CGN
Acesse aqui o Discover e busque as mais lidas por mês!
Imagem referente a “Ele se masturbava olhando a gente dormir”, diz ex-moradora da Casa Lar sobre homem preso por filmar crianças em parquinho de Cascavel

“Ele se masturbava olhando a gente dormir”, diz ex-moradora da Casa Lar sobre homem preso por filmar crianças em parquinho de Cascavel

No último domingo (25), um casal que frequentava com dois filhos o parquinho do Complexo Esportivo Ciro Nardi percebeu atitude suspeita de um vendedor ambulante de...

Publicado em

Por Luiz Haab

Publicidade
“Ele se masturbava olhando a gente dormir”, diz ex-moradora da Casa Lar sobre homem preso por filmar crianças em parquinho de Cascavel

A prisão de um homem de 70 anos flagrado enquanto filmava crianças em um parquinho, em Cascavel, trouxe à tona denúncias graves e antigas de abusos sexuais e psicológicos envolvendo o mesmo suspeito. Uma mulher de 32 anos, que viveu sob a supervisão do acusado quando era adolescente, procurou a CGN para relatar com exclusividade os traumas e a omissão institucional que marcaram a infância dela e de outras meninas.

Vídeos no parquinho

No último domingo (25), um casal que frequentava com dois filhos o parquinho do Complexo Esportivo Ciro Nardi percebeu atitude suspeita de um vendedor ambulante de doces. Segundo o relato, a mãe notou que o homem apontava o celular diretamente para a filha de dois anos, aparentemente gravando imagens sem autorização. Ao ser confrontado, o suspeito negou, elevou o tom de voz e ameaçou a mãe da criança. Durante a discussão, a mãe conseguiu registrar em vídeo o momento em que o ambulante tentava apagar arquivos do aparelho (supostamente com imagens de crianças). Outra mãe presente também notou grande quantidade de vídeos armazenados no celular do suspeito. A Polícia Militar foi acionada e deteve o homem, que tentou eliminar as imagens antes da chegada dos agentes.

Nova denúncia

Após a divulgação do caso pela CGN, uma mulher de 32 anos, que atualmente reside em Curitiba, entrou em contato para relatar o que afirma ter vivido entre os 13 e 15 anos, período em que esteve sob a supervisão do mesmo homem, então responsável por uma Casa Lar, instituição destinada a jovens destituídos do convívio familiar.

Segundo o relato, a vítima foi retirada do convívio dos pais (ambos dependentes químicos) e entregue aos 11 anos à instituição em Cascavel. Aos 12, foi transferida para uma Casa Lar, onde conheceu o casal responsável pelo local — o homem preso no domingo e sua esposa, que atuavam como “pais sociais” de cerca de oito meninas, todas adolescentes sem possibilidade de adoção.

A mulher afirma que os abusos sexuais e psicológicos eram constantes e atingiam não apenas ela, mas diversas outras meninas. “Lá começou a se desenvolver essas situações de abusos, camuflados dentro do próprio lar. Abusos não só comigo, mas com outras meninas”, declarou. Segundo ela, o acusado utilizava de ameaças, violência física e intimidação para silenciar as vítimas. “Nós éramos forçadas a dar beijo nele, a sentar no colo dele, porque a esposa dizia que tínhamos que respeitá-lo como pai. Ele espionava as meninas trocando de roupa, observava a gente dormindo e praticava atos de masturbação olhando as meninas dormir nos seus devidos quartos”, relatou.

A vítima narrou que, em determinado momento, conseguiu reunir provas concretas dos abusos, incluindo uma peça de roupa com sêmen do agressor, que levou à escola em busca de ajuda. Entretanto, segundo ela, a direção da escola, psicólogas, assistentes sociais e até mesmo a presidência do Recanto da Criança foram omissos: “Sumiram com as provas, sumiram com essa roupa, que era a prova concreta de que realmente essa pessoa seria presa. Desde então nós fomos dadas como loucas, como meninas que estavam inventando, que estávamos tentando destruir a família tradicional”, afirmou.

O caso chegou a ser levado à Justiça, mas, de acordo com a vítima, o processo resultou em seu afastamento da Casa Lar para uma instituição destinada a adolescentes em situação de reincidência com prostituição ou drogas, apesar de ela não se enquadrar nesse perfil. “A atitude foi tomada com a ideia de que eu poderia fomentar uma rebelião entre as meninas. Então, a partir do momento em que me encorajei em fazer a denúncia, automaticamente me afastaram das outras meninas para que eu não encorajasse elas a denunciar. Saí de lá, fui isolada, e as outras meninas ficaram à mercê desse mesmo abusador”, relatou.

A mulher estima que entre 10 e 15 meninas tenham sido vítimas de abusos semelhantes, além de possíveis casos envolvendo meninos, que apresentavam sinais de trauma. “Tudo indicava que o comportamento era de uma criança apavorada, com medo”, disse.

Silenciamento e impunidade

A vítima relata que, por anos, as meninas foram silenciadas por meio de ameaças e isolamento. “A base era ameaça o tempo inteiro: se denunciasse, a gente ia morar na rua, porque eles eram nossa única família”, diz. Segundo ela, apenas após atingirem a maioridade e fora do alcance do agressor, as vítimas começaram a se reencontrar e compartilhar suas experiências, confirmando que não estavam sozinhas.

Sobre a esposa do acusado, a vítima afirma: “Eu acredito que ela foi uma pessoa omissa. Tem 100% de consciência disso, porque, por vários momentos, outras meninas revelaram isso a ela. Todas nós fomos silenciadas”.

Reincidência e alerta às famílias

A mulher considera que o comportamento do acusado é reincidente e que ele buscava ambientes com grande presença de crianças, como o parquinho do Ciro Nardi, onde foi preso. “Quando foi fechado o orfanato, e eles não tiveram mais como cuidar de meninas adolescentes, ele teve a ideia de vender algodão doce, balões, para atrair as crianças”, denuncia.

A vítima afirma que, após a prisão do suspeito, outras mães relataram já terem notado comportamentos estranhos do mesmo homem no local. “A justiça tem as suas falhas, e nós compreendemos que, para que a gente abra algum inquérito, precisava-se de um flagrante. Foram longos 18, 19 anos esperando por esse momento”, afirma, destacando a intenção de mobilizar outras vítimas para buscar justiça.

Mobilização e apelo

A mulher, hoje empresária e casada, diz que a prisão do acusado lhe trouxe sensação de paz e esperança de que as vozes das vítimas finalmente sejam ouvidas. “Nós sentimos força através de vocês, em procurar na mídia para que todos saibam e cuidem de suas crianças, que fiquem atentos, que ouçam as suas crianças”, afirma.

Ela e outras antigas moradoras da Casa Lar pretendem se mobilizar juridicamente para que os crimes não fiquem impunes. “Essa é a grande oportunidade que nós e as minhas irmãs afetivas vamos nos unir e vamos levantar sim essa bandeira de defesa por todas as crianças, por nós e por todas as crianças que passaram por esse abuso”, conclui.

O caso segue sob investigação das autoridades competentes.

Veja Mais

Whatsapp CGN 3015-0366 - Canal direto com nossa redação

Envie sua solicitação que uma equipe nossa irá atender você.


Participe do nosso grupo no Whatsapp

ou

Participe do nosso canal no Telegram

AVISO
agora
Plantão CGN