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Justiça mantém farmacêutico suspenso por suspeita de aplicar PMMA em Cascavel

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Foto: Reprodução/CGN

Por Redação CGN

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A 1ª Vara Criminal de Cascavel negou o pedido da defesa do farmacêutico Tiago Tomaz da Rosa, da Clínica Revive, para revogar a suspensão do exercício profissional imposta como medida cautelar. A decisão, assinada pelo juiz Marcelo Carneval e publicada em 21 de julho de 2026, mantém o farmacêutico afastado da atividade por mais 12 meses, além da proibição de contato com vítimas e testemunhas do processo.

O pedido de revogação havia sido apresentado pela defesa de Tiago, mas o Ministério Público se manifestou contra e o Conselho Regional de Farmácia do Paraná (CRF-PR) foi ouvido antes da decisão.

Por que o farmacêutico continua suspenso

Segundo a decisão, a suspensão cautelar foi imposta originalmente diante de indícios concretos de que Tiago teria realizado, de forma reiterada, procedimentos estéticos não regulamentados pela profissão de farmacêutico — vários deles ligados à aplicação de PMMA (polimetilmetacrilato), substância de uso restrito na área estética. Uma inspeção do CRF-PR apontou que, entre dezembro de 2023 e setembro de 2024, ele teria realizado, em tese, mais de 50 procedimentos fora do que é permitido pela profissão.

O juiz também citou o andamento da ação penal ligada ao caso: a instrução já foi encerrada e falta apenas a sentença. Embora ainda não haja condenação — e o processo siga sob presunção de inocência —, a prova colhida durante a instrução foi usada como reforço para manter a medida cautelar.

Outro ponto citado na decisão é que o CRF-PR já julgou, em 18 de junho de 2026, um processo ético-disciplinar autônomo contra o farmacêutico, aplicando a ele uma suspensão administrativa de 12 meses — decisão ainda sujeita a recurso, e distinta da suspensão determinada pela Justiça Criminal. Segundo o Conselho, há ainda outros dois processos éticos em andamento contra Tiago, envolvendo outras pacientes.

Para o juiz, o fato de um órgão técnico do próprio Conselho Profissional já ter concluído pela irregularidade de parte dos procedimentos reforça a necessidade de manter a suspensão determinada pela Justiça.

Defesa alegou estar cursando faculdade

A defesa também argumentou que Tiago está cursando bacharelado e que isso deveria pesar a favor da revogação da medida. O magistrado rejeitou o argumento, apontando que os cursos ainda estão em fase inicial e que circunstâncias pessoais favoráveis, por si só, não são suficientes para afastar uma medida cautelar — nem mesmo em casos de prisão preventiva, segundo entendimento do Superior Tribunal de Justiça (STJ) citado na decisão.

Com isso, o juiz indeferiu o pedido da defesa e manteve a suspensão do exercício profissional de Tiago Tomaz da Rosa por 12 meses a contar da decisão, ou até eventual revogação ao final da instrução criminal — o que ocorrer primeiro.

O caso segue em tramitação. A CGN mantém o espaço aberto para manifestação de Tiago Tomaz da Rosa e de sua defesa sobre a decisão da Justiça

Resumo do que aconteceu

Chocante: O que aconteceu com a paciente que ficou com o rosto deformado após procedimento estético em Cascavel?
R: A empresária Raquel Roseli Demichei Dornelles ficou com o rosto deformado após realizar um procedimento estético na Clínica Revive, em Cascavel, no Paraná. Ela contratou a aplicação de Sculptra, mas laudos médicos e biópsia confirmaram que foi injetado PMMA, uma substância plástica de uso restrito, causando inchaços, nódulos e deformidades faciais irreversíveis.
Quem são os principais acusados no escândalo da clínica de estética de Cascavel?
R: Os principais acusados são o farmacêutico Tiago Tomaz da Rosa, conhecido como 'Doutor Milagre', e a médica Carolina Milanezi Bortolon, sócios da Clínica Revive. Eles respondem por estelionato qualificado, lesão corporal gravíssima e exercício ilegal da profissão.
Por que o caso ganhou tanta repercussão nacional?
R: O caso ganhou repercussão pela gravidade das lesões, o uso de substância proibida, denúncias de procedimentos irregulares, impactos emocionais severos nas vítimas e suspeitas de práticas ilícitas cometidas por profissionais de saúde, incluindo a realização de cirurgias plásticas por um farmacêutico não autorizado.
O que é PMMA e por que ele é considerado perigoso em procedimentos estéticos?
R: O PMMA (polimetilmetacrilato) é uma substância plástica permanente, não absorvível, usada apenas em casos restritos, como deformidades causadas por doenças. Seu uso em estética é desaconselhado pela Anvisa e sociedades médicas devido ao alto risco de inflamações, necrose, deformidades irreversíveis e até insuficiência renal.
Como foi descoberta a troca do Sculptra pelo PMMA no procedimento de Raquel?
R: Após meses de sofrimento e tentativas de correção na própria clínica, Raquel procurou um especialista que solicitou biópsia facial. O exame confirmou a presença de PMMA, e o próprio farmacêutico Tiago admitiu ter cometido o erro, mas não informou a paciente imediatamente.
Quantas vítimas já denunciaram a Clínica Revive e quais complicações relataram?
R: Até fevereiro de 2025, pelo menos nove vítimas foram ouvidas pela Polícia Civil, com relatos de queimaduras por fenol, necrose, deformações por PMMA e problemas renais. Uma paciente relatou necrose nas nádegas após procedimento de Sculptra, além de sofrimento físico, emocional e prejuízo financeiro.
A clínica e os profissionais foram presos?
R: Não, até o momento os sócios da clínica não foram presos, mas tiveram seus registros profissionais suspensos e estão proibidos de se aproximar de vítimas e testemunhas por decisão judicial.
Quais irregularidades foram encontradas na fiscalização das autoridades na Clínica Revive?
R: A fiscalização do Conselho Regional de Farmácia e de Medicina encontrou procedimentos médicos realizados ilegalmente por Tiago, prescrição irregular de medicamentos, prontuários incompletos, armazenamento inadequado de produtos e impedimento de fiscalização pela médica Carolina.
O que dizem as defesas de Tiago Tomaz da Rosa e Carolina Milanezi Bortolon?
R: A defesa alega que os procedimentos foram realizados dentro das normas técnicas, que os riscos foram esclarecidos e que Carolina não participou diretamente do procedimento questionado. Negam dolo e afirmam que complicações podem ser riscos inerentes aos procedimentos.
Como a Justiça tem se posicionado diante das denúncias e pedidos das partes?
R: A Justiça negou o pedido da clínica para censurar publicamente a paciente, entendendo que suas críticas não configuram abuso. Também negou o bloqueio de bens e apreensão de passaporte do farmacêutico por falta de provas de tentativa de fuga.
O que diz a vítima Raquel sobre o impacto do procedimento em sua vida?
R: Raquel relata dores constantes, presença de nódulos, inchaço, risco de complicações renais, impactos emocionais graves, isolamento social, afastamento do trabalho e despesas elevadas com tratamentos corretivos.
O que as investigações revelaram sobre outros procedimentos realizados por Tiago Tomaz da Rosa?
R: Foram identificados diversos procedimentos não autorizados para farmacêuticos, como aplicação de PMMA, transplante capilar, cirurgias plásticas e remoção de lesões, além de prescrição de medicamentos fora das normas da profissão.
Que medidas estão sendo tomadas pelas autoridades reguladoras e policiais?
R: A Polícia Civil instaurou inquéritos, realizou buscas e apreensões na clínica e residência dos investigados, recolheu documentos, computadores e caixas de PMMA. Os Conselhos de Farmácia e Medicina abriram processos administrativos e criminais e podem interditar a clínica e cassar registros profissionais.
A Anvisa e o Conselho Federal de Medicina já se posicionaram sobre o uso do PMMA?
R: Sim. Em 2024, a Anvisa proibiu o uso de fenol em estética, e o Conselho Federal de Medicina solicitou o banimento do PMMA no Brasil, devido ao aumento de complicações graves e riscos à saúde.
Qual a situação atual do processo judicial contra a Clínica Revive?
R: O julgamento criminal teve início em novembro de 2025, mas foi adiado para maio de 2026 devido à ausência da médica Carolina, que está em gravidez de risco, e para ouvir mais testemunhas. O caso segue sem sentença definitiva.
Houve tentativa de responsabilizar a paciente pelas complicações?
R: A defesa da clínica alegou que possíveis complicações poderiam ser resultado de cuidados inadequados no pós-operatório pela paciente e que ela já teria histórico de procedimentos estéticos anteriores.
Quais foram as consequências emocionais e financeiras para as vítimas?
R: As vítimas relataram sofrimento extremo, necessidade de curativos diários, afastamento do trabalho, perdas financeiras, ansiedade, depressão, isolamento social e despesas elevadas com tratamentos médicos e substituição de bens danificados.
Por que a clínica tentou censurar publicamente a vítima?
R: A clínica entrou com ação para proibir a paciente de mencionar seus nomes publicamente, alegando campanha difamatória, mas a Justiça entendeu que as críticas eram legítimas e alertavam terceiros sobre os riscos do procedimento.
Que riscos o uso de PMMA representa para a saúde?
R: O PMMA pode causar inflamações crônicas, deformidades permanentes, necrose, nódulos, infecções e até insuficiência renal, especialmente quando aplicado por profissionais não médicos ou em locais não autorizados.
O escândalo pode mudar as regras para procedimentos estéticos no Brasil?
R: O caso já motivou pedidos de proibição do PMMA no país e acendeu o alerta para maior fiscalização e rigor nas normas de procedimentos estéticos, além de reforçar a importância de buscar profissionais qualificados e autorizados.

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