Perícia particular conclui que motorista que atropelou Fernando Lorenzo não tentou frear o carro

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Foto: Reprodução/CGN

Por Isabella Chiaradia

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O laudo pericial do acidente que vitimou o menino Fernando Lorenzo, de 9 anos de idade, na noite de 14 de junho de 2024, foi concluído.

Fernando estava na calçada, acompanhado da mãe e de um amigo da família, quando foi atropelado por um veículo Fiat Stillo (V1), após a condutora furar a preferencial e colidir contra uma motocicleta (V2) na Avenida Piquiri esquina com a Rua Paraná.

Conforme a análise pericial: “têm-se que o principal fator para o acontecimento do sinistro se deu através da invasão de via preferencial praticada por V1, tendo sua dinâmica agravada pela inexistência de tentativa de parada do veículo após a colisão, trafegando sobre a calçada já em direção à rua Paraná, até que 4,83 segundos após a colisão ocorre a frenagem do veículo”.

De acordo com o advogado da família, doutor Helio Ideriha Junior, a demora da motorista em acionar os freios do veículo, demonstram uma atitude de fuga. No mesmo sentido, o laudo aponta:

“Durante o cruzamento ocorre a colisão com V2 que seguia o fluxo preferencial da via, na sequência observa-se alteração na trajetória de V1 para a direita atingindo os pedestres e ainda uma segunda alteração de trajetória após a colisão contra os pedestres que estavam na calçada no lado esquerdo da rua e trafegando sobre a calçada, até que 4,83 segundos após a colisão se observa o novo acionamento das luzes indicativas do sistema de freio que se mantem acesas até a parada do veículo. Estudos trazem que um condutor tem um tempo de percepção de cerca de 1,0 segundo, diferente dos 4,83 segundos aqui comentados. Resultando assim em uma não tentativa de parada por parte do condutor de V1”.

O relatório da perícia, que possui 45 páginas, também trouxe, além de simulações do momento do acidente, outras informações relevantes, como a velocidade do carro e da motocicleta no momento do ocorrido.

A análise concluiu que o Fiat Stillo, estava trafegando em uma média de 27,28 km/h no momento em que furou a preferencial e bateu contra a moto. Esta, por sua vez, apresentava, de acordo com os cálculos realizados pelo perito, a velocidade de 70,16 km/h no momento da batida.

A conclusão da perícia levou em conta diversas imagens de câmeras de segurança, fotos e medições do local, além de dados de engenharia e demais documentos anexados ao inquérito policial. Todas as informações constantes no laudo deverão ser utilizadas no processo judicial para a devida apuração da responsabilidade dos envolvidos.

A perícia no celular da motorista ainda não foi concluída, portanto, até o momento, não é possível confirmar se ela estava ou não utilizando o aparelho no momento do acidente.

Resumo do que aconteceu

O que aconteceu com o menino Nando em Cascavel e por que o caso chocou a cidade?
R: Fernando Lorenzo Souza Gehlen, conhecido como Nando, de 9 anos, morreu após ser atropelado na calçada no cruzamento da Avenida Piquiri com a Rua Paraná, em Cascavel, no dia 14 de junho de 2024. O caso gerou forte comoção e mobilizou a população local por justiça e punição exemplar.
Quem foi responsabilizado pela morte de Nando e qual foi a decisão da Justiça?
R: A motorista do Fiat Stilo que atropelou Nando foi responsabilizada e condenada a quatro anos e dois meses de prisão em regime semiaberto, posteriormente convertida em penas restritivas de direitos, por homicídio culposo, ou seja, sem intenção de matar.
A condenação encerrou a disputa judicial?
R: Não. Tanto a defesa da motorista quanto a família de Nando anunciaram que vão recorrer da decisão. A defesa quer reduzir a pena e a família busca que o caso seja reconhecido como dolo eventual, o que pode aumentar a pena e levar a motorista a júri popular.
O que pode acontecer se a tese de dolo eventual for aceita?
R: Se o Tribunal de Justiça do Paraná aceitar que houve dolo eventual, a motorista pode ser levada a julgamento pelo Tribunal do Júri e, se condenada, a pena pode chegar a até 20 anos de prisão.
Como aconteceu o acidente que tirou a vida de Nando?
R: A motorista avançou a preferencial na Avenida Piquiri, colidiu com uma motocicleta e, após perder o controle do veículo, subiu na calçada, atropelando Nando, sua mãe e um amigo da família. Nando morreu na hora.
Quais são os argumentos da defesa da motorista?
R: A defesa afirma que o caso é de homicídio culposo, sem intenção de matar, pois a motorista perdeu o controle do carro após a colisão com a moto e não teve como evitar o atropelamento. Diz ainda que ela não estava usando celular, não estava embriagada e não tentou fugir.
O que dizem a família de Nando e seus advogados?
R: A família de Nando, representada por advogados, defende que a motorista assumiu o risco de matar ao não parar após a primeira batida, não tentar frear e subir na calçada, caracterizando dolo eventual. Eles querem que a motorista seja julgada pelo Tribunal do Júri e receba pena mais dura.
O laudo da perícia apontou tentativa de frear o carro?
R: Segundo laudo particular, não houve tentativa de frenagem imediata após a colisão com a moto. O freio só foi acionado 4,83 segundos depois, o que, para os advogados da família, indica atitude de fuga e agravamento da conduta.
A motorista estava usando celular ou embriagada no momento do acidente?
R: Não. Investigações e perícia no celular indicaram que nenhum aplicativo estava em uso nos momentos anterior e posterior ao acidente, e não há indícios de embriaguez.
Houve tentativa de fuga por parte da motorista?
R: A defesa e o delegado responsável afirmam que não houve tentativa de fuga. A motorista parou o veículo após o atropelamento e permaneceu no local, sendo retirada pelos policiais devido ao tumulto. Já a família de Nando acredita que a demora em parar o carro indica tentativa de fuga.
O que aconteceu com a motorista após o acidente?
R: Ela foi indiciada por homicídio culposo e lesão corporal, respondeu ao processo em liberdade e, segundo seu advogado, teve a vida transformada, deixando o emprego e mudando sua rotina por conta do impacto emocional.
Por que a Prefeitura de Cascavel e o dono do carro não foram responsabilizados?
R: A Justiça excluiu tanto a Prefeitura quanto o proprietário do veículo do processo, entendendo que não havia vínculo de solidariedade com a motorista e que eventuais falhas de sinalização devem ser tratadas em ação separada.
Quais foram as reações da população e da família após o acidente?
R: Houve grande indignação e comoção popular, com manifestações, homenagens, protestos no local do acidente e pedidos por justiça, além de pressões por mais rigor nas leis de trânsito e criação de uma delegacia especializada na cidade.
O caso influenciou debates sobre segurança no trânsito em Cascavel?
R: Sim. O caso Nando impulsionou discussões sobre segurança viária, respeito às leis de trânsito e políticas públicas preventivas, além de ações de conscientização, especialmente lideradas pela mãe de Nando.
Quais mudanças foram feitas no local do acidente após a tragédia?
R: Duas semanas após o acidente, a Transitar instalou uma lombada e reforçou a sinalização vertical e horizontal no cruzamento onde Nando foi atropelado.
Como a família de Nando tem buscado justiça?
R: A mãe de Nando, Mônica Souza, tem liderado campanhas por justiça, divulgado cartas abertas, feito manifestações públicas e buscado apoio para contratar advogados e pressionar por punição exemplar à motorista.
Como está a situação judicial atualmente?
R: Em junho de 2026, a motorista foi condenada, mas tanto a defesa quanto a acusação anunciaram recursos. O caso segue em disputa no Tribunal de Justiça do Paraná, sem decisão definitiva.
O que dizem os advogados sobre a conduta da motorista?
R: A acusação aponta que a motorista não prestou socorro, tentou fugir e assumiu o risco de matar. A defesa rebate, dizendo que ela ficou em estado de choque, não fugiu e não teve intenção de causar o acidente.
Quais provas principais embasam os lados do processo?
R: As principais provas são laudos periciais, imagens de câmeras de segurança, depoimentos de testemunhas e análises da dinâmica do acidente, incluindo tempo de frenagem e trajetória do veículo.
Que impacto o caso teve sobre a mãe de Nando?
R: Mônica Souza relata sofrimento intenso, sensação de impunidade e afirma que, para ela, a dor é uma pena perpétua. Ela se tornou símbolo da luta por justiça e conscientização no trânsito.
O caso Nando pode mudar a forma como crimes de trânsito são julgados em Cascavel?
R: O caso ganhou repercussão e pode servir de exemplo para endurecimento de punições e maior atenção das autoridades a crimes de trânsito, além de inspirar mudanças na legislação local e na fiscalização.
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