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Imagem referente a Bebê morre após suposto erro médico e HUOP diz que culpa é da UPA ou do SAMU
Foto: ACS/Unioeste.

Bebê morre após suposto erro médico e HUOP diz que culpa é da UPA ou do SAMU

Outro fator que agravou a dor da família foi a realização de um exame genético no hospital após uma denúncia anônima de abuso sexual. A acusação, que teria sido feita por uma profissional da saúde, não se confirmou, mas deixou os pais indignados, pois um canal de televisão local publicou a informação inverídica...

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Por Redação CGN

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Imagem referente a Bebê morre após suposto erro médico e HUOP diz que culpa é da UPA ou do SAMU
Foto: ACS/Unioeste.

Uma família de Cascavel (PR), ingressou com uma ação judicial contra profissionais de saúde e instituições médicas da cidade após a morte de seu filho de um ano e três meses, ocorrida no dia 10 de fevereiro de 2024. A acusação principal envolve alegações de erro médico desde o primeiro atendimento na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) Tancredo Neves até a internação no Hospital Universitário do Oeste do Paraná (HUOP), administrado pela Universidade Estadual do Oeste do Paraná (Unioeste).

O processo, protocolado na Vara da Fazenda Pública de Cascavel, aponta negligência, imprudência e imperícia dos médicos e da equipe de atendimento, além de falhas graves na condução do caso. A família pleiteia uma indenização de R$ 1,5 milhão pelos danos morais causados pela perda do filho. No entanto, tanto o Município de Cascavel quanto a Unioeste apresentaram contestação em 12 de março de 2025, negando qualquer erro ou omissão no atendimento prestado. Em sua defesa, as instituições públicas não apenas refutam a responsabilidade pelo óbito, como também insinuam falhas no atendimento prévio e até mesmo decisões erradas dos próprios pais.

Atendimento inicial e falhas médicas apontadas pelos pais

De acordo com a petição inicial, no dia 7 de fevereiro de 2024, a mãe da criança procurou a UPA Tancredo Neves, unidade administrada pelo Município de Cascavel, devido a um quadro gripal do bebê. O caso foi classificado como urgente e, segundo o prontuário, o primeiro médico que atendeu o paciente registrou sintomas de insuficiência respiratória. Apesar disso, prescreveu hidratação oral, medida apontada como inadequada pelos autores, para um quadro de dificuldade respiratória severa.

Cerca de 15 minutos após a administração do soro, o bebê apresentou uma piora drástica e foi encaminhado às pressas para a sala de emergência da unidade. Neste local, novas falhas foram apontadas: a equipe médica demorou a realizar o procedimento adequado para estabilização do quadro, o que resultou na necessidade de entubação. No entanto, a tentativa de entubação não teve êxito nas duas primeiras tentativas, levando a uma parada cardiorrespiratória de 12 minutos.

Transferência e novas falhas

Após a primeira reanimação, foi solicitada a transferência do bebê ao HUOP, e o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU) foi acionado. A entubação teria sido concluída antes do transporte, mas os pais questionam se, de fato, a criança estava recebendo ventilação mecânica adequada durante o trajeto. A mãe, que acompanhava o filho na ambulância, afirmou que ele estava apenas com uma máscara de oxigênio.

No hospital, novas complicações surgiram. A equipe médica identificou um grande sangramento nos pulmões do bebê e realizou um novo procedimento de entubação. Em pouco tempo, o quadro clínico evoluiu para uma nova parada cardiorrespiratória. Ao todo, a criança sofreu quatro episódios de parada, sendo estabilizada temporariamente em todas as ocasiões, mas apresentando sequelas graves por conta da falta de oxigenação no cérebro.

Causa da morte

Três dias depois, em 10 de fevereiro, o bebê sofreu uma última parada cardiorrespiratória e não resistiu. O laudo necroscópico apontou como causa do óbito um pneumotórax hipertensivo, ou seja, um colapso pulmonar que impediu a circulação sanguínea adequada. A família alega que este diagnóstico deveria ter sido identificado e tratado imediatamente no HUOP, pois é uma condição que pode ser revertida com procedimentos emergenciais.

O prontuário também indicou lesões em diferentes partes do corpo da criança, compatíveis com os procedimentos médicos aplicados, como tentativas de intubação e manobras de reanimação. No entanto, a família contesta a abordagem adotada pelos profissionais, afirmando que houve excesso e falta de preparo técnico na condução do atendimento.

Denúncia de abuso e sofrimento psicológico

Outro fator que agravou a dor da família foi a realização de um exame genético no hospital após uma denúncia anônima de abuso sexual. A acusação, que teria sido feita por uma profissional da saúde, não se confirmou, mas deixou os pais indignados, pois um canal de televisão local publicou a informação inverídica, enquanto seu filho lutava pela vida.

Contestação do Município

O Município de Cascavel, em contestação protocolada no dia 12 de março de 2025, refutou todas as alegações de erro médico e negligência. O documento argumenta que:

  • O atendimento prestado ao bebê na UPA Tancredo Neves seguiu os protocolos médicos adequados e que a evolução do quadro clínico da criança foi imprevisível.
  • Alega que o tratamento inicial, incluindo a reidratação oral, não contribuiu para o agravamento do quadro e que todas as medidas foram adotadas para garantir a estabilização do paciente.
  • Destaca que a equipe médica realizou procedimentos emergenciais adequados ao quadro apresentado e que a transferência ao HUOP foi realizada dentro dos padrões estabelecidos pelo Sistema Único de Saúde (SUS).
  • Argumenta que a responsabilidade pelo atendimento no HUOP e pelas decisões médicas tomadas dentro do hospital cabe à instituição e não ao município.
  • Reforça que não há nexo causal entre a conduta dos profissionais de saúde da UPA e o óbito do bebê, sendo, portanto, indevida a responsabilização do município.

Contestação da Unioeste

A Unioeste, por sua vez, adota uma postura ainda mais enfática na sua defesa, não apenas rejeitando qualquer responsabilidade pelo falecimento da criança, mas sugerindo que o agravamento do quadro clínico teria ocorrido antes mesmo da chegada ao HUOP. A instituição argumenta que:

  • O bebê chegou ao HUOP já em estado gravíssimo, com múltiplas paradas cardiorrespiratórias e sinais de sofrimento cerebral irreversível.
  • A equipe médica realizou todas as manobras possíveis para salvar a vida do paciente, incluindo a substituição do tubo orotraqueal, que apresentava grande quantidade de sangue.
  • Alega que o quadro clínico foi agravado pelo atendimento anterior, citando possíveis erros no procedimento de intubação realizado na UPA Tancredo Neves.
  • Não reconhece o diagnóstico de pneumotórax hipertensivo como fator determinante na morte da criança, alegando que tal condição não foi identificada nos exames internos do hospital.
  • A suspeita de abuso sexual foi levantada com base em sinais clínicos observados no exame de admissão do paciente, mas a hipótese não foi confirmada posteriormente.

A contestação da Unioeste sugere que a família teria demorado para buscar atendimento adequado para a criança, alegando que os pais só procuraram a UPA quando o bebê já apresentava sinais severos de insuficiência respiratória. A defesa da universidade tenta afastar qualquer possibilidade de erro médico dentro do hospital e deslocar a responsabilidade para etapas anteriores do atendimento.

“As manobras realizadas pela equipe médica tão logo o paciente chegou no HU, (troca do TOT com apresentação de sinais vitais estáveis e normossaturação após o procedimento, somado à grande quantidade de secreção sanguinolenta aspirada no TOT) indicam uma possível falha nos atendimentos anteriores (tenha sido na UPA ou no SAMU)”.

Defesa do HUOP

Pedido de indenização

A ação judicial segue responsabilizando tanto os médicos envolvidos no atendimento quanto as instituições de saúde, incluindo a UPA Tancredo Neves, o HUOP e o SAMU. A família argumenta que o atendimento inadequado e os sucessivos erros médicos resultaram diretamente na morte do bebê, justificando o pedido de indenização milionária.

O processo agora aguarda manifestação da Justiça, enquanto a família busca responsabilização pelos eventos que culminaram na perda de seu filho.

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