Caso Vanessa Marty: Acusado será interrogado hoje e defesa sustenta tese de suicídio
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Por Isabella Chiaradia
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A defesa de Júlio César Waltemann, acusado pela morte da escrivã da Polícia Federal Vanessa Marty, voltou a sustentar a hipótese de suicídio em entrevista concedida antes da audiência de instrução do processo, que será realizada na tarde desta segunda-feira (21) no Fórum de Cascavel.
O advogado Armando Souza afirmou que a defesa considera que as provas periciais produzidas ao longo do processo contradizem a versão de feminicídio apresentada pela acusação.
Segundo o advogado, nesta etapa devem ser ouvidos a irmã de Vanessa, o delegado responsável pelo caso e dois peritos, além do interrogatório de Júlio César. Armando afirmou que a defesa acredita que a instrução processual possa ser encerrada após essas oitivas, restando apenas a juntada de uma perícia nas vestes utilizadas por Vanessa no momento da morte.
“Acreditamos que hoje encerramos a instrução, muito embora ainda haja a prova pericial que são a perícia das vestes da vítima”, afirmou o advogado.
Armando Souza também questionou a interpretação dada aos primeiros levantamentos realizados no local da morte. De acordo com ele, uma das principais divergências está relacionada à trajetória do disparo que matou Vanessa.
O defensor citou o perito criminal Rodrigo Guerra, que esteve no local na noite dos fatos e teria apresentado inicialmente uma interpretação diferente daquela apontada posteriormente pelos laudos. Segundo Armando, a versão inicialmente apresentada à autoridade policial indicava que o disparo teria ocorrido da esquerda para a direita e a partir da parte externa do veículo.
A defesa afirma, porém, que os laudos periciais posteriores apontariam uma trajetória diferente. Conforme relatado pelo advogado, durante audiência anterior, Rodrigo Guerra teria esclarecido que o tiro ocorreu da direita para a esquerda, em uma trajetória de cima para baixo, e que o disparo teria sido realizado de dentro do veículo.
Para Armando, essa divergência é um dos principais pontos utilizados pela defesa para contestar a acusação de feminicídio.
“Isso por si só já desconfigura a alegação de feminicídio”, declarou o advogado, ao defender que a dúvida existente na noite da ocorrência teria sido esclarecida pelas provas produzidas posteriormente.
A defesa de Júlio César mantém, portanto, a versão de que Vanessa teria tirado a própria vida. Armando Souza ressaltou que, na visão da defesa, não se trata apenas de uma estratégia jurídica, mas de uma afirmação que, segundo ele, estaria sendo sustentada pelos elementos técnicos reunidos no processo.
Ao final da fase de instrução, caberá à Justiça analisar o conjunto das provas e decidir os próximos passos do processo, inclusive sobre eventual submissão de Júlio César Waltemann ao Tribunal do Júri