Casal processa EPR Iguaçu por falha em atendimento após pane em moto na BR-277

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Por Redação CGN

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Na noite do dia 1º de março de 2026, por volta das 18h27, um casal trafegava pela BR-277, nas proximidades do município de Catanduvas, no Paraná, quando a motocicleta em que estavam sofreu pane mecânica grave — a fundição do motor —, impossibilitando completamente a continuidade da viagem. Segundo a petição inicial, o que deveria ser uma ocorrência rotineira, com atendimento rápido garantido por contrato, teria se transformado em mais de três horas de espera à beira de uma rodovia federal, no escuro da noite, sem suporte adequado da concessionária responsável pelo trecho: a EPR Iguaçu S.A.

O caso resultou em ação judicial por danos morais ajuizada perante o Juizado Especial Cível da Comarca de Cascavel, no final de março de 2026. O valor pleiteado é de R$ 10.000,00 para cada um dos dois autores, totalizando R$ 20.000,00.

Entenda o que aconteceu

Assim que a motocicleta parou de funcionar, o casal afirma que entrou em contato com o serviço de socorro da EPR Iguaçu pelo número disponibilizado pela própria concessionária. A resposta, porém, não veio. Segundo os autores, foram necessárias sucessivas tentativas de contato e muita insistência para que a equipe de resgate finalmente aparecesse — o que só teria acontecido por volta das 22 horas, mais de três horas após o acionamento.

Para o motociclista, a demora chama atenção especialmente diante do que a própria EPR Iguaçu estabelece em sua Carta aos Usuários, documento público divulgado pela concessionária para 2026. Segundo o contrato de concessão apresentado pela defesa do autor, o prazo máximo para chegada de um guincho leve deve ser de 60 minutos em ao menos 90% das ocorrências mensais, e de um guincho pesado, 90 minutos.

Durante a longa espera, já em situação de insegurança e vulnerabilidade, os autores chegaram a abordar uma viatura da própria concessionária que passava pelo local realizando fiscalização de rotina. Segundo consta na petição, o próprio agente que tripulava o veículo demonstrou estranheza diante da demora, o que, para os autores, evidencia que a situação estava longe de ser normal.

O que diz a EPR

Quando finalmente questionada sobre o atraso, a EPR Iguaçu teria alegado alta demanda de atendimentos no período. A justificativa, contudo, é contestada pelos próprios autores: ao passarem pelo posto de atendimento da concessionária após o resgate, constataram a presença de ao menos três veículos de resgate disponíveis estacionados no local — o que, segundo eles, contradiz diretamente a alegação de sobrecarga operacional e aponta para uma falha na gestão interna do serviço.

Outro ponto destacado na ação é a ausência de protocolo formal de atendimento. Embora solicitado pelos usuários, a concessionária não o forneceu, limitando-se a informar verbalmente o número “209” como referência do socorro — informação que, segundo os autores, não permite identificar o atendimento nem formalizar eventual reclamação na ouvidoria da empresa.

O argumento jurídico

A ação se apoia na responsabilidade objetiva da concessionária, prevista no artigo 37, parágrafo 6º da Constituição Federal, e nas normas do Código de Defesa do Consumidor, aplicável porque o pedágio configura relação de consumo. Isso significa que, para o dever de indenizar existir, não é necessário provar que a empresa agiu com culpa — basta demonstrar o dano e o nexo com a falha na prestação do serviço.

Os advogados dos autores também pedem a inversão do ônus da prova, argumentando que os dados sobre a gestão operacional do serviço — guinchos disponíveis, protocolos internos, registros de atendimento — estão sob controle exclusivo da concessionária, sendo impossível ao consumidor produzi-los por meios próprios.

Um padrão que preocupa

Este caso não é isolado. Como a CGN já mostrou em outra reportagem, a EPR Iguaçu também é alvo de questionamentos em um processo relacionado a um acidente causado por animal solto na pista da BR-277, ocorrido em janeiro de 2026, que resultou em prejuízos materiais superiores a R$ 71 mil. Embora sejam situações distintas, registradas na mesma rodovia, os dois casos têm um ponto em comum: a alegação de que houve demora, silêncio ou negativa por parte da concessionária diante dos pedidos de atendimento e ressarcimento.

A EPR Iguaçu se apresenta publicamente como uma concessionária comprometida com a excelência e com a segurança dos usuários. Os processos judiciais acumulados contra ela, ainda em fase inicial, vão na direção de testar se esse compromisso se traduz em prática — ou se permanece apenas no papel da Carta aos Usuários.

Informação importante

Importante ressaltar que o processo se encontra em fase inicial, tendo sido a ação ajuizada em março de 2026. A EPR Iguaçu ainda não teve a oportunidade de apresentar sua defesa e sua versão dos fatos. Até o momento, nenhuma responsabilidade foi judicialmente reconhecida e ninguém é considerado culpado. Caberá à Justiça, após o contraditório e a produção de provas, avaliar os fatos com imparcialidade e proferir a decisão que entender cabível.

A CGN ressalta que o relato apresentado nesta reportagem tem como base as alegações constantes no processo judicial analisado pela equipe e, em respeito aos princípios do contraditório, da ampla defesa e da boa prática jornalística, assegura à EPR Iguaçu o direito de se manifestar sobre os fatos narrados, bem como de apresentar sua versão, esclarecimentos e eventuais documentos que entender pertinentes. O espaço permanece aberto para posicionamento da concessionária.

Resumo do que aconteceu

Por que a EPR Iguaçu está no centro de uma onda de processos judiciais no Paraná?
R: A EPR Iguaçu, concessionária responsável por trechos de rodovias no Paraná, enfrenta uma série de processos judiciais movidos por motoristas e seguradoras que alegam prejuízos financeiros, riscos à segurança e falhas na prestação de serviços, como acidentes causados por objetos e animais na pista, sinalização inadequada, demora no atendimento e negativa de ressarcimento administrativo.
Quais são os principais tipos de acidentes relatados contra a EPR Iguaçu?
R: Os principais acidentes relatados envolvem colisões com animais soltos (como vacas e cervos), objetos e pedras na pista, falhas na sinalização (especialmente em trechos de obras ou recém-pintados), panes mecânicas com demora no atendimento, e danos causados por materiais arremessados durante serviços de manutenção.
Quando ocorreram os principais episódios que resultaram em ações contra a EPR Iguaçu?
R: Entre os episódios mais destacados estão acidentes ocorridos entre outubro de 2025 e julho de 2026, incluindo colisões com animais (7 de janeiro de 2026 e 14 de setembro de 2025), acidentes por sinalização inadequada (3 de novembro de 2025 e 3 de fevereiro de 2026), objetos na pista (18 de outubro de 2025, 26 de dezembro de 2025 e 30 de abril de 2026), além de casos de demora no atendimento (1º de março de 2026).
Como a concessionária EPR Iguaçu tem respondido aos pedidos de ressarcimento dos motoristas?
R: Segundo os relatos apresentados nos processos, a EPR Iguaçu tem, em sua maioria, negado administrativamente os pedidos de indenização, alegando ausência de responsabilidade ou de omissão, frequentemente sem apresentar documentação detalhada ou justificativas aprofundadas, o que tem levado os usuários a buscar reparação judicial.
Quais são os argumentos jurídicos utilizados pelos motoristas e seguradoras nas ações contra a EPR Iguaçu?
R: Os autores das ações fundamentam seus pedidos na responsabilidade objetiva da concessionária, prevista na legislação brasileira, segundo a qual basta demonstrar o dano, o nexo com a rodovia concedida e a falha na prestação do serviço. No caso de acidentes com animais, citam também a jurisprudência consolidada pelo Superior Tribunal de Justiça que reconhece a responsabilidade das concessionárias por esse tipo de ocorrência.
Houve alguma condenação judicial já proferida contra a EPR Iguaçu?
R: Sim, há registro de condenação judicial. Em decisão de 27 de maio de 2026, homologada em 9 de junho de 2026, a EPR Iguaçu foi condenada a pagar R$ 30.427,00 por danos materiais a uma motorista que sofreu acidente em trecho de obras na BR-180/892, devido à sinalização inadequada. A maioria dos demais processos ainda está em fase inicial, aguardando defesa, produção de provas e realização de audiências.
O que a Justiça determinou no caso do BYD Dolphin Mini avariado durante reboque?
R: Em julho de 2026, a Justiça de Cascavel determinou que a EPR Iguaçu entregue, no prazo de 15 dias, as imagens das câmeras de segurança referentes à noite de 21 de abril de 2026, mostrando a chegada do reboque, remoção e descarga do BYD Dolphin Mini. A decisão visa instruir o processo e não representa julgamento sobre a responsabilidade pelo dano.
Que valores de prejuízo estão sendo cobrados em ações judiciais contra a EPR Iguaçu?
R: Os valores cobrados variam desde cerca de R$ 930,00 até mais de R$ 75 mil, incluindo custos com consertos mecânicos, guincho, hospedagem, transporte alternativo, franquias de seguro e até empréstimos para cobrir despesas emergenciais. Há também pedidos de indenização por danos morais de até R$ 29 mil.
Quais são as principais falhas apontadas pelos motoristas nos processos contra a EPR Iguaçu?
R: As principais falhas relatadas incluem sinalização inadequada ou escorregadia, falta de limpeza e fiscalização da pista, presença de objetos e animais soltos, demora ou falha no atendimento, ausência de transparência nos pedidos administrativos e negativa de ressarcimento sem justificativa detalhada.
Como a cobrança de pedágio influencia o debate sobre a responsabilidade da concessionária?
R: O valor das tarifas de pedágio, que varia entre R$ 15,10 e R$ 17,40 para automóveis, reforça a expectativa dos usuários de trafegar em rodovias seguras, bem sinalizadas e livres de riscos evitáveis. A cobrança elevada intensifica a cobrança por parte dos usuários de que a concessionária cumpra sua obrigação legal de garantir segurança, manutenção e atendimento eficiente.
Qual a relevância das decisões judiciais para outros usuários das rodovias administradas pela EPR Iguaçu?
R: As decisões judiciais podem criar precedentes para novos pedidos de indenização por parte de outros usuários que enfrentarem situações semelhantes. Se a Justiça reconhecer falha na prestação do serviço, a concessionária poderá ser condenada a ressarcir danos materiais, pagar indenizações por danos morais e aprimorar seus serviços.
Como têm sido tratados os casos de acidentes causados por animais na pista?
R: Acidentes com animais soltos, como vacas e cervos, têm resultado em prejuízos significativos e ações judiciais contra a EPR Iguaçu. A jurisprudência reconhece a responsabilidade objetiva da concessionária nesses casos, mas a empresa tem negado administrativamente os pedidos de ressarcimento, levando as vítimas a recorrer ao Judiciário.
O que está em discussão nos casos de objetos e pedras na pista?
R: Motoristas alegam que a presença de objetos e pedras na pista representa falha na manutenção e fiscalização da rodovia. Após terem seus pedidos de ressarcimento negados pela EPR Iguaçu, eles buscam na Justiça o reconhecimento da responsabilidade objetiva da concessionária, com base na obrigação legal de manter a pista segura.
Há relatos de demora ou falha no atendimento aos usuários das rodovias?
R: Sim, há relatos de usuários que ficaram horas aguardando socorro após panes mecânicas ou acidentes, contrariando os prazos estabelecidos no contrato de concessão. Em um caso de março de 2026, um casal aguardou mais de três horas por atendimento após pane em moto na BR-277, resultando em ação judicial por danos morais.
Como a Justiça tem analisado a questão da sinalização em acidentes nas rodovias administradas pela EPR Iguaçu?
R: Em pelo menos um caso, a Justiça reconheceu falha na prestação do serviço ao considerar que a sinalização não era suficiente no ponto real de parada do tráfego, especialmente em trecho de curva. Testemunhas confirmaram que a fila de veículos começava antes do ponto sinalizado, o que contribuiu para o acidente.
Que medidas a Justiça pode impor à EPR Iguaçu caso reconheça falha na prestação do serviço?
R: Se reconhecida a falha, a Justiça pode condenar a EPR Iguaçu a ressarcir danos materiais, pagar indenizações por danos morais, cobrir custos emergenciais, melhorar sinalização e manutenção, reforçar fiscalização, aprimorar serviços de atendimento e socorro, além de determinar a apresentação de documentos e registros de fiscalização.
Em que estágio estão os processos judiciais contra a EPR Iguaçu?
R: A maioria dos processos está em fase inicial, aguardando defesa da concessionária, produção de provas e realização de audiências. Apenas um caso já teve condenação parcial em primeira instância, com possibilidade de recurso. Não há, até o momento, condenação definitiva em grande parte das ações.
Quais órgãos e entidades também são acionados em alguns dos processos?
R: Além da EPR Iguaçu, alguns processos incluem o DER/PR (Departamento de Estradas de Rodagem do Paraná) como réu, especialmente em casos que envolvem manutenção e segurança da via, e seguradoras que, por vezes, negam cobertura dos danos sofridos pelos motoristas.
Como a EPR Iguaçu tem se posicionado publicamente diante das acusações?
R: Até o momento, a EPR Iguaçu não apresentou manifestações públicas detalhadas sobre os casos citados. Em alguns processos, a empresa alegou ausência de responsabilidade e negou culpa, mas frequentemente sem fornecer justificativas detalhadas ou documentação aos usuários. O espaço permanece aberto para que a concessionária apresente esclarecimentos.
Quais são as consequências potenciais para a EPR Iguaçu diante do aumento das ações judiciais?
R: O aumento das ações judiciais pode levar a condenações financeiras, obrigações de aprimorar serviços, maior fiscalização por parte dos órgãos reguladores e impacto na imagem da concessionária. Além disso, decisões judiciais podem gerar precedentes para novas cobranças e ampliar o debate público sobre a qualidade dos serviços prestados em rodovias pedagiadas.
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