Após denúncia do MP, 12 integrantes da Voepass tornam-se réus por acidente aéreo que matou 62 pessoas
Publicado em
Relacionadas:

Por Fábio Wronski
Atualizado em
Doze pessoas ligadas à companhia aérea Voepass se tornaram rés e vão responder a uma ação penal pela morte dos 62 ocupantes do avião que caiu em Vinhedo (SP), em 9 de agosto de 2024. A Justiça Federal aceitou a denúncia do Ministério Público Federal (MPF) e instaurou processo pelos crimes de atentado contra a segurança do transporte aéreo e sinistro em transporte aéreo.
Entre os réus estão integrantes da alta administração da Voepass, incluindo diretores e chefes responsáveis por decisões que, segundo as investigações, criaram as condições para o acidente com o ATR 72-500 de prefixo PS-VPB. Dois funcionários sem cargos de comando, mas que tiveram participação direta no desfecho trágico, também responderão pelos crimes. Já outras quatro pessoas investigadas firmaram acordos de não persecução penal e ficaram fora da denúncia.
De acordo com o MPF, as apurações apontam que os denunciados priorizavam a redução de custos e a continuidade das operações, mesmo com riscos à segurança de passageiros e tripulantes. A investigação revelou registros falsos de manutenção, uso de peças de baixa qualidade e pressão sobre equipes para omitir falhas nos livros de ocorrência. Essas práticas, segundo a procuradora Viviane de Oliveira Martinez, autora da denúncia, contribuíram diretamente para a tragédia.
O acidente ocorreu durante o voo entre Cascavel (PR) e Guarulhos (SP), quando o ATR 72-500 enfrentou condições críticas de gelo, para as quais não possuía certificação adequada. Problemas no sistema de degelo, já conhecidos por gestores e pilotos há pelo menos um ano, agravaram a situação. A falta de registros oficiais das falhas permitiu que o avião continuasse em operação, mesmo com riscos.
A denúncia do MPF também relaciona os crimes ao risco enfrentado pelos passageiros e tripulantes nos três voos anteriores realizados com a mesma aeronave. As conclusões se baseiam em investigações da Polícia Federal, do Cenipa e da Anac.