Relatório expõe falhas que contribuíram para queda de avião da Voepass que matou 62 pessoas

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© Secretária de Segurança de São Paulo/Divulgação

Por Isabella Chiaradia

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O relatório final do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa) sobre a queda do avião da Voepass em Vinhedo aponta uma combinação de falhas operacionais, organizacionais e de fiscalização como fatores que contribuíram para o acidente.

A informação foi divulgada pela colunista Mônica Bergamo do jornal Folha de S.Paulo, que obteve acesso ao documento.

O acidente ocorreu em agosto de 2024 e deixou 62 mortos, sendo 58 passageiros e quatro tripulantes. O avião, um ATR 72-500, fazia a rota entre Cascavel, no Paraná, e o Aeroporto Internacional de Guarulhos, em São Paulo, quando caiu sobre um condomínio em Vinhedo. A aeronave explodiu após o impacto. Ninguém em solo ficou ferido.

Desde o início da investigação, a principal hipótese analisada era o acúmulo de gelo nas asas da aeronave. Segundo o relatório, as condições para formação de gelo severo na rota já eram conhecidas, mas a operação foi mantida sem medidas adicionais capazes de reduzir os riscos.

O documento aponta que os pilotos teriam passado parte relevante do voo em conversas sem relação com a operação da aeronave. Para o Cenipa, isso reduziu a atenção da tripulação às condições externas, aos alertas da cabine e ao risco de formação de gelo.

A investigação também cita que um dos pilotos enfrentava problemas pessoais, fator que teria influenciado seu estado emocional e prejudicado sua concentração durante o voo. O relatório aponta ainda falhas de coordenação entre os tripulantes durante a emergência e descumprimento de procedimentos operacionais.

No caso da Voepass, o Cenipa identificou fragilidades na cultura de segurança da empresa. O documento afirma que desvios operacionais teriam se tornado normalizados e que alertas recorrentes da aeronave eram tratados de forma inadequada, reduzindo a percepção de risco.

Outro ponto central envolve o sistema de degelo. Segundo o relatório, pilotos e equipes técnicas já tinham conhecimento de falhas no equipamento antes do voo. Mesmo assim, registros de problemas em operações anteriores não constavam nos diários de bordo, o que impediu medidas como troca da aeronave, manutenção corretiva ou replanejamento da rota.

Durante a emergência, os pilotos não teriam reconhecido a gravidade da situação a tempo. O Cenipa afirma que a tripulação não solicitou descida imediata nem declarou emergência, apesar dos alertas emitidos pouco antes da perda de controle da aeronave.

O relatório também faz observações sobre o sistema de alertas do ATR 72-500. A avaliação é que o aviso ligado à degradação das condições de voo deu pouco tempo de reação à tripulação. Para o órgão, um alerta com prioridade maior poderia ter ajudado os pilotos a identificar mais rapidamente a gravidade do cenário.

A Anac também é citada no documento. Segundo o Cenipa, a agência havia realizado auditorias e inspeções na Voepass antes do acidente e identificado não conformidades relacionadas à manutenção das aeronaves, além de registros informais ou ausência de registros de falhas. Ainda assim, essas informações não teriam levado a decisões capazes de reduzir os riscos operacionais apontados.

Como parte do procedimento internacional de investigação, o relatório foi enviado às autoridades da França, país da fabricante ATR, e do Canadá, origem dos motores da aeronave. Depois dessa análise, o Cenipa deverá publicar oficialmente o relatório final.

Em nota à Folha de S.Paulo, o Cenipa informou que só se manifesta oficialmente sobre os resultados da investigação após a publicação do relatório ao público.

Fonte: @sampi_campinas 

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