crime, a produção dessas provas técnicas será fundamental para o esclarecimento do caso, que deverá seguir para as próximas fases da ação penal e, caso o acusado seja pronunciado pela Justiça, será submetido a julgamento pelo Tribunal do Júri.