Família e amigos pedem justiça pela morte Fernando Lorenzo na Avenida Piquiri

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Por Silmara Santos

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Em uma manifestação de dor e indignação, familiares e amigos de Fernando Lorenzo Souza Gehlen, o menino de nove anos que perdeu a vida em um trágico acidente de trânsito, se reuniram na Avenida Piquiri, no Bairro São Cristóvão, na noite desta segunda-feira (17). O local do protesto foi o mesmo onde ocorreu o acidente fatal, na última sexta-feira (14).

Fernando estava na calçada com a mãe e um amigo quando um Fiat Stilo, que seguia pela Avenida Piquiri, colidiu com um motociclista e, em seguida, atropelou os três pedestres que estavam na calçada. O menino de nove anos ficou em estado gravíssimo e, apesar dos esforços da equipe médica para reanimá-lo, não resistiu aos ferimentos e faleceu dentro da ambulância.

As outras vítimas do acidente foram encaminhadas a unidades médicas com ferimentos considerados leves e moderados.

Nesta noite o local do acidente foi transformado em um cenário de homenagens e pedidos por justiça. Velas foram acesas e orações foram feitas em memória de Fernando. O protesto silencioso refletiu a consternação dos presentes, que clamam por justiça pela morte prematura do menino.

Familiares informaram que por enquanto não vão se manifestar sobre o assunto.

O caso

Um inquérito policial para apurar as circunstâncias do acidente foi aberto e a Delegada Thais Zanatta da Polícia Civil, concedeu entrevista no último sábado (15), na qual informou que a motorista do automóvel foi encaminhada à 10ª Central Regional de Flagrantes onde foi ouvida pela autoridade policial.

Segundo a delegada, a condutora foi identificada, e apresentou resultado negativo para o teste etilométrico. Ela não prestou socorro as vítimas, devido a integridade física dela que estava em perigo, pois populares estariam ameaçando linchar a condutora.

A motorista irá responder pelos crimes de lesão corporal culposa e homicídio culposo, na condução de veículo automotor. Diligências estão sendo realizadas pelas equipes policiais, para averiguação de câmeras de monitoramento, que identifiquem toda a dinâmica do acidente.

A mãe

Na manhã desta segunda-feira (17), Mônica Souza, mãe do jovem Fernando Lorenzo Souza Gehlen, que faleceu em um trágico acidente na noite da última sexta-feira (14), compareceu à delegacia da Polícia Civil para prestar depoimento. O acidente, que envolveu Mônica, Fernando e um amigo da família, ocorreu quando eles foram atropelados por um carro enquanto estavam na calçada.

Em seu depoimento, Mônica contou os detalhes do acidente. Segundo ela, estavam na calçada, após um dia de trabalho na empresa Azul, quando o carro atingiu a moto e, em seguida, atropelou os três. Fernando, momentos antes da tragédia, havia mostrado à mãe o skate que havia ganho do amigo Vicente.

Mônica fez um apelo emocionado por justiça, afirmando que a motorista não pode ficar impune e que ela deve responder pelo que fez. Ela também destacou que a motorista não respeitou a sinalização de trânsito.

Resumo do que aconteceu

O que aconteceu com o menino Nando em Cascavel e por que o caso chocou a cidade?
R: Fernando Lorenzo Souza Gehlen, conhecido como Nando, de 9 anos, morreu após ser atropelado na calçada no cruzamento da Avenida Piquiri com a Rua Paraná, em Cascavel, no dia 14 de junho de 2024. O caso gerou forte comoção e mobilizou a população local por justiça e punição exemplar.
Quem foi responsabilizado pela morte de Nando e qual foi a decisão da Justiça?
R: A motorista do Fiat Stilo que atropelou Nando foi responsabilizada e condenada a quatro anos e dois meses de prisão em regime semiaberto, posteriormente convertida em penas restritivas de direitos, por homicídio culposo, ou seja, sem intenção de matar.
A condenação encerrou a disputa judicial?
R: Não. Tanto a defesa da motorista quanto a família de Nando anunciaram que vão recorrer da decisão. A defesa quer reduzir a pena e a família busca que o caso seja reconhecido como dolo eventual, o que pode aumentar a pena e levar a motorista a júri popular.
O que pode acontecer se a tese de dolo eventual for aceita?
R: Se o Tribunal de Justiça do Paraná aceitar que houve dolo eventual, a motorista pode ser levada a julgamento pelo Tribunal do Júri e, se condenada, a pena pode chegar a até 20 anos de prisão.
Como aconteceu o acidente que tirou a vida de Nando?
R: A motorista avançou a preferencial na Avenida Piquiri, colidiu com uma motocicleta e, após perder o controle do veículo, subiu na calçada, atropelando Nando, sua mãe e um amigo da família. Nando morreu na hora.
Quais são os argumentos da defesa da motorista?
R: A defesa afirma que o caso é de homicídio culposo, sem intenção de matar, pois a motorista perdeu o controle do carro após a colisão com a moto e não teve como evitar o atropelamento. Diz ainda que ela não estava usando celular, não estava embriagada e não tentou fugir.
O que dizem a família de Nando e seus advogados?
R: A família de Nando, representada por advogados, defende que a motorista assumiu o risco de matar ao não parar após a primeira batida, não tentar frear e subir na calçada, caracterizando dolo eventual. Eles querem que a motorista seja julgada pelo Tribunal do Júri e receba pena mais dura.
O laudo da perícia apontou tentativa de frear o carro?
R: Segundo laudo particular, não houve tentativa de frenagem imediata após a colisão com a moto. O freio só foi acionado 4,83 segundos depois, o que, para os advogados da família, indica atitude de fuga e agravamento da conduta.
A motorista estava usando celular ou embriagada no momento do acidente?
R: Não. Investigações e perícia no celular indicaram que nenhum aplicativo estava em uso nos momentos anterior e posterior ao acidente, e não há indícios de embriaguez.
Houve tentativa de fuga por parte da motorista?
R: A defesa e o delegado responsável afirmam que não houve tentativa de fuga. A motorista parou o veículo após o atropelamento e permaneceu no local, sendo retirada pelos policiais devido ao tumulto. Já a família de Nando acredita que a demora em parar o carro indica tentativa de fuga.
O que aconteceu com a motorista após o acidente?
R: Ela foi indiciada por homicídio culposo e lesão corporal, respondeu ao processo em liberdade e, segundo seu advogado, teve a vida transformada, deixando o emprego e mudando sua rotina por conta do impacto emocional.
Por que a Prefeitura de Cascavel e o dono do carro não foram responsabilizados?
R: A Justiça excluiu tanto a Prefeitura quanto o proprietário do veículo do processo, entendendo que não havia vínculo de solidariedade com a motorista e que eventuais falhas de sinalização devem ser tratadas em ação separada.
Quais foram as reações da população e da família após o acidente?
R: Houve grande indignação e comoção popular, com manifestações, homenagens, protestos no local do acidente e pedidos por justiça, além de pressões por mais rigor nas leis de trânsito e criação de uma delegacia especializada na cidade.
O caso influenciou debates sobre segurança no trânsito em Cascavel?
R: Sim. O caso Nando impulsionou discussões sobre segurança viária, respeito às leis de trânsito e políticas públicas preventivas, além de ações de conscientização, especialmente lideradas pela mãe de Nando.
Quais mudanças foram feitas no local do acidente após a tragédia?
R: Duas semanas após o acidente, a Transitar instalou uma lombada e reforçou a sinalização vertical e horizontal no cruzamento onde Nando foi atropelado.
Como a família de Nando tem buscado justiça?
R: A mãe de Nando, Mônica Souza, tem liderado campanhas por justiça, divulgado cartas abertas, feito manifestações públicas e buscado apoio para contratar advogados e pressionar por punição exemplar à motorista.
Como está a situação judicial atualmente?
R: Em junho de 2026, a motorista foi condenada, mas tanto a defesa quanto a acusação anunciaram recursos. O caso segue em disputa no Tribunal de Justiça do Paraná, sem decisão definitiva.
O que dizem os advogados sobre a conduta da motorista?
R: A acusação aponta que a motorista não prestou socorro, tentou fugir e assumiu o risco de matar. A defesa rebate, dizendo que ela ficou em estado de choque, não fugiu e não teve intenção de causar o acidente.
Quais provas principais embasam os lados do processo?
R: As principais provas são laudos periciais, imagens de câmeras de segurança, depoimentos de testemunhas e análises da dinâmica do acidente, incluindo tempo de frenagem e trajetória do veículo.
Que impacto o caso teve sobre a mãe de Nando?
R: Mônica Souza relata sofrimento intenso, sensação de impunidade e afirma que, para ela, a dor é uma pena perpétua. Ela se tornou símbolo da luta por justiça e conscientização no trânsito.
O caso Nando pode mudar a forma como crimes de trânsito são julgados em Cascavel?
R: O caso ganhou repercussão e pode servir de exemplo para endurecimento de punições e maior atenção das autoridades a crimes de trânsito, além de inspirar mudanças na legislação local e na fiscalização.
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