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EXCLUSIVO: Mãe de vítima fala à CGN sobre relatório técnico de tragédia da Voepass

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EXCLUSIVO: Mãe de vítima fala à CGN sobre relatório técnico de tragédia da Voepass

Por Luiz Haab

Atualizado em

Quase dois anos após a queda do avião da Voepass que matou 62 pessoas em Vinhedo (SP), a busca por respostas continua mobilizando familiares das vítimas. Em entrevista ao Estúdio CGN nesta quinta-feira (9), Fátima Albuquerque, mãe da médica Arianna Albuquerque Estevan Risso, afirmou que as novas informações obtidas junto à Polícia Federal reforçam a convicção das famílias de que a tragédia poderia ter sido evitada (dê um play no vídeo e assista à entrevista completa).

Segundo ela, representantes da associação dos familiares tiveram acesso ao laudo técnico elaborado por especialistas, um documento com cerca de 200 páginas que reúne análises sobre as causas do desastre. Para Fátima, as conclusões apontam uma sucessão de falhas operacionais, problemas de manutenção e omissões que, somadas, culminaram na queda da aeronave.

A mãe da médica afirma que o avião apresentava diversos problemas mecânicos antes mesmo do voo partir de São Paulo. Entre eles, estaria o sistema de degelo, considerado essencial para operações em regiões sujeitas à formação de gelo nas asas. Conforme relatado por ela, pilotos já haviam identificado falhas anteriormente, mas existiria uma cultura interna na empresa que desestimulava o registro formal desses defeitos.

Fátima também citou um relatório do Ministério do Trabalho que teria identificado um ambiente de pressão sobre funcionários da companhia aérea. Segundo ela, pilotos e tripulantes trabalhariam sob constantes cobranças para evitar atrasos e manter as aeronaves em operação, mesmo diante de problemas técnicos.

Na avaliação das famílias, os pilotos também foram vítimas das circunstâncias. Ela sustenta que a tripulação estava acostumada a operar aeronaves com falhas recorrentes e acabou normalizando situações de risco, sem imaginar que aquela seria a última viagem. Para Fátima, a responsabilidade principal recai sobre a gestão da empresa e sobre quem permitiu que a aeronave permanecesse em serviço.

Outro ponto levantado durante a entrevista envolve a atuação da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac). Segundo ela, a empresa já acumulava centenas de processos administrativos e milhões de reais em multas antes da tragédia, situação que, na visão das famílias, deveria ter levado à suspensão das operações muito antes do acidente.

As famílias também acompanham com expectativa a divulgação do relatório final do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa), prevista para este mês. Conforme Fátima, um esboço do documento, encaminhado anteriormente a órgãos internacionais de investigação, já teria antecipado parte das conclusões, mas o relatório definitivo deverá consolidar oficialmente as causas do acidente.

Paralelamente, a associação mantém um corpo jurídico que acompanha as investigações da Polícia Federal. A expectativa é que, após a conclusão do inquérito, o Ministério Público analise os elementos reunidos e ofereça denúncia contra todos aqueles que, direta ou indiretamente, possam ter contribuído para a morte das 62 pessoas.

Ao longo da entrevista, Fátima destacou que a luta das famílias vai muito além da responsabilização criminal. Segundo ela, o objetivo é evitar que novas tragédias aconteçam e impedir que falhas semelhantes permaneçam impunes no sistema da aviação brasileira.

A médica Arianna Albuquerque Estevan Risso estava entre os passageiros da aeronave da Voepass que caiu em 9 de agosto de 2024, em Vinhedo, no interior de São Paulo. O avião fazia o voo entre Cascavel e Guarulhos quando perdeu sustentação e caiu, provocando a morte de todos os ocupantes. O acidente tornou-se um dos maiores desastres da aviação brasileira nas últimas décadas e segue sendo investigado pelas autoridades.

Resumo do que aconteceu

O que aconteceu no acidente do voo 2283 da Voepass que chocou o Brasil?
R: No dia 9 de agosto de 2024, o avião do voo 2283 da Voepass, que partiu de Cascavel/PR com destino a Guarulhos/SP, caiu em Vinhedo, interior de São Paulo, matando todas as 62 pessoas a bordo, incluindo 58 passageiros e 4 tripulantes.
Por que o acidente do voo 2283 da Voepass é considerado tão importante?
R: O acidente é considerado a maior tragédia da aviação brasileira em quase duas décadas, causando comoção nacional, luto oficial decretado pelo presidente Lula, e levantando graves suspeitas sobre falhas e irregularidades na operação da companhia aérea.
Quem eram as vítimas do acidente do voo 2283?
R: As vítimas eram 58 passageiros e 4 tripulantes, entre eles profissionais de diversas áreas, como a médica Arianne Albuquerque Estevan Risso e a nutricionista Ana Caroline Redivo, além de 25 moradores de Cascavel. Uma cachorrinha chamada Luna também estava a bordo.
O que levou à queda do avião da Voepass em Vinhedo?
R: O relatório preliminar apontou acúmulo de gelo nas asas como hipótese principal, mas o relatório final do Cenipa ainda não foi divulgado. Há suspeitas de negligência, manutenção irregular e consciência prévia sobre irregularidades na aeronave.
Houve sobreviventes no acidente da Voepass?
R: Não, todas as 62 pessoas a bordo morreram na queda do avião em Vinhedo.
O que as famílias das vítimas estão fazendo para buscar justiça?
R: As famílias criaram uma associação, lutam diariamente por responsabilização criminal dos envolvidos, e contam com o apoio do advogado Luciano Katarinhuk, que acompanha o inquérito e exige punição dos responsáveis.
Já foram identificados os responsáveis pelo acidente da Voepass?
R: Segundo o advogado das famílias, Luciano Katarinhuk, a Polícia Federal prometeu que em breve os responsáveis serão totalmente identificados, denunciados e punidos.
Quais são as acusações mais graves contra a Voepass após o acidente?
R: Há denúncias de que a empresa operava com manutenção irregular, voava com consciência prévia de irregularidades e colocou inúmeras pessoas em risco por negligência e ganância.
A Voepass ainda está operando voos após o acidente?
R: Não. Em junho de 2025, a Anac cassou o certificado de operação de voos da Voepass, encerrando as atividades da companhia.
O que dizem os familiares das vítimas sobre as indenizações recebidas?
R: Algumas famílias aceitaram acordos financeiros, mas afirmam que nenhum valor é capaz de compensar a perda dos entes queridos e que o mais importante é a responsabilização criminal dos culpados.
Como a tragédia impactou a cidade de Cascavel e as famílias das vítimas?
R: Cascavel foi profundamente marcada, com 25 vítimas locais, homenagens póstumas como a da nutricionista Ana Redivo, e famílias devastadas que relatam dor constante e até casos de morte por sofrimento após o acidente.
O que foi feito em memória das vítimas do acidente da Voepass?
R: Além de homenagens e cerimônias religiosas, familiares lançaram livros como 'A Escolhida e Seu Propósito' e realizaram eventos para manter viva a memória das vítimas e apoiar causas sociais.
Quais golpes surgiram após o acidente do voo 2283?
R: Criminosos criaram perfis falsos em redes sociais, usando fotos das vítimas para pedir doações via Pix, alegando custos de translado dos corpos. As famílias alertam que não pedem doações e pedem denúncias contra esses perfis.
Como o governo brasileiro reagiu ao acidente do voo 2283?
R: O presidente Lula decretou luto oficial de três dias em todo o país, manifestou solidariedade às vítimas e pediu um minuto de silêncio em evento público no mesmo dia da tragédia.
Quais nomes de vítimas do voo 2283 foram destacados nas homenagens?
R: Entre os nomes citados estão a médica Arianne Risso, homenageada com livro em sua memória, e a nutricionista Ana Caroline Redivo, que recebeu homenagem póstuma na Câmara Municipal de Cascavel.
O que dizem os familiares sobre a causa do acidente?
R: Familiares, como Fátima Albuquerque, mãe de uma das vítimas, afirmam que não foi apenas uma tragédia, mas um assassinato causado por irresponsabilidade, negligência e ambição dos envolvidos na empresa.
Quais consequências emocionais o acidente causou às famílias?
R: As famílias relatam dor incurável, sofrimento diário, sensação de vazio e casos de familiares que não suportaram a perda e também faleceram após o acidente.
Existe previsão para a conclusão das investigações sobre o acidente da Voepass?
R: O relatório final do Cenipa ainda não foi divulgado, mas há expectativa de que traga novos elementos e identifique todos os responsáveis para que sejam denunciados pelo Ministério Público.
O que motivou o lançamento do livro 'A Escolhida e Seu Propósito'?
R: O livro, lançado por Fátima Albuquerque em memória da filha Arianne, reúne relatos de pessoas impactadas pela médica e reverte toda a renda para instituições de saúde, buscando eternizar seu legado.
Como a sociedade pode ajudar as famílias das vítimas do voo 2283?
R: A sociedade pode apoiar denunciando perfis falsos que tentam aplicar golpes, participando de homenagens e eventos, e pressionando por justiça e responsabilização dos culpados pela tragédia.

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