Mãe de Fernando Lorenzo divulga carta pedindo por consciência no trânsito e respeito à vida

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Foto: Reprodução/CGN

Por Isabella Chiaradia

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A mãe de Fernando Lorenzo Souza Gehlen, que morreu após ser atropelado na calçada da Rua Paraná esquina com a Avenida Piquiri em junho do ano passado, divulgou com exclusividade à CGN, uma carta aberta pedindo por mais consciência no trânsito.

Na carta, ela destaca que este será o primeiro Dia das Mães sem o filho, vítima da violência no trânsito em Cascavel: “Este é o meu primeiro Dia das Mães com os braços vazios. Sem o abraço quente, sem os olhos doces, sem o sorriso iluminado do meu Nando”.

Além da celebração do Dia das Mães, o mês de maio também é marcado por campanhas de conscientização no trânsito, o que reforça ainda mais a luta da mãe do Nando, Mônica de Souza, por justiça e paz nas ruas e rodovias de Cascavel e de todo o país.

Ano após ano, o número de vítimas de acidentes de trânsito aumenta no Brasil, deixando muitos filhos sem os pais e pais sem os filhos.

Por isso, este é um momento de reflexão, mas também de ações voltadas a redução das mortes no trânsito. Cada ação, individual ou coletiva, contribui para um trânsito mais seguro e harmonioso para todos. Seja protagonista desta mudança! Respeite as leis de trânsito, respeite a vida!

Leia a carta na íntegra:

Carta às Mães e Filhos do Brasil

Maio chegou…
O mês das noivas. O mês das mães.
Sempre foi um tempo mágico para mim.
O Nando — meu filho amado — adorava esse mês. Foi em maio que ele me viu vestida de noiva, com os olhos brilhando de alegria. Fizemos juntos um ensaio fotográfico, mãe e filho… tão cheio de amor que chegou até a ser publicado em revista.
Maio, para nós, era sinônimo de vida, de afeto, de família.

Mas maio também carrega um grito. Um alerta.
É o mês da Conscientização no Trânsito, o mês de lutar com urgência pela preservação da vida.

Meu nome é Mônica Morais de Souza.
E este é o meu primeiro Dia das Mães com os braços vazios.
Sem o abraço quente, sem os olhos doces, sem o sorriso iluminado do meu Nando.

Fernando Lorenzo Souza Gehlen.
Nove anos. Uma criança cheia de sonhos. Cheia de luz.
O amor mais puro que já conheci.

Meu filho foi arrancado de mim por algo que nenhuma mãe deveria viver: a irresponsabilidade, o desrespeito, a falta de humanidade no trânsito.

Estávamos abraçados, esperando para atravessar na faixa de pedestres, quando uma motorista ignorou todas as leis, furou a preferencial, bateu em um motociclista e tentou fugir.
Ela subiu na calçada. A calçada onde eu protegia meu filho com os braços.

Arrancou o Nando dos meus braços. Da minha vida.
Só parou porque eu, desesperada, gritei e tentei tirá-lo debaixo do carro. Esta imagem carrego em meus olhos.

Essa motorista — é filha de outra mãe, mãe de outro filho — e escolheu não respeitar a vida.
E, com essa escolha, tirou o direito do meu filho de crescer, de brincar, de ser amado.

Hoje, com o coração em ruínas, venho fazer um apelo. Um pedido de mãe para mãe.

Mães, por favor, orientem seus filhos.
Ensinem o valor da vida.
Peçam que respeitem as leis de trânsito. Que não usem o celular ao volante. Que não corram. Que tenham empatia.

Porque, se nada mudar, só restarão dois caminhos para tantas mães chorarem: o cemitério… ou a porta de uma penitenciária.

Eu não desejo a ninguém o que hoje me destrói por dentro.
Cuidar com tanto amor e perder por causa da negligência de alguém que também foi criada por uma mãe.

Se você é mãe, tia, avó, irmã… ou mãe de coração: faça a sua parte. Dê exemplos, respeite as leis de trânsito, trate cada pessoa como seus filhos, proteja-os!
Eduque, oriente, ensine com o seu exemplo.
Sejamos a geração que cuida, que protege, que transforma.

A vida do meu filho foi interrompida, mas o amor que tenho por ele se transformou em luta.
Eu vou buscar justiça. Eu vou transformar essa dor em força.
Porque o amor de uma mãe é imortal.

Por favor…
Por mim. Pelo Nando. Pelos seus filhos. Por todos que ainda estão aqui.
Vamos preservar a vida. Vamos mudar.

Com todo o amor de uma mãe eternamente marcada,
Mônica Morais de Souza
Mãe do anjo Fernando Lorenzo Souza Gehlen

Resumo do que aconteceu

O que aconteceu com o menino Nando em Cascavel e por que o caso chocou a cidade?
R: Fernando Lorenzo Souza Gehlen, conhecido como Nando, de 9 anos, morreu após ser atropelado na calçada no cruzamento da Avenida Piquiri com a Rua Paraná, em Cascavel, no dia 14 de junho de 2024. O caso gerou forte comoção e mobilizou a população local por justiça e punição exemplar.
Quem foi responsabilizado pela morte de Nando e qual foi a decisão da Justiça?
R: A motorista do Fiat Stilo que atropelou Nando foi responsabilizada e condenada a quatro anos e dois meses de prisão em regime semiaberto, posteriormente convertida em penas restritivas de direitos, por homicídio culposo, ou seja, sem intenção de matar.
A condenação encerrou a disputa judicial?
R: Não. Tanto a defesa da motorista quanto a família de Nando anunciaram que vão recorrer da decisão. A defesa quer reduzir a pena e a família busca que o caso seja reconhecido como dolo eventual, o que pode aumentar a pena e levar a motorista a júri popular.
O que pode acontecer se a tese de dolo eventual for aceita?
R: Se o Tribunal de Justiça do Paraná aceitar que houve dolo eventual, a motorista pode ser levada a julgamento pelo Tribunal do Júri e, se condenada, a pena pode chegar a até 20 anos de prisão.
Como aconteceu o acidente que tirou a vida de Nando?
R: A motorista avançou a preferencial na Avenida Piquiri, colidiu com uma motocicleta e, após perder o controle do veículo, subiu na calçada, atropelando Nando, sua mãe e um amigo da família. Nando morreu na hora.
Quais são os argumentos da defesa da motorista?
R: A defesa afirma que o caso é de homicídio culposo, sem intenção de matar, pois a motorista perdeu o controle do carro após a colisão com a moto e não teve como evitar o atropelamento. Diz ainda que ela não estava usando celular, não estava embriagada e não tentou fugir.
O que dizem a família de Nando e seus advogados?
R: A família de Nando, representada por advogados, defende que a motorista assumiu o risco de matar ao não parar após a primeira batida, não tentar frear e subir na calçada, caracterizando dolo eventual. Eles querem que a motorista seja julgada pelo Tribunal do Júri e receba pena mais dura.
O laudo da perícia apontou tentativa de frear o carro?
R: Segundo laudo particular, não houve tentativa de frenagem imediata após a colisão com a moto. O freio só foi acionado 4,83 segundos depois, o que, para os advogados da família, indica atitude de fuga e agravamento da conduta.
A motorista estava usando celular ou embriagada no momento do acidente?
R: Não. Investigações e perícia no celular indicaram que nenhum aplicativo estava em uso nos momentos anterior e posterior ao acidente, e não há indícios de embriaguez.
Houve tentativa de fuga por parte da motorista?
R: A defesa e o delegado responsável afirmam que não houve tentativa de fuga. A motorista parou o veículo após o atropelamento e permaneceu no local, sendo retirada pelos policiais devido ao tumulto. Já a família de Nando acredita que a demora em parar o carro indica tentativa de fuga.
O que aconteceu com a motorista após o acidente?
R: Ela foi indiciada por homicídio culposo e lesão corporal, respondeu ao processo em liberdade e, segundo seu advogado, teve a vida transformada, deixando o emprego e mudando sua rotina por conta do impacto emocional.
Por que a Prefeitura de Cascavel e o dono do carro não foram responsabilizados?
R: A Justiça excluiu tanto a Prefeitura quanto o proprietário do veículo do processo, entendendo que não havia vínculo de solidariedade com a motorista e que eventuais falhas de sinalização devem ser tratadas em ação separada.
Quais foram as reações da população e da família após o acidente?
R: Houve grande indignação e comoção popular, com manifestações, homenagens, protestos no local do acidente e pedidos por justiça, além de pressões por mais rigor nas leis de trânsito e criação de uma delegacia especializada na cidade.
O caso influenciou debates sobre segurança no trânsito em Cascavel?
R: Sim. O caso Nando impulsionou discussões sobre segurança viária, respeito às leis de trânsito e políticas públicas preventivas, além de ações de conscientização, especialmente lideradas pela mãe de Nando.
Quais mudanças foram feitas no local do acidente após a tragédia?
R: Duas semanas após o acidente, a Transitar instalou uma lombada e reforçou a sinalização vertical e horizontal no cruzamento onde Nando foi atropelado.
Como a família de Nando tem buscado justiça?
R: A mãe de Nando, Mônica Souza, tem liderado campanhas por justiça, divulgado cartas abertas, feito manifestações públicas e buscado apoio para contratar advogados e pressionar por punição exemplar à motorista.
Como está a situação judicial atualmente?
R: Em junho de 2026, a motorista foi condenada, mas tanto a defesa quanto a acusação anunciaram recursos. O caso segue em disputa no Tribunal de Justiça do Paraná, sem decisão definitiva.
O que dizem os advogados sobre a conduta da motorista?
R: A acusação aponta que a motorista não prestou socorro, tentou fugir e assumiu o risco de matar. A defesa rebate, dizendo que ela ficou em estado de choque, não fugiu e não teve intenção de causar o acidente.
Quais provas principais embasam os lados do processo?
R: As principais provas são laudos periciais, imagens de câmeras de segurança, depoimentos de testemunhas e análises da dinâmica do acidente, incluindo tempo de frenagem e trajetória do veículo.
Que impacto o caso teve sobre a mãe de Nando?
R: Mônica Souza relata sofrimento intenso, sensação de impunidade e afirma que, para ela, a dor é uma pena perpétua. Ela se tornou símbolo da luta por justiça e conscientização no trânsito.
O caso Nando pode mudar a forma como crimes de trânsito são julgados em Cascavel?
R: O caso ganhou repercussão e pode servir de exemplo para endurecimento de punições e maior atenção das autoridades a crimes de trânsito, além de inspirar mudanças na legislação local e na fiscalização.
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