
Professor monstro: nova secretária de Educação de Cascavel fala do caso e afirma que ‘não aconteceria hoje em dia’
“Com certeza. Hoje qualquer situação é registrada pela equipe da unidade, comunicada imediatamente à Secretaria de Educação e encaminhada aos órgãos competentes. Temos protocolos claros e...
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Por Luiz Haab

Em entrevista exclusiva ao Estúdio CGN, a nova secretária municipal de Educação de Cascavel, Gislaine Buraki, falou sobre um dos temas mais polêmicos da educação de Cascavel nos últimos anos: o caso do “professor monstro”. Ela afirmou que uma situação como a registrada em 2019 não voltaria a acontecer atualmente dentro da rede municipal. Segundo ela, mudanças em protocolos, investimentos em segurança e novos mecanismos legais de afastamento cautelar criaram uma estrutura de resposta mais rápida diante de qualquer suspeita envolvendo crianças
“Com certeza. Hoje qualquer situação é registrada pela equipe da unidade, comunicada imediatamente à Secretaria de Educação e encaminhada aos órgãos competentes. Temos protocolos claros e mecanismos legais que permitem o afastamento cautelar enquanto a situação é investigada”, afirmou.
A declaração foi feita em meio a questionamentos sobre as lições deixadas por esse episódio traumático.
Um caso que abalou a cidade
A situação remonta a 2019, quando uma mãe denunciou que a filha, então com três anos, teria sido vítima de abuso em um Centro Municipal de Educação Infantil (Cmei) de Cascavel.
A denúncia desencadeou uma investigação policial que terminou com a condenação do professor a 30 anos de prisão. O caso ganhou grande repercussão na cidade e acabou sendo apelidado pela opinião pública como o caso do “professor monstro”.
Apesar da gravidade da denúncia e da condenação posterior, o episódio gerou ainda mais indignação porque o servidor permaneceu no cargo por cerca de quatro a cinco anos, enquanto a investigação administrativa se arrastava. O processo interno durou aproximadamente 1.500 dias, o que motivou críticas públicas e levou a Câmara de Vereadores a instaurar uma CPI para investigar a demora da prefeitura em tomar providências.
Buraki assumiu a secretaria apenas em fevereiro deste ano, quando o caso já fazia parte da história recente da rede municipal, mas ainda repercute como referência para mudanças administrativas.
Protocolos de prevenção e resposta rápida
Segundo a secretária, uma das principais mudanças após o episódio foi a criação de protocolos formais de prevenção e enfrentamento à violência dentro das instituições de ensino.
Hoje, de acordo com ela, qualquer suspeita precisa seguir um fluxo definido: registro interno na escola, comunicação imediata à Secretaria de Educação e encaminhamento aos órgãos de proteção, como o Conselho Tutelar e o Nucria (Núcleo de Proteção à Criança e ao Adolescente).
Outro ponto citado foi a previsão legal de afastamento cautelar do servidor diante de suspeitas, medida que não estava claramente regulamentada na época da investigação que se prolongou por anos.
“Hoje a legislação prevê esse afastamento preventivo justamente para que a apuração ocorra com tranquilidade e sem risco às crianças”, explicou.
Mais câmeras nas escolas e Cmeis
Entre as medidas de prevenção adotadas pela rede municipal está também o reforço na vigilância eletrônica. Segundo a secretária, todos os Cmeis já contam com câmeras de segurança, assim como escolas de tempo integral.
A prefeitura também prepara um novo investimento de R$ 1,5 milhão para ampliar o sistema a mais de 40 instituições de ensino ao longo deste ano.
Mesmo assim, o acesso às imagens não é liberado diretamente às famílias, devido às regras da Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD). O material só pode ser compartilhado mediante investigação oficial ou decisão judicial.
“Ninguém quer ver a imagem do próprio filho exposta. Por isso essas gravações são utilizadas apenas pelos órgãos responsáveis quando há investigação”, explicou.
Cautela diante de denúncias
Buraki também defendeu cautela no tratamento de denúncias, lembrando que suspeitas precisam ser investigadas antes de se transformarem em acusações públicas.
Segundo ela, existem casos em que situações inicialmente interpretadas como violência acabam tendo outras explicações, inclusive questões de saúde.
“Às vezes aparece um hematoma e depois se verifica que a criança bateu em algum lugar ou teve uma reação alérgica. Por isso precisamos investigar com responsabilidade”, disse.
A secretária destacou que, embora o caso de 2019 tenha sido grave, ele não representa o cotidiano da rede municipal.
Cascavel possui mais de quatro mil servidores na educação, responsáveis pelo atendimento de milhares de alunos nas escolas e centros de educação infantil.
Escola e família
Por fim, a secretária reforçou que o acompanhamento das famílias também é essencial para a segurança das crianças.
“É importante que os pais participem da vida escolar, conheçam os professores, os profissionais da unidade. Escola e família precisam caminhar juntas”, afirmou.
Para ela, o episódio de 2019 deixou uma marca dolorosa, mas também levou a rede municipal a reorganizar procedimentos e reforçar mecanismos de proteção.
“O compromisso da educação é com o cuidado, o desenvolvimento e a segurança das nossas crianças”, concluiu.
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