Prefeitura cria plano de ação contra ‘Super El Niño’; CGN mostra se a cidade está preparada
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Por Luiz Haab
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A possibilidade de ocorrência de um Super El Niño tem colocado autoridades, especialistas e produtores rurais em estado de atenção. Embora o fenômeno ainda esteja sob monitoramento, as previsões indicam um cenário que exige planejamento e ações preventivas para reduzir possíveis impactos.
O El Niño se forma a milhares de quilômetros do Brasil, a partir do aquecimento anormal das águas do Oceano Pacífico. Quando ocorre com maior intensidade, costuma alterar os padrões climáticos em diversas regiões do planeta. No Sul do Brasil, os efeitos geralmente estão associados ao aumento do volume de chuvas e à ocorrência de eventos extremos.
No Oeste do Paraná, região responsável por movimentar bilhões de reais anualmente por meio do agronegócio, o alerta já mobiliza especialistas. A área concentra importantes cadeias produtivas de soja, milho, trigo, aves e suínos, setores diretamente dependentes das condições climáticas.
Segundo o agrometeorologista e professor da Unioeste, Reginaldo Santos, o excesso de chuvas pode comprometer plantações, atrasar colheitas, provocar prejuízos econômicos e até impactar os preços dos alimentos.
Além dos danos às lavouras, o fenômeno pode afetar a infraestrutura rural. Estradas podem ficar intransitáveis, dificultando o escoamento da produção. O armazenamento de grãos também exige cuidados adicionais, enquanto o planejamento da próxima safra passa a depender ainda mais da evolução dos modelos climáticos.
Nas áreas urbanas, os riscos também preocupam. As enchentes registradas no Rio Grande do Sul entre abril e maio de 2024, por exemplo, tiveram influência de um episódio de El Niño que não alcançou a classificação de “super”. Especialistas alertam que um fenômeno mais intenso pode ampliar o risco de alagamentos, enxurradas, destelhamentos e outros transtornos associados a temporais.
Plano preventivo
Diante das previsões, a Prefeitura de Cascavel iniciou um plano de ação envolvendo diversas secretarias municipais, além do Corpo de Bombeiros e da Defesa Civil. O objetivo é preparar a cidade para enfrentar possíveis consequências do fenômeno.
O monitoramento das informações climáticas começou ainda no início do ano. Agora, durante os meses de junho e julho, o foco está na realização de reuniões técnicas e no planejamento das medidas preventivas.
A Secretaria Municipal de Meio Ambiente está entre os órgãos mobilizados para o trabalho. De acordo com a gerente de divisão da pasta, Emily Cover, as ações estão sendo estruturadas para que o município esteja preparado caso o Super El Niño se confirme com intensidade.
A coordenação dos trabalhos está sob responsabilidade da Defesa Civil. Entre as medidas já previstas está a ampliação dos estoques de telhas e lonas para atendimento emergencial à população. No entanto, segundo o coordenador Ney Haveroth, o planejamento vai além da resposta imediata aos eventos climáticos.
O plano inclui a intensificação da limpeza de rios, a desobstrução de galerias e bueiros, o reforço estrutural de pontes e a remoção preventiva de árvores que apresentem risco de queda durante ventanias.
Participação da população
As autoridades destacam que a prevenção também depende da colaboração da comunidade. A destinação correta de resíduos e a manutenção da limpeza de áreas públicas são consideradas fundamentais para garantir o escoamento da água da chuva e reduzir o risco de alagamentos.
Para a Defesa Civil, a segurança da população começa com atitudes simples do dia a dia. Evitar o descarte irregular de lixo e manter calçadas e terrenos limpos são ações que contribuem para minimizar os impactos de eventos climáticos extremos.
Enquanto o setor rural acompanha com cautela a evolução das previsões, nas áreas urbanas a palavra de ordem é vigilância. Afinal, quando a natureza altera seu ritmo, os efeitos podem ser sentidos muito antes da chegada da primeira tempestade.