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Hiperglobalização está em crise, diz economista Eduardo Giannetti

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Foto: Reprodução/CGN

Por CGN

A desestabilização de rotas comerciais como Estreito de Ormuz e a guerra tarifária promovida pelos Estados Unidos são sinais de uma ordem econômica que chega ao fim, na avaliação do escritor e economista Eduardo Giannetti. 

Em entrevista à TV Brasil que será exibida no Repórter Brasil, edição das 19h, na segunda (27) e na terça (28), o especialista aborda diversos temas que fazem parte de um cenário internacional marcado por crises e guerras.

“Não é mais a lógica fria de hiperglobalização, que era custo de produção mais baixo, escala, eficiência e concentração num único fornecedor. Mudou”. 

Financeirização

Eduardo Giannetti relaciona o fim da hiperglobalização a fatos históricos como a crise financeira de 2008 e a Covid. E ressalta a financeirização do período. 

“Quando nós entramos na hiperglobalização, havia mais ou menos 1 dólar de ativo financeiro para 1 dólar de PIB. Hoje nós estamos com 9 a 12 dólares de ativo financeiro para 1 dólar de PIB”, compara. 

Giannetti acrescenta que só a valorização das ações na bolsa americana, de 2022 a 2026, é algo em torno de 2 trilhões de dólares. E metade desse valor está em 10 empresas ligadas à tecnologia da informação e inteligência artificial.

Antes totalmente excluídos da economia mundial, com a hiperglobalização, em pouco tempo, eles se urbanizaram e encontraram empregos. 

“Isso, para a classe trabalhadora ocidental, foi devastador, porque o poder de negociação, de afirmação de direitos e interesses ficou seriamente tolhido pelo fato de que, se começou a dar problema em Detroit, fecha Detroit e abre Xangai”. 

Extrema direita

Com a China respondendo por um terço da produção industrial do mundo, ele também destaca a melhoria da vida de sua população: 

“São centenas de milhões de seres humanos que saíram da miséria e entraram no mundo moderno. Agora, isso gerou uma tremenda instabilidade social e política.”

A ascensão da extrema direita, acredita, seria em grande medida o ressentimento da classe trabalhadora e da classe média ocidental com essa perda de segurança e de poder de barganha.

“Não é só isso, mas isso é um fator de primeira ordem. O que é muito curioso é que essa ascensão da direita raivosa, populista, nacionalista, não é um fenômeno isolado. É como nos anos 30 do Século 20. Ela acontece em muitos países ao mesmo tempo”, analisa.

Trunfo do Brasil

Com o fim da hiperglobalização, o país tem a oportunidade histórica de se repensar e se reposicionar economicamente, acredita o economista. 

“Agora, o mundo vai buscar segurança, diversificação, e nós temos uma dotação de recursos naturais e de amenidades ambientais e de energia, de matérias primas e de minerais, que o mundo vai precisar dramaticamente. A gente tem que saber usar esse ativo a nosso favor.”

“O que a gente tem que saber é aproveitar essas vantagens comparativas, industrializando-as para não virar exportador de bens primários ‘in natura’, que é um caminho muito limitado, muito curto. O fato de haver potências disputando entre si o acesso a isso que nós temos nos ajuda demais, porque nós podemos negociar termos melhores”, pontua.

Mudanças climáticas

Além do fim da hiperglobalização, Giannetti também destaca que a humanidade atravessa uma crise civilizatória. Para ele, as mudanças climáticas são a maior ameaça à espécie humana no Século 21, que vem acompanhada de negacionismo.

Trata-se de uma questão a ser resolvida de dois modos, acredita o economista: pela via preventiva, de modo a minimizar os custos que de qualquer modo serão altos, ou pela “via dolorosa, que é o agravamento da situação a tal ponto, que se torne imperativo algum tipo de ação. E ai o custo será muito mais alto do que precisaria ter sido”, conjectura.

Fonte: Agência Brasil

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