Acusações contra Dom Mauro não avançam por morte do religioso, mas fatos indicam necessidade de responsabilização civil e institucional
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Por Diego Cavalcante
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Parte das investigações da Operação “Lobo em Pele de Cordeiro”, conduzida pelo Ministério Público do Paraná (MPPR) e pela unidade de Cascavel do Núcleo de Proteção à Criança e ao Adolescente Vítimas de Crimes (Nucria), apontou indícios de crimes contra a dignidade sexual supostamente cometidos pelo antigo Arcebispo da Diocese de Cascavel, Dom Mauro Aparecido dos Santos, falecido em 2021.
Segundo o MPPR, os fatos inicialmente apurados não avançaram para ação penal devido à prescrição de alguns crimes e à insuficiência de provas para oferecer denúncia formal. Além disso, a morte de Dom Mauro impossibilitou a adoção de medidas criminais, sendo requerida a extinção da punibilidade com base no artigo 107, inciso I, do Código Penal.
A investigação buscava esclarecer supostos casos de exploração da vulnerabilidade de fiéis e de adolescentes, assim como condutas que poderiam configurar violação de direitos sexuais e abusos dentro da Igreja. Apesar de não haver ação penal em relação a Dom Mauro, o Ministério Público determinou o envio dos autos à 12ª Promotoria de Justiça de Cascavel, com atuação em Garantias Constitucionais, para avaliar reparações civis a possíveis danos sofridos pelas famílias das vítimas e à comunidade.
O MPPR reforça que, embora a investigação contra Dom Mauro não tenha resultado em denúncia criminal, os fatos apurados indicam a necessidade de responsabilização civil e institucional, e os procedimentos seguem em análise para identificar eventuais danos coletivos e desvio de conduta no âmbito da Diocese.
O caso integra um conjunto mais amplo de investigações contra outros religiosos da região, incluindo o padre Genivaldo Oliveira dos Santos, denunciado por diversos crimes contra menores e adultos, que continua preso no Complexo Médico Penal (CMP), em Curitiba.