CGN - Últimas notícias de Cascavel, Paraná e Brasil
Acesse aqui o Discover e busque as mais lidas por mês!

Tragédia aérea: Professores e ex-alunas da Unioeste são vítimas de queda de avião em Vinhedo

Publicado em

Relacionadas:

Imagem referente a Tragédia aérea: Professores e ex-alunas da Unioeste são vítimas de queda de avião em Vinhedo
Foto: Reprodução/CGN

Por Silmara Santos

Atualizado em

A Unioeste emitiu no início da noite desta sexta-feira (09) uma nota de pesar pelo falecimento de professores e ex-alunas da universidade. Todos estavam no voo 2283 da companhia aérea Voepass Linhas Áreas, que viajava do Aeroporto Regional de Cascavel para o Aeroporto Internacional de Guarulhos – São Paulo e caiu no município de Vinhedo (SP), nesta sexta-feira (09) de agosto.

Confira a nota:

É com profundo pesar que a Universidade Estadual do Oeste do Paraná (Unioeste) comunica o falecimento dos professores Dr. Edilson Hobold do curso de Educação Física, campus Marechal Cândido Rondon, do professor Deonir Secco do curso de Engenharia Agrícola, campus de Cascavel, professora Raquel Ribeiro Moreira do Programa de Pós-Graduação em Letras do Campus de Cascavel, do professor aposentado José Roberto Leonel Ferreira do Hospital Universitário do Oeste do Paraná – HUOP, em Cascavel, da médica da UTI Pediátrica do HUOP e egressa do curso de Medicina da Unioeste, Sarah Sella Langer e Mariana Comiran Belim, também egressa do curso de Medicina, do campus de Cascavel e médica intensivista da UTI Adulta do HUOP. E das ex-alunas, Ana Caroline Redivo do curso de Administração, campus de Cascavel e Hadassa Maria da Silva, do curso de Ciências Contábeis do Campus de Cascavel.

Os professores, as médicas e as ex-alunas estavam no voo 2283 da companhia aérea Voepass Linhas Áreas, que viajava do Aeroporto Regional de Cascavel para o Aeroporto Internacional de Guarulhos – São Paulo e caiu no município de Vinhedo (SP), nesta sexta-feira (09) de agosto.

O professor Edilson era docente do curso de Educação Física do Campus de Marechal Cândido Rondon da Unioeste, mestre em Educação Física pela Universidade Federal de Santa Catarina – UFSC (2003) e doutor em Educação Física pela Universidade Estadual de Campinas – UNICAMP (2013). Foi diretor do Centro de Ciências Humanas, Educação e Letras e teve grande experiência na área, com ênfase em Treinamento Esportivo e Pedagogia do Esporte. Atuou muitos anos também como árbitro na Federação Internacional de Judô – FIJ, tendo trabalhado nos últimos anos em diversos eventos internacionais no Brasil e no exterior.

O professor do curso de Engenharia Agrícola do Campus de Cascavel, Deonir Secco, era graduado em Agronomia e doutor na mesma área pela Universidade Federal de Santa Maria. Na Unioeste, o docente atuava na graduação e no programa de Pós-Graduação em Engenharia de Energia na Agricultura desde 2010, sendo um de seus idealizadores e do qual foi coordenador no período de 2010 a 2012. Coordenava também o laboratório de Física do Solo (LAFIS) e foi líder do grupo de pesquisa: Manejo de solos para sustentabilidade de cultivos agrícolas.

A ex-aluna e professora da Unioeste, Raquel Ribeiro Moreira, formou no curso de Letras do campus de Cascavel em 1999. Atualmente era docente credenciada no Programa de Pós-Graduação em Letras da Universidade. Tinha experiência na área de Letras, com ênfase em Letras, atuando principalmente nos seguintes temas: análise de discurso, adolescentes em situação de risco social, livro didático, educação formal e profissionalizante e produção textual.

O professor José Roberto Leonel Ferreira, estava aposentado há três meses, e atuou na docência e na residência Médica no Huop desde 2000, também sendo proprietário do Centro de Imagens Dr. Leonel Ferreira em Cascavel e Médico Radiologista do Hospital Policlínica Cascavel desde 1989. Participava dos grupos de pesquisa de Litíase Renal pela Unioeste e Dosimetria em radiação ionizante pela Universidade Tecnológica Federal do Paraná.

A médica pediátrica, Sarah Sella Langer, também atendia no Pronto-Socorro do Huop. A médica participava ainda de projetos de pesquisa com Imunoterapia sublingual na Dermatite Atópica e genética da Dermatite Atópica em pacientes brasileiros. Graduou-se em Medicina pela Unioeste, em 2012.

A médica intensivista na UTI Adulta do Hospital Universitário do Oeste do Paraná (HUOP). ex-acadêmica Mariana Comiran Belim, formou-se no curso de Medicina do campus de Cascavel em 2019. Concluiu residência em Clínica Médica no Hospital Universitário Regional de Maringá (HURM) no ano de 2022. No momento também era médica residente de Oncologia Clínica pela União Oeste Paranaense de Estudos e Combate ao Câncer (UOPECCAN).

A ex-aluna, Ana Caroline Redivo, formou-se em 2014 no curso de Administração no Campus de Unioeste. Atualmente trabalhava no tratamento nutricional avançado.

Hoje, o Dia que marca a data mais triste na história da Unioeste e do Hospital Universitário do Oeste do Paraná expressamos os mais sinceros sentimentos de solidariedade e apoio à famílias e aos seus amigos.

Resumo do que aconteceu

O que aconteceu com o voo 2283 da Voepass em agosto de 2024?
R: No dia 9 de agosto de 2024, o voo 2283 da Voepass, que partiu de Cascavel (PR) com destino a Guarulhos (SP), caiu em um condomínio residencial em Vinhedo (SP) minutos antes do pouso, resultando na morte de todos os 62 ocupantes — 58 passageiros, 4 tripulantes — e uma cachorrinha de estimação. Não houve sobreviventes nem feridos em solo.
Quem eram as vítimas do acidente com o avião da Voepass?
R: As vítimas eram 58 passageiros e 4 tripulantes, incluindo profissionais de saúde, professores, empresários, avós, mães, pais, filhos e crianças, muitos deles moradores de Cascavel (PR). A lista completa inclui nomes como Danilo Romano (piloto), Humberto de Campos Alencar e Silva (copiloto), Debora Soper Avila e Rubia Silva de Lima (comissárias), além de passageiros como Rosangela Souza, Eliane Andrade Freire, Luciani Cavalcanti, entre outros, além da cachorrinha Luna.
Quais foram as principais causas apontadas para a queda do voo 2283?
R: Segundo o relatório da Polícia Federal, a queda foi causada pela perda de controle da aeronave devido ao acúmulo de gelo, à inoperância do sistema pneumático de degelo e à não execução tempestiva e adequada dos procedimentos previstos. O laudo também destacou falhas de gestão, manutenção e segurança da empresa, além de problemas operacionais e técnicos reincidentes.
O que mostraram as investigações técnicas sobre o acidente?
R: O relatório do Cenipa e o laudo da Polícia Federal indicaram que o sistema de degelo apresentou falhas no dia do acidente e em voos anteriores. A tripulação reclamou do funcionamento do sistema e, mesmo diante dos alertas, não executou todos os procedimentos previstos. Também foi apontado que a aeronave operava com limpadores de para-brisa inoperantes, contrariando normas técnicas, e que havia falhas de manutenção e gestão recorrentes.
Quem foi responsabilizado criminalmente pelo desastre aéreo?
R: Em 6 de agosto de 2026, José Luiz Felício Filho, presidente da Voepass, foi indiciado pela Polícia Federal por integrar a cadeia de decisões da empresa considerada responsável por falhas que contribuíram para o acidente. O inquérito agora será analisado pelo Ministério Público para possível denúncia à Justiça.
Quais outras irregularidades foram identificadas na operação da Voepass após o acidente?
R: Foram identificadas irregularidades como escalas de trabalho que reduziram o tempo de descanso dos tripulantes, descumprimento da Lei dos Aeronautas, falhas recorrentes na manutenção, reutilização irregular de peças, tentativas de esconder aeronaves da fiscalização, reincidência de irregularidades já apontadas e não sanadas, além de descumprimento de exigências da Anac.
Como foi a resposta dos órgãos reguladores e do governo após o acidente?
R: A Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) iniciou operações de fiscalização assistida na Voepass, determinou redução da malha aérea, aumento do tempo de solo para manutenção, troca de administradores e execução de plano corretivo. Após auditorias constatarem reincidência de falhas, a Anac suspendeu as operações da empresa em março de 2025 e, posteriormente, cassou definitivamente o Certificado de Operador Aéreo. O Ministério de Portos e Aeroportos apoiou a decisão.
Quais foram os impactos econômicos e operacionais para a Voepass após o acidente?
R: Após o acidente, a Voepass enfrentou grave crise financeira, entrou com pedido de recuperação judicial, perdeu exclusividade de slots em aeroportos importantes, demitiu funcionários e teve suas operações suspensas e, depois, cassadas pela Anac. A empresa acumulou dívidas superiores a R$ 400 milhões e não conseguiu retomar suas atividades aéreas.
Como as famílias das vítimas reagiram à tragédia e às ações da Voepass?
R: As famílias criaram uma associação para apoio mútuo, buscar justiça e acompanhar investigações. Elas expressaram indignação com a postura da Voepass, repudiaram o uso da tragédia como justificativa para problemas financeiros da empresa e exigem responsabilização criminal dos envolvidos. Muitas famílias também buscaram indenizações na Justiça, mas destacam que nenhuma compensação financeira substitui a perda dos entes queridos.
Houve denúncias internas sobre problemas na manutenção das aeronaves da Voepass?
R: Sim. Um ex-mecânico da Voepass denunciou publicamente que a aeronave do voo 2283 apresentava constantes problemas técnicos e que alertas sobre sua condição eram ignorados pela chefia. Ele relatou falta de ferramentas adequadas, reutilização irregular de peças e tentativas de esconder aeronaves da fiscalização da Anac.
O cansaço da tripulação foi considerado um fator para o acidente?
R: Uma auditoria do Ministério do Trabalho e Emprego concluiu que a Voepass montou escalas que reduziram o tempo de descanso dos tripulantes, descumprindo a legislação e podendo causar fadiga em nível capaz de prejudicar a concentração e o tempo de reação, o que pode ter contribuído para o acidente.
Como foi a atuação dos políticos e do Congresso após a tragédia?
R: A Câmara dos Deputados criou uma comissão externa para acompanhar as investigações, fiscalizou as operações da Voepass e cobrou explicações da Anac e do Cenipa. Parlamentares apresentaram o Projeto de Lei 5033/2024 para criar um comitê de atendimento a vítimas e familiares de acidentes aéreos e discutir atualização da legislação do setor.
Quais foram os desdobramentos judiciais e indenizatórios após o acidente?
R: Diversas famílias entraram com ações judiciais pedindo indenização por danos morais, materiais e pensão, alegando responsabilidade objetiva das companhias aéreas. Algumas famílias aceitaram acordos de reparação financeira, mas destacam que o principal objetivo é a responsabilização criminal dos envolvidos.
Como o acidente impactou a cidade de Cascavel (PR)?
R: Cascavel foi profundamente impactada, pois 25 das vítimas eram moradores da cidade. A tragédia mobilizou a comunidade, gerou homenagens e eventos em memória das vítimas, como o ato 'Amores Além da Vida'. O acidente deixou marcas emocionais e sociais duradouras na cidade.
A Voepass tentou justificar seus problemas financeiros pelo acidente?
R: Sim, a Voepass alegou que o acidente agravou sua situação financeira e justificou pedidos de tutela preparatória e recuperação judicial com base nesse argumento. A Associação dos Familiares das Vítimas contestou essa versão, afirmando que os problemas financeiros e de manutenção já existiam antes do acidente e foram a verdadeira causa da tragédia.
Quais mudanças ocorreram na malha aérea da Voepass após o acidente?
R: Após o acidente, a Voepass suspendeu a rota do voo 2283 e outros oito trechos, readequando sua malha por ter uma aeronave a menos e por dificuldades operacionais. Com a suspensão e posterior cassação do certificado, a empresa perdeu slots em aeroportos importantes e deixou de operar em diversos destinos.
O que revelou a caixa-preta do voo 2283?
R: As gravações da cabine mostraram que a tripulação identificou falhas no sistema de degelo e discutiu o problema durante o voo, chegando a comparar a aeronave a um 'Fusquinha'. Pouco antes da queda, os pilotos enfrentaram alertas críticos e não conseguiram restabelecer o funcionamento do sistema, culminando na perda de controle da aeronave.
Qual foi a posição da Voepass diante das acusações e investigações?
R: A Voepass negou irregularidades, afirmou que sempre priorizou a segurança, alegou que a aeronave tinha certificação válida e que a reutilização de peças era permitida com rastreabilidade. A empresa declarou seguir protocolos regulatórios e afirmou que nunca tentou burlar fiscalizações.
Quais homenagens e ações de memória foram realizadas pelas famílias das vítimas?
R: As famílias organizaram homenagens como o evento 'Amores Além da Vida', com caminhada simbólica, culto ecumênico e ações solidárias. Livros foram lançados em memória das vítimas, e a associação de familiares atua para manter viva a lembrança dos entes perdidos e lutar por justiça.
Por que o acidente da Voepass é considerado um marco na aviação brasileira?
R: O acidente do voo 2283 foi a maior tragédia da aviação comercial brasileira desde 2007, com 62 mortos. Ele expôs graves falhas de gestão, manutenção e fiscalização no setor aéreo, provocou mudanças regulatórias, impactou milhares de pessoas e gerou uma mobilização nacional por justiça e segurança na aviação.

Veja também

Notícias Mais Acessadas Agora

Notícias Mais Lidas