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“Foi assassinato”: mãe de médica morta na tragédia da Voepass fala tudo e lança livro em memória da filha

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“Foi assassinato”: mãe de médica morta na tragédia da Voepass fala tudo e lança livro em memória da filha

Por Luiz Haab

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Há um ano, oito meses e 17 dias, 62 famílias entraram em um luto eterno diante da vida interrompida de todos os ocupantes do voo 2283 da Voepass, que saiu de Cascavel e caiu no interior de São Paulo. Não teve lágrima que secou nesse tempo. Não teve coração que foi reparado.

A dor que atravessa o tempo ganhou voz no estúdio da CGN, na tarde desta quinta-feira (23). Em uma entrevista marcada por emoção, coragem e declarações fortes, Fátima Albuquerque, mãe da médica Arianne Albuquerque Estevan Risso, de 34 anos, abriu o coração e expôs não apenas o sofrimento de uma mãe, mas a revolta de dezenas de famílias, na véspera do lançamento de um livro que contará a história da filha morta.

A entrevista vai além da saudade. Fátima tem falas firmes:

“Eles não foram vítimas de uma tragédia só. Eles foram vítimas de assassinato mesmo.”

Segundo ela, o acidente foi consequência de falhas graves:

“Aquilo foi foi construído na irresponsabilidade, na negligência e na ambição daqueles que trabalhavam naquela empresa.”

Incurável

Fátima hoje lidera um grupo com cerca de 130 familiares das vítimas. O contato é diário, e a dor, segundo ela, está longe de passar.

“Nós não entramos num processo que isso vai diminuir. Nós entramos numa condição de dor. Foram arrancados no auge da vida. Pessoas saudáveis, realizando sonhos… isso não é aceitável. Não é possível resistir a uma dor dessa. A gente se blinda para sobreviver. Eu finjo que ela está viva para conseguir continuar. Eu finjo para mim mesma que minha filha está aqui. Eu preciso disso para resistir.”

Ela também faz um alerta ao lembrar que outras famílias não resistiram à dor:

“Aquele avião já tem 63 vítimas. A mãe de um deles não suportou e faleceu.”

Indenização não cura

Sobre as questões jurídicas, Fátima explica que parte das famílias aceitou acordos de reparação financeira, mas reforça que nada substitui a perda:

“Não existe valor. É o mínimo do mínimo para tentar reduzir o impacto. Não existe como indenizar. Indenização é como trocar um celular quebrado. No nosso caso, não existe substituição.”

Luta por justiça e responsabilização

A mãe afirma que as famílias continuam lutando para que os responsáveis sejam punidos:

“Nós continuamos lutando para que a empresa seja responsabilizada criminalmente”, afirma Fática, que celebra o fim das operações da companhia aérea: “Nós colocamos aquela empresa no chão. Para a sociedade, foi melhor.”

Um legado que virou missão

Em meio à dor, Fátima encontrou um propósito: eternizar a história da filha. Isso resultou no livro “A Escolhida e Seu Propósito”, que será lançado nesta sexta-feira (24), em Cascavel.

A obra reúne relatos de pessoas impactadas pela médica e terá renda totalmente revertida para instituições de saúde.

“Ela se vestia de presença. Hoje as pessoas não estão presentes umas com as outras. Ela estava. Ela ouvia, ela se doava. Ela não pode ter passado por essa vida e não deixar nada registrado.”

Mais do que médica, Arianne é lembrada como alguém que transformava vidas com empatia.

Dor e orgulho caminham juntos

Ao ser questionada sobre o que sente ao ouvir o nome da filha, Fátima não hesita: “O nome da Ariane me traz orgulho.”

Apesar da tragédia, ela encontra força no legado deixado: “Esse projeto me deu uma sobrevida.”

A entrevista não é apenas um relato de dor — é um grito por justiça, memória e humanidade. Uma história que não terminou com uma despedida. Ela continua no amor, na luta e no legado que se recusa a desaparecer.

Serviço

O lançamento do livro “Uma Escolha e Seu Propósito”, da autora Maria Fernandes, está marcado para as 19h desta sexta-feira (24), no Espaço Sérgio Donadussi, que fica ao lado da Uopeccan.

Resumo do que aconteceu

O que aconteceu no acidente do voo 2283 da Voepass em 2024?
R: No dia 9 de agosto de 2024, o avião ATR 72 da Voepass, operando o voo 2283 entre Cascavel (PR) e Guarulhos (SP), caiu em Vinhedo, no interior de São Paulo, matando todos os 58 passageiros e 4 tripulantes a bordo. Não houve vítimas em solo.
Quais foram as causas identificadas para a queda do avião da Voepass?
R: A Polícia Federal concluiu que o acidente foi causado por uma sequência de falhas técnicas, operacionais e meteorológicas, incluindo condições severas de formação de gelo, falha no sistema de degelo das asas, alertas ignorados pela tripulação e falhas no despacho operacional do avião diante das condições meteorológicas.
Como o sistema de degelo contribuiu para a tragédia?
R: Poucos minutos após a decolagem, o sistema de alerta da aeronave apontou formação de gelo e logo depois uma falha no sistema de proteção contra gelo nas asas, reduzindo a segurança do voo. Ao enfrentar áreas de intenso congelamento, o sistema não respondeu adequadamente, levando à perda de sustentação e à queda.
O que as gravações da caixa-preta revelaram sobre o comportamento da tripulação?
R: As gravações mostram que os pilotos perceberam o acúmulo de gelo e comentaram sobre a ineficácia do sistema de degelo, mas não executaram integralmente os procedimentos de emergência previstos em manual, o que contribuiu para a degradação das condições de voo.
Havia histórico de problemas técnicos no avião antes do acidente?
R: Sim, a investigação encontrou indícios de que falhas semelhantes no sistema de degelo já haviam ocorrido em voos anteriores, mas não foram devidamente registradas nos diários técnicos, dificultando a identificação e correção do problema pela manutenção.
Quais hipóteses foram descartadas pela perícia sobre o acidente?
R: A perícia descartou explosão em voo, incêndio antes do impacto e ruptura estrutural. O avião permaneceu estruturalmente íntegro até perder sustentação, entrar em estol e cair em giro descontrolado.
Quem são as vítimas do acidente e houve sobreviventes?
R: Todas as 62 pessoas a bordo — 58 passageiros e 4 tripulantes — morreram no acidente. Não houve sobreviventes nem vítimas em solo.
Como as famílias das vítimas reagiram e o que reivindicam?
R: As famílias fundaram uma associação, buscam responsabilização criminal dos envolvidos e lutam para que falhas semelhantes não se repitam na aviação brasileira. Algumas famílias aceitaram indenizações, mas afirmam que o principal objetivo é justiça e prevenção de novas tragédias.
Quais órgãos estão envolvidos na investigação e responsabilização do acidente?
R: A Polícia Federal conduz o inquérito criminal, o Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa) elabora o relatório técnico, e o Ministério Público deverá analisar o inquérito para possível denúncia dos responsáveis. A Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) também atua na regulação e fiscalização do setor.
O que aconteceu com a Voepass após o acidente?
R: A Voepass teve o certificado de operação cassado pela Anac em junho de 2025, após continuar operando por quase um ano e realizar mais de 2 mil voos mesmo sob suspeitas de manutenções irregulares.
Houve reconhecimento oficial da tragédia por parte das autoridades?
R: Sim, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva decretou luto oficial de três dias em todo o país a partir de 9 de agosto de 2024, em homenagem às vítimas do acidente.
Quais homenagens foram feitas às vítimas após o acidente?
R: Foram realizadas cerimônias religiosas, homenagens em cidades como Cascavel e Vinhedo, e sessões solenes em órgãos públicos, como a Câmara Municipal de Cascavel. Famílias também lançaram livros e projetos em memória das vítimas.
Que tipo de fraude foi denunciada após o acidente da Voepass?
R: Após o acidente, perfis falsos foram criados nas redes sociais para pedir doações em nome das vítimas, alegando custeio de translado dos corpos. As famílias alertaram que não estavam solicitando contribuições e pediram denúncias contra as contas fraudulentas.
O que dizem os familiares sobre a cultura interna da Voepass?
R: Segundo relatos de familiares e um relatório do Ministério do Trabalho, havia pressão sobre funcionários para evitar atrasos e manter aeronaves em operação, mesmo diante de problemas técnicos, além de uma cultura que desestimulava o registro formal de falhas.
Qual é o status das investigações e da responsabilização criminal?
R: Em agosto de 2026, a Polícia Federal já havia concluído o laudo pericial e estava prestes a divulgar os nomes das pessoas citadas no inquérito. A definição de responsabilidades criminais ainda depende da conclusão do inquérito e de decisões da Justiça.
Por que o acidente da Voepass é considerado um dos maiores desastres da aviação brasileira?
R: O acidente resultou na morte de 62 pessoas, sendo o maior desastre aéreo do Brasil em quase duas décadas, causando grande comoção nacional e levando a mudanças na fiscalização e operação de companhias aéreas.

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