‘Não foi acidente; foi crime’, diz advogado de famílias das vítimas da Voepass após 12 indiciados se tornarem réus
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Por Luiz Haab
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Luciano Katarinhuk diz que familiares recebem com esperança a decisão que tornou 12 pessoas rés; documento judicial aponta pena prevista, em abstrato, de 8 a 24 anos de reclusão
“Não foi um acidente, mas sim um crime.” A declaração do advogado Luciano Katarinhuk, um dos representantes das famílias das vítimas do voo 2283 da Voepass, traduz a cobrança por responsabilização após a Justiça Federal aceitar a denúncia contra 12 pessoas ligadas à companhia. A queda da aeronave, em agosto de 2024, em Vinhedo, no interior de São Paulo, matou 62 pessoas.
Em entrevista, Katarinhuk afirmou que a decisão da 9ª Vara Federal de Campinas renova a esperança dos familiares. “A Associação dos Familiares das Vítimas do voo 2283 da Voepass recebe com esperança a decisão do juízo da 9ª Vara Federal de Campinas, que recebeu integralmente a denúncia oferecida pelo Ministério Público Federal”, declarou.
Para o advogado, o avanço do processo representa uma etapa na busca por respostas e responsabilização. “A esperança agora é que as 12 pessoas que foram denunciadas e que foram acusadas sejam responsabilizadas por esse crime, que foi a morte de 62 pessoas na queda desse avião, que não foi um acidente, mas sim um crime”, afirmou. A avaliação é do representante das famílias; o recebimento da denúncia não significa condenação dos acusados.
Documento aponta pena de até 24 anos
O trecho da decisão judicial ao qual a reportagem teve acesso informa que, para o fato referente ao voo 2283, o enquadramento apresentado na denúncia prevê pena de quatro a 12 anos de reclusão, aplicada em dobro em razão do resultado morte. Assim, a faixa prevista, em abstrato, é de oito a 24 anos. Uma eventual condenação e a definição da pena dependerão do julgamento e da análise da responsabilidade de cada réu.
A Justiça também determinou a citação dos acusados para que apresentem respostas escritas à acusação no prazo de dez dias. Entre os denunciados está o presidente da Voepass, José Luiz Felício Filho, além de outros integrantes da administração e funcionários da empresa.
Acusação aponta falhas de manutenção e decisões da companhia
A denúncia do Ministério Público Federal sustenta que o desastre está relacionado a uma sequência de omissões na manutenção e a decisões que priorizavam a economia de recursos em detrimento da segurança operacional. Segundo as conclusões da Polícia Federal divulgadas anteriormente, a aeronave não tinha condições técnicas de enfrentar o cenário de formação severa de gelo e precipitações ao qual foi submetida.
Conforme a investigação, equipamentos necessários para essas condições, como o sistema de degelo e o limpador do para-brisa, estavam inoperantes. Ainda assim, segundo a PF, a decolagem foi autorizada. Essas conclusões embasam a acusação e serão submetidas ao contraditório no processo.
A manifestação de Katarinhuk coloca a expectativa das famílias no centro dessa nova etapa judicial: depois da investigação e do oferecimento da denúncia, elas esperam que o processo esclareça as responsabilidades pelas decisões que antecederam a morte das 62 pessoas.