Condutora de veículo que matou criança de 9 anos irá responder por lesão corporal culposa e homicídio culposo

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Por Diego Cavalcante

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A Delegada Thais Zanatta da Polícia Civil concedeu uma entrevista para tratar sobre o acidente que tirou a vida de uma criança de apenas nove anos de idade, e deixou outras três pessoas feridas, na noite de sexta-feira (15) na Avenida Piquiri esquina com a Rua Paraná.

Conforme registrado por câmeras de segurança, a condutora de um veículo Fiat Stilo avançou a preferencial e colidiu contra uma motocicleta, que seguia na Rua Paraná. Na sequência, ela perdeu o controle da direção e invadiu a calçada, atropelando um homem, uma mulher e o menino, que não resistiu aos gravíssimos ferimentos.

Devido às circunstâncias do acidente, a motorista do automóvel foi encaminhada à 10ª Central Regional de Flagrantes onde foi ouvida pela autoridade policial.

Segundo a delegada, a condutora foi identificada, e apresentou resultado negativo para o teste etilométrico. Ela não prestou socorro as vítimas, devido a integridade física dela que estava em perigo, pois populares estariam ameaçando linchar a condutora.

A motorista irá responder pelos crimes de lesão corporal culposa e homicídio culposo, na condução de veículo automotor. Diligências estão sendo realizadas pelas equipes policiais, para averiguação de câmeras de monitoramento, que identifiquem toda a dinâmica do acidente.

A mulher justificou que acabou colidindo contra a motocicleta, e perdeu o controle da direção.

Resumo do que aconteceu

O que aconteceu com o menino Nando em Cascavel e por que o caso chocou a cidade?
R: Fernando Lorenzo Souza Gehlen, conhecido como Nando, de 9 anos, morreu após ser atropelado na calçada no cruzamento da Avenida Piquiri com a Rua Paraná, em Cascavel, no dia 14 de junho de 2024. O caso gerou forte comoção e mobilizou a população local por justiça e punição exemplar.
Quem foi responsabilizado pela morte de Nando e qual foi a decisão da Justiça?
R: A motorista do Fiat Stilo que atropelou Nando foi responsabilizada e condenada a quatro anos e dois meses de prisão em regime semiaberto, posteriormente convertida em penas restritivas de direitos, por homicídio culposo, ou seja, sem intenção de matar.
A condenação encerrou a disputa judicial?
R: Não. Tanto a defesa da motorista quanto a família de Nando anunciaram que vão recorrer da decisão. A defesa quer reduzir a pena e a família busca que o caso seja reconhecido como dolo eventual, o que pode aumentar a pena e levar a motorista a júri popular.
O que pode acontecer se a tese de dolo eventual for aceita?
R: Se o Tribunal de Justiça do Paraná aceitar que houve dolo eventual, a motorista pode ser levada a julgamento pelo Tribunal do Júri e, se condenada, a pena pode chegar a até 20 anos de prisão.
Como aconteceu o acidente que tirou a vida de Nando?
R: A motorista avançou a preferencial na Avenida Piquiri, colidiu com uma motocicleta e, após perder o controle do veículo, subiu na calçada, atropelando Nando, sua mãe e um amigo da família. Nando morreu na hora.
Quais são os argumentos da defesa da motorista?
R: A defesa afirma que o caso é de homicídio culposo, sem intenção de matar, pois a motorista perdeu o controle do carro após a colisão com a moto e não teve como evitar o atropelamento. Diz ainda que ela não estava usando celular, não estava embriagada e não tentou fugir.
O que dizem a família de Nando e seus advogados?
R: A família de Nando, representada por advogados, defende que a motorista assumiu o risco de matar ao não parar após a primeira batida, não tentar frear e subir na calçada, caracterizando dolo eventual. Eles querem que a motorista seja julgada pelo Tribunal do Júri e receba pena mais dura.
O laudo da perícia apontou tentativa de frear o carro?
R: Segundo laudo particular, não houve tentativa de frenagem imediata após a colisão com a moto. O freio só foi acionado 4,83 segundos depois, o que, para os advogados da família, indica atitude de fuga e agravamento da conduta.
A motorista estava usando celular ou embriagada no momento do acidente?
R: Não. Investigações e perícia no celular indicaram que nenhum aplicativo estava em uso nos momentos anterior e posterior ao acidente, e não há indícios de embriaguez.
Houve tentativa de fuga por parte da motorista?
R: A defesa e o delegado responsável afirmam que não houve tentativa de fuga. A motorista parou o veículo após o atropelamento e permaneceu no local, sendo retirada pelos policiais devido ao tumulto. Já a família de Nando acredita que a demora em parar o carro indica tentativa de fuga.
O que aconteceu com a motorista após o acidente?
R: Ela foi indiciada por homicídio culposo e lesão corporal, respondeu ao processo em liberdade e, segundo seu advogado, teve a vida transformada, deixando o emprego e mudando sua rotina por conta do impacto emocional.
Por que a Prefeitura de Cascavel e o dono do carro não foram responsabilizados?
R: A Justiça excluiu tanto a Prefeitura quanto o proprietário do veículo do processo, entendendo que não havia vínculo de solidariedade com a motorista e que eventuais falhas de sinalização devem ser tratadas em ação separada.
Quais foram as reações da população e da família após o acidente?
R: Houve grande indignação e comoção popular, com manifestações, homenagens, protestos no local do acidente e pedidos por justiça, além de pressões por mais rigor nas leis de trânsito e criação de uma delegacia especializada na cidade.
O caso influenciou debates sobre segurança no trânsito em Cascavel?
R: Sim. O caso Nando impulsionou discussões sobre segurança viária, respeito às leis de trânsito e políticas públicas preventivas, além de ações de conscientização, especialmente lideradas pela mãe de Nando.
Quais mudanças foram feitas no local do acidente após a tragédia?
R: Duas semanas após o acidente, a Transitar instalou uma lombada e reforçou a sinalização vertical e horizontal no cruzamento onde Nando foi atropelado.
Como a família de Nando tem buscado justiça?
R: A mãe de Nando, Mônica Souza, tem liderado campanhas por justiça, divulgado cartas abertas, feito manifestações públicas e buscado apoio para contratar advogados e pressionar por punição exemplar à motorista.
Como está a situação judicial atualmente?
R: Em junho de 2026, a motorista foi condenada, mas tanto a defesa quanto a acusação anunciaram recursos. O caso segue em disputa no Tribunal de Justiça do Paraná, sem decisão definitiva.
O que dizem os advogados sobre a conduta da motorista?
R: A acusação aponta que a motorista não prestou socorro, tentou fugir e assumiu o risco de matar. A defesa rebate, dizendo que ela ficou em estado de choque, não fugiu e não teve intenção de causar o acidente.
Quais provas principais embasam os lados do processo?
R: As principais provas são laudos periciais, imagens de câmeras de segurança, depoimentos de testemunhas e análises da dinâmica do acidente, incluindo tempo de frenagem e trajetória do veículo.
Que impacto o caso teve sobre a mãe de Nando?
R: Mônica Souza relata sofrimento intenso, sensação de impunidade e afirma que, para ela, a dor é uma pena perpétua. Ela se tornou símbolo da luta por justiça e conscientização no trânsito.
O caso Nando pode mudar a forma como crimes de trânsito são julgados em Cascavel?
R: O caso ganhou repercussão e pode servir de exemplo para endurecimento de punições e maior atenção das autoridades a crimes de trânsito, além de inspirar mudanças na legislação local e na fiscalização.
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