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Conforme delegada, algumas vítimas do Padre Genivaldo foram dopadas antes de abuso sexual

Segundo a delegada, desde a última coletiva, realizada na segunda-feira, o número de vítimas identificadas relacionadas ao padre Genivaldo subiu de três para sete. Além disso,...

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Por Fábio Wronski

Em coletiva realizada na manhã desta quinta-feira (28), a delegada Thaís Zanatta, acompanhada do Secretário de Segurança Pública do Estado do Paraná, apresentou novos desdobramentos sobre as investigações de abuso sexual envolvendo o padre Genivaldo e o falecido bispo Dom Mauro Aparecido dos Santos.

Segundo a delegada, desde a última coletiva, realizada na segunda-feira, o número de vítimas identificadas relacionadas ao padre Genivaldo subiu de três para sete. Além disso, há dois casos envolvendo o falecido bispo: uma vítima confirmada e outra ainda sob apuração, referente a um boletim de ocorrência de estupro de vulnerável registrado em 2008.

A investigação referente ao caso de 2008, que envolve uma criança de três anos, ainda não foi iniciada devido à complexidade dos casos atuais envolvendo o padre Genivaldo. “Já temos conhecimento do boletim de ocorrência, mas ainda não foi instaurado o inquérito policial, o que será feito na sequência”, afirmou a delegada. O crime teria ocorrido em uma creche de irmãs no bairro Guarujá, em Cascavel, e foi denunciado pela mãe da vítima. Tanto ela quanto a vítima ainda serão ouvidas, assim como outras testemunhas a serem identificadas.

Sobre Dom Mauro, a delegada informou que uma das vítimas é um ex-seminarista e ex-usuário de drogas. Inicialmente ouvido como possível vítima do padre, o ex-seminarista relatou, durante depoimento, ter sido vítima de aliciamento e assédio por parte do falecido bispo, entre os anos de 2003 e 2012, dentro do seminário. “Ele relata que era comum o bispo aliciar e assediar seminaristas, passando a mão pelo corpo, entre outros atos”, declarou Thaís Zanatta. No entanto, não há provas materiais até o momento, apenas o relato da vítima. Outras testemunhas, incluindo antigos seminaristas e padres, ainda serão ouvidas para apurar o comportamento do bispo e possíveis novas vítimas.

Em relação ao padre Genivaldo, a delegada confirmou a existência de uma vítima em Santa Lúcia, cidade para onde o religioso foi transferido no fim do ano passado. A vítima, atualmente com 16 anos, teria sido abusada aos 15, após revelar ao padre sua homossexualidade durante confissão. Outro caso recente, ocorrido há duas semanas, envolve uma vítima que sofreu abusos repetidos, sendo o último episódio registrado em uma clínica do padre em Cascavel.

A investigação também apura relatos de que algumas vítimas teriam sido dopadas antes dos abusos, seja por meio de medicamentos ou canabinoides. Há vítimas que relataram episódios de abuso tanto em estado de inconsciência quanto de consciência.

Até o momento, entre 18 e 19 pessoas já foram ouvidas, e aproximadamente outras 20 ainda prestarão depoimento. A delegada informou que um novo inquérito será instaurado até amanhã para apurar o caso da criança de três anos, enquanto o relato do ex-seminarista será analisado no inquérito já em andamento envolvendo o padre Genivaldo.

Questionada sobre a possibilidade de aumento no número de vítimas, Thaís Zanatta afirmou que isso pode ocorrer, uma vez que há oitivas pendentes de padres, ex-acólitos e possíveis vítimas. A delegada também confirmou a existência de um acordo de silêncio assinado por um ex-seminarista, atualmente padre, para que o caso não fosse levado ao conhecimento das autoridades.

O inquérito referente ao padre Genivaldo segue em andamento, com prazo de conclusão vinculado à prisão temporária de 30 dias, prorrogável por mais 30, podendo ser convertida em preventiva conforme o avanço das investigações. Segundo a delegada, há indícios de que o padre aliciava menores e maiores de idade, oferecendo presentes, dinheiro, viagens e outros benefícios, visando conquistar a confiança das vítimas.

Sobre o envolvimento de outras lideranças religiosas, a delegada destacou que, além do boletim de ocorrência e do relato do ex-seminarista, existe um acordo assinado em 2011 por dois seminaristas para que o assunto não saísse do âmbito da Igreja, o que pode indicar possível acobertamento, mas não há, até o momento, provas de violência sexual relacionadas a esse documento.

As investigações prosseguem, com a expectativa de novas oitivas e aprofundamento dos fatos, visando esclarecer todos os elementos e responsabilizar eventuais envolvidos.

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