O que se sabe sobre a morte do menino de 12 anos atropelado por caminhão em Cascavel
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Por Redação CGN
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A morte de Carlos Eduardo Camargo dos Santos, de 12 anos, atropelado por um caminhão no fim da tarde deste domingo (7), provocou comoção, revolta e uma série de desdobramentos em Cascavel. O caso aconteceu por volta das 17h20, no cruzamento das ruas Serra da Borborema e Serra do Vento, na região do Jardim Ipanema/Periolo.
Ao longo da noite, a tragédia ganhou novos detalhes: o menino foi identificado, o motorista do caminhão foi preso após o teste do bafômetro apontar embriaguez ao volante, moradores depredaram o veículo envolvido no atropelamento e o colégio onde Carlos Eduardo estudava divulgou uma nota de pesar.
Nesta segunda-feira (8), a Polícia Militar também divulgou relatório sobre a ocorrência, trazendo novas informações sobre a dinâmica do acidente e os procedimentos adotados no local.
O que aconteceu
Segundo as informações apuradas pelas autoridades, Carlos Eduardo brincava com uma bola de futebol quando correu para recuperá-la. Nesse momento, um caminhão Scania R124, que trafegava pela Rua Serra da Borborema, realizou uma conversão à direita para acessar a Rua Serra do Vento e acabou atingindo o menino.
A ocorrência mobilizou equipes do Siate, médico do Corpo de Bombeiros, Guarda Civil Patrimonial, Guarda Municipal, Polícia Militar, Polícia Científica, Polícia Civil, Transitar, Grupo de Diligências Especiais e Instituto Médico-Legal.
Quando as equipes chegaram, a gravidade da situação já era evidente. Carlos Eduardo não resistiu e teve o óbito constatado ainda no local. Após os trabalhos da Polícia Científica, o corpo foi recolhido ao IML.
“Não se tinha muito o que fazer”
O tenente Jorge, do Corpo de Bombeiros, relatou que as equipes já foram acionadas com a informação de que a situação poderia envolver uma criança em óbito.
Segundo ele, ao chegar ao endereço, os socorristas constataram que não havia mais possibilidade de reverter o quadro.
“Infelizmente, uma situação trágica, a morte de uma criança. De nossa parte, não se tinha muito o que fazer considerando o estado da criança”, lamentou o oficial.
A fala do tenente resumiu o impacto da ocorrência para as equipes de emergência, acostumadas a atender situações graves, mas ainda assim abaladas diante da morte de uma criança.
Motorista disse que não percebeu o atropelamento
Um dos pontos que mais chamou a atenção no caso foi o relato de que o motorista não teria percebido o atropelamento no momento em que ele aconteceu.
O supervisor Duarte, da Guarda Civil Patrimonial, contou que a equipe passava pela Rua Serra do Vento quando viu a movimentação das viaturas e parou para auxiliar.
Segundo ele, o motorista afirmou que não viu a criança no momento do acidente.
“O motorista nos disse que não tinha visto a criança no momento em que atropelou. Tanto que ele parou cerca de 150 metros à frente do local. Populares começaram a gritar e acenar para ele que havia atropelado uma pessoa”, relatou Duarte.
Após ser alertado, o condutor retornou ao local. No entanto, a situação ficou tensa rapidamente. Moradores e familiares estavam revoltados com a morte do menino, e o motorista precisou ser colocado em uma viatura para ter a integridade física preservada.
Conforme o relato do guarda, um policial à paisana também ajudou a conter o motorista, inclusive para protegê-lo da reação dos populares.
Caminhão foi depredado
A revolta tomou conta de parte dos moradores após a confirmação da morte de Carlos Eduardo. O caminhão envolvido no atropelamento foi depredado por populares, que atiraram pedras e pedaços de madeira contra o veículo.
Equipes da Guarda Civil Patrimonial, Guarda Municipal e Polícia Militar atuaram para controlar a situação, garantir o trabalho da perícia e evitar novas agressões.
Depois dos procedimentos, o caminhão foi liberado para outro motorista devidamente habilitado. Esse condutor também realizou teste do bafômetro, que teve resultado negativo.
Bafômetro apontou embriaguez
Durante o atendimento da ocorrência, o motorista do caminhão foi submetido ao teste do etilômetro por uma equipe da Transitar. O resultado apontou 0,67 miligrama de álcool por litro de ar alveolar expelido.
O índice configura crime de embriaguez ao volante. Diante do resultado, o motorista recebeu voz de prisão e foi encaminhado à 10ª Central Regional de Flagrantes.
De acordo com o relatório divulgado pela Polícia Militar, a documentação do motorista e do veículo estava regular.
Após ser levado à delegacia, o condutor precisou de atendimento médico. Equipes do Samu foram acionadas e decidiram encaminhá-lo a uma Unidade de Pronto Atendimento para a realização de exames, em razão do estado emocional em que ele se encontrava.
Polícia Militar fala sobre álcool e direção
O tenente Rafael Oliveira de Jesus, da Polícia Militar, também comentou a ocorrência e destacou que o caso reforça os riscos da combinação entre bebida alcoólica e direção.
Segundo ele, Carlos Eduardo tentava recuperar uma bola quando foi atingido pelo caminhão durante a conversão.
“A Polícia Militar vem constantemente realizando operações de Lei Seca para evitar que fatos como esse aconteçam. A ingestão de bebida alcoólica pode fatalmente acabar tirando a vida de alguém, como infelizmente ocorreu nessa situação”, afirmou o tenente.
O caso reacendeu a preocupação com a presença de motoristas alcoolizados no trânsito, especialmente em áreas residenciais, onde há circulação de crianças, pedestres e famílias.
Colégio lamenta a morte do aluno
Carlos Eduardo era aluno do 7º ano D do Colégio Estadual Marcos Cláudio Schuster. A instituição divulgou uma nota de pesar na noite de domingo, lamentando profundamente a morte do estudante.
No comunicado, o colégio prestou solidariedade aos familiares, amigos, colegas e a toda a comunidade escolar.
“Neste momento de imensa dor, nos solidarizamos com os familiares, amigos, colegas e toda a comunidade escolar”, destacou a nota.
A morte do menino gerou grande comoção entre colegas, professores, amigos e moradores da região. Nas redes sociais, mensagens de carinho e homenagens começaram a ser publicadas ainda durante a noite.
Caso será investigado
A Polícia Civil ficará responsável por investigar as circunstâncias do atropelamento. A apuração deverá reunir depoimentos, laudos periciais e demais informações colhidas no local para esclarecer a dinâmica completa do acidente e apontar eventuais responsabilidades.
Entre os pontos que devem ser analisados estão a manobra realizada pelo caminhão, a posição da criança no momento do atropelamento, o relato de que o motorista não teria percebido o acidente e o resultado do teste do bafômetro.
Até a conclusão das investigações, o motorista permanece à disposição das autoridades e poderá responder pelos crimes relacionados ao acidente fatal e à embriaguez ao volante.