Defesa da motorista condenada por morte de Nando rebate acusação: 'também vamos recorrer'

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Por Luiz Haab

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A condenação da motorista envolvida na morte do menino Fernando Lorenzo Souza Gehlen, o Nando, de apenas 9 anos, está longe de encerrar um dos casos mais marcantes da história recente de Cascavel. Horas após a divulgação da sentença que fixou pena de quatro anos e dois meses de prisão em regime semiaberto — posteriormente convertida em penas restritivas de direitos — a defesa da ré anunciou que também vai recorrer da decisão.

Em entrevista à CGN, o advogado Renato Armiliato afirmou que a condenação confirmou a tese sustentada pela defesa desde o início do processo: a de que o caso se trata de homicídio culposo, quando não há intenção de matar.

“Em nenhum momento a motorista quis se isentar de qualquer responsabilidade. Houve um trágico incidente que culminou no falecimento do menino Nando e nós buscávamos a questão do homicídio culposo. A sentença cataloga juridicamente justamente isso”, afirmou.

Apesar de considerar que a decisão reconheceu os argumentos centrais da defesa, o advogado revelou que pretende buscar uma redução da pena no Tribunal de Justiça do Paraná.

Segundo ele, um dos pontos questionados será o aumento da pena em razão do atropelamento ter ocorrido sobre a calçada.

“Nós entendemos que, após a colisão inicial, a motorista perdeu o controle do veículo. Nesse momento, ela não teria como escolher para onde o carro iria”, argumentou.

A defesa também rebate a tese apresentada pela família de Nando, que pretende recorrer para que o caso seja reenquadrado como dolo eventual — situação em que a pessoa assume o risco de provocar a morte. Caso esse entendimento prevaleça, a motorista poderá ser levada a julgamento pelo Tribunal do Júri.

Para Armiliato, os elementos do processo afastam essa possibilidade.

“A sentença sedimentou tudo aquilo que foi falado desde o início. A motorista não estava mexendo no celular, não estava embriagada e não há circunstâncias que indiquem dolo eventual”, declarou.

Durante a entrevista, o advogado também falou sobre os impactos emocionais enfrentados pela cliente desde a tragédia registrada em junho de 2024.

Segundo ele, a mulher deixou o emprego, mudou completamente a rotina e nunca conseguiu retomar a vida que levava antes do acidente.

“Ela recebe essa notícia de forma triste. Não é algo glorioso para ela. Existe uma pessoa que perdeu a vida e outras que ficaram feridas. Ela compreende toda a gravidade da situação”, disse.

Ao comentar o sofrimento provocado pelo caso, Armiliato afirmou que a tragédia atingiu mais de uma família.

“Ali nós temos duas pessoas que sofrem: a motorista e a mãe do Nando”, declarou.

Agora, tanto a defesa quanto a família do menino devem levar a disputa para o Tribunal de Justiça do Paraná. Enquanto um lado busca aumentar a responsabilização da motorista, o outro tenta reduzir a pena aplicada pela Justiça.

Dois anos após o acidente que chocou Cascavel e provocou forte comoção popular, a batalha judicial continua aberta.

Resumo do que aconteceu

Quem era Fernando Lorenzo Souza Gehlen e o que aconteceu com ele?
R: Fernando Lorenzo Souza Gehlen, conhecido como Nando, era um menino de 9 anos que morreu atropelado em 14 de junho de 2024, enquanto estava na calçada com a mãe e um amigo, no cruzamento da Avenida Piquiri com a Rua Paraná, em Cascavel.
Como ocorreu o acidente que matou Nando?
R: A motorista de um Fiat Stilo avançou a preferencial na Avenida Piquiri, colidiu com uma motocicleta e, após perder o controle, subiu na calçada e atropelou Fernando, sua mãe e um amigo da família. Fernando morreu na hora.
Quem foi considerada responsável pelo acidente?
R: A motorista do Fiat Stilo foi considerada responsável pelo acidente e responde como ré em processos criminais e cíveis.
Qual foi a decisão mais recente da Justiça sobre o caso?
R: Em 17 de junho de 2026, a Justiça condenou a motorista a quatro anos de prisão em regime semiaberto por homicídio culposo, quando não há intenção de matar.
O que a família da vítima achou da sentença?
R: A família, representada pelo advogado Lauri Silva, considerou a pena branda e afirmou que vai recorrer, defendendo que a motorista assumiu o risco de matar (dolo eventual) e deveria ser julgada pelo Tribunal do Júri, com possibilidade de pena de até 20 anos.
Qual é a versão da defesa da motorista sobre o acidente?
R: A defesa alega que o acidente foi uma fatalidade, sem intenção de matar, e que a motorista perdeu o controle do carro após a colisão com a moto. Afirma também que ela não tentou fugir e parou o veículo logo após o atropelamento.
Existem provas que indicam tentativa de fuga ou omissão de socorro pela motorista?
R: A acusação aponta laudos periciais e depoimentos que indicam ausência de frenagem e possível aceleração do veículo após a colisão, sugerindo tentativa de fuga. Já a defesa nega e diz que a motorista ficou em estado de choque e acionou o celular após o acidente.
O Ministério Público denunciou a motorista por qual crime?
R: O Ministério Público denunciou a motorista por homicídio culposo, ou seja, sem intenção de matar.
O que dizem os laudos periciais sobre a dinâmica do acidente?
R: Laudos apontam que a motorista não tentou frear o carro imediatamente após a colisão com a moto, demorando 4,83 segundos para acionar os freios, tempo superior ao de reação esperado, e que houve aceleração antes do atropelamento.
Havia suspeita de uso de celular pela motorista no momento do acidente?
R: Havia suspeita, mas perícia no celular não encontrou uso de aplicativos antes ou depois do acidente, descartando o uso do aparelho no momento do fato.
A motorista está presa?
R: A motorista foi condenada a quatro anos em regime semiaberto, o que permite que ela cumpra parte da pena fora da prisão, com restrições.
Houve manifestações populares após o acidente?
R: Sim, o caso gerou grande comoção em Cascavel, com manifestações, homenagens a Nando, protestos por justiça e pedidos de mais rigor nas leis de trânsito.
Quais medidas foram tomadas no local do acidente após a tragédia?
R: Duas semanas após o acidente, a Transitar instalou uma lombada e reforçou a sinalização no cruzamento onde Fernando morreu, para tentar evitar novos acidentes.
A mãe de Nando se manifestou publicamente sobre o caso?
R: Sim, Mônica Souza, a mãe de Nando, fez várias manifestações públicas, cartas abertas e entrevistas pedindo justiça e mais consciência no trânsito, além de relatar sua dor e a luta para responsabilizar a motorista.
O proprietário do veículo ou a Prefeitura foram responsabilizados?
R: A Justiça decidiu que apenas a motorista responde pelo caso. O proprietário do veículo e a Prefeitura de Cascavel foram excluídos do processo.
Houve críticas à condução policial do caso?
R: Sim, familiares criticaram o delegado responsável por erros em entrevistas e pela condução do inquérito, relatando nervosismo e até hospitalização da mãe de Nando após uma coletiva.
Como está a luta da família por justiça atualmente?
R: A família segue buscando aumentar a pena da motorista e pede que ela seja julgada por dolo eventual. Também cobram mudanças nas leis e mais segurança no trânsito.
O que pode acontecer se o recurso da família for aceito?
R: Se a Justiça aceitar o recurso e reconhecer dolo eventual, a motorista pode ser submetida a júri popular e pegar até 20 anos de prisão.
O acidente motivou campanhas ou mudanças na cidade?
R: Sim, houve pedidos para criação de uma Delegacia de Trânsito em Cascavel, campanhas por mais consciência no trânsito e homenagens a Nando.
O caso teve repercussão nacional?
R: O caso ganhou grande repercussão local e regional, sendo destaque em debates sobre segurança no trânsito e justiça para vítimas de acidentes.
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