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Audiência põe mães frente a frente com ambulante preso por filmar crianças no Ciro Nardi

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Audiência põe mães frente a frente com ambulante preso por filmar crianças no Ciro Nardi

Por Luiz Haab

Atualizado em

A primeira audiência do processo que investiga um homem de 70 anos suspeito de gravar crianças em um complexo esportivo de Cascavel foi realizada nesta sexta-feira (3) no Fórum da cidade. Preso preventivamente desde fevereiro na Cadeia Pública de Toledo, o investigado participou da sessão por videoconferência, enquanto duas mães de crianças que teriam sido filmadas prestaram depoimento presencialmente à Justiça.

O caso, que provocou forte repercussão e mobilizou dezenas de famílias, teve início no dia 25 janeiro de 2024, após uma mãe desconfiar da atitude do vendedor de algodão-doce que frequentava o Complexo Esportivo Ciro Nardi. Segundo ela, foi naquele momento que percebeu que o homem estaria registrando imagens de crianças com um telefone celular.

“Eu fui a mãe que deu início ao processo. Identifiquei que ele estava fazendo as filmagens das crianças. Na hora, ele negou tudo, tentou me intimidar, dizendo que eu estava mentindo e que ele era apenas um senhor trabalhando. Foi então que acionei a Polícia Militar”, relatou a mulher, que pediu para não ser identificada.

De acordo com o depoimento, a investigação teria revelado a existência de um perfil na plataforma TikTok com diversos vídeos semelhantes aos registrados no complexo esportivo. Conforme a mãe, o material passou a ser investigado pela Polícia e integra o conjunto de provas analisadas pela Justiça.

Na audiência, as testemunhas apresentaram seus relatos sobre o que aconteceu no dia em que as supostas gravações foram descobertas e manifestaram a expectativa de que o investigado permaneça preso até a conclusão do processo.

“Fomos ouvidas pela Justiça e contamos exatamente o que aconteceu no Ciro Nardi. Agora esperamos que a Justiça continue fazendo a sua parte e que ele permaneça preso preventivamente até a decisão final”, afirmou.

Novas vítimas surgiram após repercussão

Segundo a mãe, a divulgação da investigação fez com que outras famílias procurassem as autoridades. Diversas mulheres teriam reconhecido seus filhos nas imagens investigadas e registraram boletins de ocorrência.

Ela afirma ainda que mulheres adultas também procuraram os órgãos competentes alegando terem sido vítimas do mesmo homem quando eram crianças.

Esses relatos deram origem a outro procedimento judicial envolvendo o investigado.

Processo sobre supostos abusos em casa-abrigo foi reaberto

Paralelamente ao caso das supostas filmagens, o homem também é investigado em um processo reaberto que apura denúncias de supostos abusos sexuais ocorridos há mais de duas décadas em uma casa-abrigo destinada a meninas em situação de vulnerabilidade social.

Segundo os relatos das denunciantes, os fatos teriam ocorrido quando o investigado exercia a função de tutor da instituição conhecida como Casa Lar.

A reabertura do procedimento ocorreu após novas manifestações de vítimas, motivadas pela repercussão da investigação envolvendo o Complexo Esportivo Ciro Nardi.

Os dois processos tramitam em segredo de Justiça. O investigado nega as acusações, que ainda serão analisadas pelo Poder Judiciário. As famílias aguardam o andamento das ações e esperam uma decisão definitiva da Justiça.

Resumo do que aconteceu

O que aconteceu no parquinho do Ginásio Ciro Nardi em Cascavel e por que o caso chocou a cidade?
R: No dia 25 de janeiro de 2026, um vendedor ambulante de 70 anos foi flagrado filmando crianças, sem autorização, no parquinho do Ginásio Ciro Nardi, em Cascavel. Ele tentou apagar os vídeos ao ser confrontado por mães e acabou detido pela Polícia Militar. O caso ganhou grande repercussão após denúncias de que o suspeito já teria cometido abusos sexuais e psicológicos contra meninas em abrigos da cidade.
Quem é o homem preso e qual seu histórico com crianças e adolescentes?
R: O homem preso tem 70 anos e atuou como 'pai social' em programas de acolhimento institucional como a antiga Casa Lar e o programa Família Acolhedora de Cascavel. Diversas mulheres, que viveram sob sua tutela quando eram adolescentes, relataram abusos sexuais, psicológicos e físicos cometidos por ele, além de ameaças e silenciamento das vítimas.
Como o suspeito foi flagrado e qual foi a reação dos pais das crianças envolvidas?
R: O suspeito foi flagrado por uma mãe enquanto filmava sua filha de dois anos sem autorização. Ao ser confrontado, ele negou e tentou apagar os vídeos do celular, elevando o tom de voz e ameaçando a mãe. O pai das crianças expressou indignação e disse ter vontade de fazer justiça com as próprias mãos, mas optou por acionar a polícia.
Que tipo de material o suspeito produzia e o que fazia com os vídeos gravados?
R: Segundo relatos de vítimas, o homem mantinha um perfil no TikTok com quase mil seguidores, onde compartilhava vídeos feitos sem consentimento de crianças e jovens em locais públicos, como ônibus e parques. As pessoas filmadas não sabiam que estavam sendo gravadas.
Quais denúncias antigas vieram à tona após a prisão do homem?
R: Após a prisão, várias mulheres relataram à imprensa que sofreram abusos sexuais, psicológicos e físicos do suspeito durante a infância e adolescência, enquanto viviam sob sua tutela em abrigos. Elas descreveram episódios de violência, ameaças, espancamentos, silenciamento e omissão das autoridades e responsáveis pelos abrigos.
Como funcionava o esquema de silenciamento e omissão institucional relatado pelas vítimas?
R: As vítimas relataram que eram ameaçadas pelo agressor para não denunciarem os abusos. Quando tentavam buscar ajuda, eram desacreditadas, culpabilizadas e, em alguns casos, afastadas da instituição. Provas concretas, como roupas com sêmen, teriam sido sumidas por funcionários da escola e do abrigo. Denúncias feitas à polícia, escola e assistentes sociais eram ignoradas.
Qual foi o papel da esposa do acusado nos episódios relatados?
R: Segundo as vítimas, a esposa do acusado era omissa e tinha total consciência dos abusos. Ela reforçava a autoridade do marido, obrigando as meninas a sentar no colo dele e a beijá-lo, alegando que ele era o 'pai' das meninas.
Que consequências enfrentaram as garotas que tentaram denunciar os abusos?
R: Algumas meninas que denunciaram os abusos foram afastadas do convívio das demais, transferidas para outras instituições ou simplesmente desapareceram sem explicação. Uma das vítimas relatou que, após denunciar, foi isolada e enviada para uma instituição voltada a adolescentes em situação de reincidência com prostituição ou drogas, mesmo sem se enquadrar nesse perfil.
Quantas vítimas estima-se que tenham sofrido abusos do suspeito?
R: Uma das vítimas estima que entre 10 e 15 meninas tenham sido vítimas diretas de abusos semelhantes. Há também indícios de que meninos sob a tutela do casal apresentavam sinais de trauma.
Por que o caso gerou tanta revolta e mobilização entre as vítimas e a sociedade?
R: O caso gerou revolta porque expôs décadas de impunidade, silenciamento e omissão institucional, permitindo que o suspeito continuasse a ter acesso a crianças e adolescentes. A prisão trouxe esperança de justiça e motivou antigas vítimas a se organizarem para denunciar e buscar punição ao agressor.
Como as vítimas estão se mobilizando atualmente para buscar justiça?
R: As vítimas, agora adultas, estão se organizando em grupos, compartilhando depoimentos e buscando apoio jurídico e visibilidade para que os crimes não fiquem impunes. Elas pretendem mobilizar outras vítimas e pressionar as autoridades por justiça.
O que autoridades e especialistas recomendam para pais e responsáveis diante do caso?
R: A Polícia Militar e o Núcleo de Proteção à Criança e ao Adolescente Vítimas de Crimes (Nucria) recomendam que pais e responsáveis fiquem atentos a comportamentos suspeitos em espaços públicos e denunciem imediatamente qualquer situação de risco ou abuso.
Como proceder caso uma criança tenha aparecido nos vídeos gravados pelo suspeito?
R: Responsáveis legais por menores de idade que aparecem nos vídeos devem procurar o Nucria de Cascavel para registrar Boletim de Ocorrência. O endereço é Rua das Palmeiras, 3427, Bairro Coqueiral, e o telefone é (45) 3326-4909.
O que mudou após a prisão do suspeito?
R: A prisão do suspeito trouxe à tona antigos relatos de abusos, mobilizou vítimas a se unirem e aumentou o alerta entre famílias e frequentadores de espaços públicos em Cascavel. O caso segue sob investigação da Polícia Civil.
Há indícios de reincidência e de que o suspeito continuava a buscar contato com crianças?
R: Sim. Após o fechamento do orfanato, o suspeito passou a vender doces e balões em locais frequentados por crianças, como o parquinho do Ciro Nardi, onde foi preso. Mães relataram já terem percebido comportamentos estranhos dele no local.
O que as vítimas esperam com a exposição do caso na mídia?
R: As vítimas esperam que a exposição do caso na mídia ajude a dar voz às vítimas, mobilizar outras pessoas que sofreram abusos, pressionar as autoridades e garantir que o suspeito seja responsabilizado criminalmente, evitando que novas crianças sejam vítimas.
Quais foram as principais falhas apontadas pelas vítimas no sistema de proteção à infância?
R: As principais falhas apontadas foram a omissão de escolas, psicólogos, assistentes sociais, direção dos abrigos e até do Conselho Tutelar, que não acolheram as denúncias e, em alguns casos, sumiram com provas e isolaram as vítimas.
O que dizem as vítimas sobre o sofrimento psicológico causado pelos abusos?
R: As vítimas relataram traumas profundos, sensação de abandono, medo constante e dificuldade em serem ouvidas e acreditadas. Muitas só conseguiram se abrir e buscar apoio após atingirem a maioridade e se reencontrarem com outras vítimas.
Como a comunidade de Cascavel reagiu após a divulgação dos fatos?
R: A comunidade ficou em alerta, com muitos pais e frequentadores do ginásio relatando preocupação e reforçando a necessidade de vigilância. O caso gerou indignação e pedidos de justiça por parte da sociedade.

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