Mãe de Nando diz que recorrerá da sentença e afirma que não desistirá de buscar justiça pelo filho
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Por Luiz Haab
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A mãe do menino Fernando Lorenzo Souza Gehlen, o Nando, de 9 anos, morto em um atropelamento que comoveu Cascavel em junho de 2024, afirmou que pretende recorrer da sentença que condenou a motorista envolvida no caso por homicídio culposo — quando não há intenção de matar. A declaração foi dada em entrevista à CGN na noite desta quarta-feira (17), horas após a repercussão da decisão judicial e do anúncio de que a defesa da ré também pretende recorrer.
Visivelmente emocionada, Mônica Moraes de Souza falou sobre o impacto da sentença e relembrou momentos que, segundo ela, permanecem vivos em sua memória desde o dia da tragédia.
“Eu não vou desistir da Justiça por ele. Onde ele estiver, ele sabe que eu jamais vou desistir dele”, afirmou.
A decisão da Justiça fixou pena de quatro anos e dois meses de prisão em regime semiaberto para a motorista. Posteriormente, a pena foi convertida em restrições de direitos. A defesa da ré sustenta que o caso foi corretamente enquadrado como homicídio culposo e busca reduzir a pena aplicada. Já a família de Nando pretende recorrer para que o caso seja reavaliado sob a ótica do dolo eventual, entendimento segundo o qual a pessoa assume o risco de produzir o resultado.
Durante a entrevista, Mônica disse que recebeu a sentença com profunda tristeza e afirmou que continua questionando as circunstâncias que levaram à morte do filho.
“Meu filho foi arrancado de mim. Eu quero o direito de criar meu filho. O Nando teve todo o direito dele arrancado”, declarou.
A mãe também relatou que ainda enfrenta dificuldades para lidar com a perda e que mantém viva a rotina de lembranças do menino.
“Todo dia eu peço perdão para ele. Toda vez que eu vou na casinha dele, eu peço perdão para ele. As roupinhas dele continuam do mesmo jeitinho”, disse.
Ao comentar os próximos passos do processo, Mônica confirmou que acompanhará os recursos que serão apresentados ao Tribunal de Justiça do Paraná.
“Desistir não é uma opção. Eu não vou desistir. Não importa onde eu tenha que ir, eu vou ir”, afirmou.
Questionamentos sobre a decisão
Ao longo da entrevista, a mãe voltou a defender que a conduta da motorista deve ser analisada de forma mais rigorosa. Ela citou dúvidas que, em sua avaliação, ainda precisam ser respondidas no processo.
Entre os pontos mencionados estão o desrespeito à sinalização de parada obrigatória, a colisão inicial envolvendo um motociclista e a sequência dos acontecimentos que culminaram no atropelamento de Nando.
“Ela bateu no motociclista. Por que ela não freou? Por que ela não parou para socorrer o motociclista? Ela matou meu filho na fuga”, afirmou.
A classificação jurídica desses fatos, entretanto, é justamente um dos pontos centrais da divergência entre acusação e defesa. Enquanto os representantes da família defendem a possibilidade de dolo eventual, a defesa sustenta que não existem elementos que indiquem intenção de matar ou assunção do risco.
Caso segue para nova etapa judicial
O acidente ocorreu em junho de 2024 e provocou forte comoção em Cascavel. Desde então, o caso passou por investigações, produção de provas e audiências judiciais até a sentença proferida nesta semana.
Mais cedo, em entrevista à CGN, o advogado da motorista, Renato Armiliato, afirmou que a condenação confirmou a tese defendida pela ré desde o início do processo: a de homicídio culposo. Segundo ele, a motorista nunca tentou se eximir de responsabilidade pelo ocorrido e pretende recorrer para buscar a redução da pena.
Com os recursos anunciados por ambas as partes, o processo seguirá para análise do Tribunal de Justiça do Paraná, que deverá reexaminar os questionamentos apresentados tanto pela defesa quanto pelos representantes da família de Nando.
Enquanto a disputa judicial avança para uma nova fase, a mãe do menino afirma que continuará acompanhando o caso.
“Eu não vou desistir dele. Eu não vou desistir da Justiça por ele”, concluiu.