"ANAC não teve firmeza para suspender a aeronave antes da tragédia", afirma mãe sobre relatório da VoePass

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Por Fábio Wronski

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O relatório do Cenipa sobre a queda do avião da VoePass em Cascavel, divulgado nesta terça-feira (23/07/2026), confirmou informações que já eram conhecidas pelos familiares das vítimas. Fátima Albuquerque, mãe da médica Arianne Albuquerque Estevan Risso, de 34 anos, que morreu no acidente, comentou as conclusões do documento e reforçou o pedido por justiça.

“Acabamos de sair do Cenipa e vimos as conclusões finais, que confirmam as hipóteses e os resultados das investigações iniciais. O relatório aponta 19 fatores, entre eles a cultura organizacional da empresa, que era criminosa”, afirmou Fátima. Segundo ela, o Cenipa investigou 1.600 voos e constatou que o modo irregular de operação era recorrente entre diversas tripulações da VoePass.

Outro ponto destacado por Fátima foi a atuação da ANAC. “A ANAC não falhou na fiscalização, mas não teve firmeza para suspender a aeronave antes da tragédia, que já era anunciada”, disse. Ela também ressaltou as condições do avião: “A aeronave não poderia ter voado nem para Cascavel, nem mesmo decolado de São Paulo, pois já apresentava problemas. Os pilotos reportavam essas falhas verbalmente, pois era assim que trabalhavam naquela empresa.”

Fátima explicou que o relatório do Cenipa representa o encerramento de uma etapa para as famílias das vítimas. “Agora vamos aguardar a conclusão do inquérito, o indiciamento dos responsáveis e o recebimento da denúncia pela Justiça para lutarmos pela responsabilização criminal. É agora que, de fato, começa nossa luta, para que outras famílias não passem pela mesma dor”, concluiu.

Resumo do que aconteceu

O que aconteceu com o voo 2283 da Voepass em 2024?
R: No dia 9 de agosto de 2024, o voo 2283 da Voepass, que fazia a rota Cascavel (PR) - Guarulhos (SP), caiu em Vinhedo, interior de São Paulo, matando todos os 62 ocupantes (58 passageiros e 4 tripulantes).
Por que o acidente do avião da Voepass chocou o Brasil?
R: O acidente foi uma das maiores tragédias aéreas recentes do país, resultou em luto nacional decretado pelo presidente Lula e teve grande repercussão devido ao alto número de vítimas e à suspeita de graves falhas operacionais e de fiscalização.
Quais foram as principais causas apontadas para a queda do avião da Voepass?
R: O relatório do Cenipa apontou uma combinação de falhas técnicas no sistema de degelo, decisões operacionais inadequadas, vulnerabilidades organizacionais, falhas humanas e condições meteorológicas severas como fatores determinantes para o acidente.
O sistema de degelo do avião já apresentava problemas antes do acidente?
R: Sim, relatos de funcionários e tripulantes indicam que o sistema de degelo do ATR 72-500 já vinha apresentando falhas antes do voo fatal, mas esses problemas não eram registrados oficialmente, impedindo ações corretivas.
A aeronave poderia ter voado naquele dia?
R: Segundo o relatório e familiares de vítimas, a aeronave não estava em condições adequadas para voar devido a falhas conhecidas, especialmente no sistema de degelo, e deveria ter sido retirada de operação.
Houve falha na fiscalização da ANAC?
R: O Cenipa concluiu que, embora a ANAC tenha identificado não conformidades em auditorias anteriores, não tomou medidas firmes para suspender a aeronave ou impedir operações inseguras, contribuindo para a tragédia.
A tripulação seguiu os procedimentos de emergência corretamente?
R: Não. O relatório aponta que a tripulação não executou os procedimentos previstos para falha do sistema de degelo, não reagiu adequadamente aos alertas e não declarou emergência nem solicitou descida imediata.
Que falhas operacionais e de gestão foram identificadas na Voepass?
R: Foram identificadas cultura organizacional permissiva, ausência de registros formais de falhas técnicas, complacência diante de alertas recorrentes, supervisão gerencial insuficiente e subutilização de dados operacionais.
Como a tragédia impactou as famílias das vítimas?
R: O acidente devastou famílias e comunidades, gerando luto, homenagens e mobilização por justiça. Familiares, como Fátima Albuquerque, mãe de uma das vítimas, exigem responsabilização criminal e mudanças para evitar novas tragédias.
O que aconteceu com a Voepass após o acidente?
R: A ANAC cassou o Certificado de Operador Aéreo da Voepass, proibindo a empresa de voar por dois anos devido a irregularidades graves, incluindo a realização de quase 2.700 voos em condições irregulares e falta de manutenção adequada.
Quantos voos irregulares a Voepass realizou antes da suspensão?
R: A ANAC identificou que a Voepass realizou cerca de 2.700 voos em condições irregulares antes da suspensão de suas operações.
Quais as consequências para os passageiros da Voepass após a suspensão?
R: A suspensão afetou mais de 100 mil passageiros, interrompeu voos em 16 destinos e a Latam, parceira da Voepass, precisou reacomodar ou reembolsar a maioria dos clientes impactados.
A Justiça responsabilizou Latam e Voepass pelo acidente?
R: Sim, a Justiça de São Paulo reconheceu responsabilidade solidária das duas companhias e determinou o pagamento de pensão a familiares de vítimas, além de possível indenização por danos morais.
Que tipo de falhas humanas contribuíram para o acidente?
R: O relatório cita conversas informais durante fases críticas do voo, falhas de coordenação e julgamento, distração devido a problemas pessoais de um dos pilotos e descumprimento de procedimentos operacionais.
O que dizem especialistas sobre o acidente?
R: Especialistas apontam que o acúmulo de gelo foi um fator central, mas ressaltam que a combinação de falhas técnicas, operacionais e de gestão foi determinante. Alguns alertam que só o relatório final poderia apontar a causa definitiva.
Como foi a reação das autoridades após o acidente?
R: O presidente Lula decretou luto oficial de três dias, autoridades estaduais mobilizaram equipes para remoção dos corpos e identificação das vítimas, e o Congresso instalou comissão externa para acompanhar as investigações.
A empresa Voepass se pronunciou após o acidente?
R: A Voepass afirmou que a aeronave estava com documentação e sistemas em ordem, que os pilotos eram habilitados e que colabora com as investigações, além de prestar apoio às famílias das vítimas.
O acidente poderia ter sido evitado?
R: Segundo o relatório do Cenipa e familiares das vítimas, o acidente era evitável caso as falhas tivessem sido registradas, a aeronave retirada de operação e as normas de segurança seguidas.
O que ficou decidido sobre os slots da Voepass nos aeroportos?
R: A ANAC manteve os slots da Voepass em Guarulhos e Congonhas sob condição, podendo revogá-los caso a empresa não cumpra os requisitos regulatórios.
Quais os próximos passos para responsabilização dos envolvidos?
R: Com a conclusão do relatório do Cenipa, as famílias aguardam o fim do inquérito policial, indiciamento dos responsáveis e o recebimento da denúncia pela Justiça para buscar responsabilização criminal.
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