Às vésperas de julgamento, mãe de Nando afirma: "E eu não quero vingança, eu quero justiça"

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Por Fábio Wronski

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Mônica Souza, mãe de Fernando Lorenzo Souza Gehlen, menino que morreu após ser atropelado no cruzamento da Avenida Piquiri com a Rua Paraná, concedeu entrevista à CGN na manhã desta terça-feira (2) para comentar o julgamento da motorista apontada como responsável pelo acidente que vitimou seu filho.

No local do acidente, Mônica destacou que fez tudo o que estava ao seu alcance para buscar justiça pela morte de Fernando Lorenzo. “Eu não consigo descrever, mas eu estou indo para o fórum com a certeza de que tudo o que eu podia fazer em busca da justiça do meu filho, eu fiz. E hoje eu entrego nas mãos do juiz. Que Deus proteja seus olhos, seus ouvidos e que hoje haja justiça. Que o caso do Nando sirva como exemplo para que os condutores vejam que se fazer algo errado, prejudicar o próximo, fazer maldade, será punido sim”, afirmou.

Mônica também relatou que, mesmo após a tragédia, acidentes continuam ocorrendo na região e que, desde a morte do filho, apenas ela sente que cumpre uma pena.

“Porque hoje os motoristas continuam fazendo isso, porque eles não são punidos, eles saem em liberdade. Um inocente se foi aqui. Hoje quem carrega a pena há um ano e cinco meses sou eu. E essa pena eu vou carregar o resto da minha vida. Eu não vou ter diminuição da minha pena por bom comportamento. Eu não vou pagar atravesso comunitário. Essa minha pena vai comigo, com a minha alma, o resto da minha vida. Eu estou presa. E eu não quero vingança, eu quero justiça. É isso que eu quero hoje”, declarou.

O julgamento da motorista está marcado para as 13h50, na 1ª Vara Criminal de Cascavel.

Resumo do que aconteceu

O que aconteceu com o menino Nando em Cascavel e por que o caso chocou a cidade?
R: Fernando Lorenzo Souza Gehlen, conhecido como Nando, de 9 anos, morreu após ser atropelado na calçada no cruzamento da Avenida Piquiri com a Rua Paraná, em Cascavel, no dia 14 de junho de 2024. O caso gerou forte comoção e mobilizou a população local por justiça e punição exemplar.
Quem foi responsabilizado pela morte de Nando e qual foi a decisão da Justiça?
R: A motorista do Fiat Stilo que atropelou Nando foi responsabilizada e condenada a quatro anos e dois meses de prisão em regime semiaberto, posteriormente convertida em penas restritivas de direitos, por homicídio culposo, ou seja, sem intenção de matar.
A condenação encerrou a disputa judicial?
R: Não. Tanto a defesa da motorista quanto a família de Nando anunciaram que vão recorrer da decisão. A defesa quer reduzir a pena e a família busca que o caso seja reconhecido como dolo eventual, o que pode aumentar a pena e levar a motorista a júri popular.
O que pode acontecer se a tese de dolo eventual for aceita?
R: Se o Tribunal de Justiça do Paraná aceitar que houve dolo eventual, a motorista pode ser levada a julgamento pelo Tribunal do Júri e, se condenada, a pena pode chegar a até 20 anos de prisão.
Como aconteceu o acidente que tirou a vida de Nando?
R: A motorista avançou a preferencial na Avenida Piquiri, colidiu com uma motocicleta e, após perder o controle do veículo, subiu na calçada, atropelando Nando, sua mãe e um amigo da família. Nando morreu na hora.
Quais são os argumentos da defesa da motorista?
R: A defesa afirma que o caso é de homicídio culposo, sem intenção de matar, pois a motorista perdeu o controle do carro após a colisão com a moto e não teve como evitar o atropelamento. Diz ainda que ela não estava usando celular, não estava embriagada e não tentou fugir.
O que dizem a família de Nando e seus advogados?
R: A família de Nando, representada por advogados, defende que a motorista assumiu o risco de matar ao não parar após a primeira batida, não tentar frear e subir na calçada, caracterizando dolo eventual. Eles querem que a motorista seja julgada pelo Tribunal do Júri e receba pena mais dura.
O laudo da perícia apontou tentativa de frear o carro?
R: Segundo laudo particular, não houve tentativa de frenagem imediata após a colisão com a moto. O freio só foi acionado 4,83 segundos depois, o que, para os advogados da família, indica atitude de fuga e agravamento da conduta.
A motorista estava usando celular ou embriagada no momento do acidente?
R: Não. Investigações e perícia no celular indicaram que nenhum aplicativo estava em uso nos momentos anterior e posterior ao acidente, e não há indícios de embriaguez.
Houve tentativa de fuga por parte da motorista?
R: A defesa e o delegado responsável afirmam que não houve tentativa de fuga. A motorista parou o veículo após o atropelamento e permaneceu no local, sendo retirada pelos policiais devido ao tumulto. Já a família de Nando acredita que a demora em parar o carro indica tentativa de fuga.
O que aconteceu com a motorista após o acidente?
R: Ela foi indiciada por homicídio culposo e lesão corporal, respondeu ao processo em liberdade e, segundo seu advogado, teve a vida transformada, deixando o emprego e mudando sua rotina por conta do impacto emocional.
Por que a Prefeitura de Cascavel e o dono do carro não foram responsabilizados?
R: A Justiça excluiu tanto a Prefeitura quanto o proprietário do veículo do processo, entendendo que não havia vínculo de solidariedade com a motorista e que eventuais falhas de sinalização devem ser tratadas em ação separada.
Quais foram as reações da população e da família após o acidente?
R: Houve grande indignação e comoção popular, com manifestações, homenagens, protestos no local do acidente e pedidos por justiça, além de pressões por mais rigor nas leis de trânsito e criação de uma delegacia especializada na cidade.
O caso influenciou debates sobre segurança no trânsito em Cascavel?
R: Sim. O caso Nando impulsionou discussões sobre segurança viária, respeito às leis de trânsito e políticas públicas preventivas, além de ações de conscientização, especialmente lideradas pela mãe de Nando.
Quais mudanças foram feitas no local do acidente após a tragédia?
R: Duas semanas após o acidente, a Transitar instalou uma lombada e reforçou a sinalização vertical e horizontal no cruzamento onde Nando foi atropelado.
Como a família de Nando tem buscado justiça?
R: A mãe de Nando, Mônica Souza, tem liderado campanhas por justiça, divulgado cartas abertas, feito manifestações públicas e buscado apoio para contratar advogados e pressionar por punição exemplar à motorista.
Como está a situação judicial atualmente?
R: Em junho de 2026, a motorista foi condenada, mas tanto a defesa quanto a acusação anunciaram recursos. O caso segue em disputa no Tribunal de Justiça do Paraná, sem decisão definitiva.
O que dizem os advogados sobre a conduta da motorista?
R: A acusação aponta que a motorista não prestou socorro, tentou fugir e assumiu o risco de matar. A defesa rebate, dizendo que ela ficou em estado de choque, não fugiu e não teve intenção de causar o acidente.
Quais provas principais embasam os lados do processo?
R: As principais provas são laudos periciais, imagens de câmeras de segurança, depoimentos de testemunhas e análises da dinâmica do acidente, incluindo tempo de frenagem e trajetória do veículo.
Que impacto o caso teve sobre a mãe de Nando?
R: Mônica Souza relata sofrimento intenso, sensação de impunidade e afirma que, para ela, a dor é uma pena perpétua. Ela se tornou símbolo da luta por justiça e conscientização no trânsito.
O caso Nando pode mudar a forma como crimes de trânsito são julgados em Cascavel?
R: O caso ganhou repercussão e pode servir de exemplo para endurecimento de punições e maior atenção das autoridades a crimes de trânsito, além de inspirar mudanças na legislação local e na fiscalização.
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