
Caminhos da Reportagem traz história de naufrágio de navio escravista
A história de um navio escravista afundado pelo seu próprio comandante em Angra dos Reis, no litoral fluminense, vem sendo contada e recontada há várias gerações......
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Por CGN

A história de um navio escravista afundado pelo seu próprio comandante em Angra dos Reis, no litoral fluminense, vem sendo contada e recontada há várias gerações no Quilombo Santa Rita do Bracuí.
“Não foi um acidente, foi uma chacina”, afirma a liderança quilombola Luciana Adriano da Silva, já que muitos dos africanos transportados forçadamente teriam sido abandonados para morrer no mar. Encontrar a embarcação e “fazer esta denúncia para o mundo é uma das formas de reparação por tudo o que os nossos antepassados sofreram,” completa.
Em dezembro de 1852, o capitão norte-americano Nathaniel Gordon trouxe 500 moçambicanos para serem escravizados nas fazendas de café do Vale do Paraíba. Perseguido pela patrulha naval, afundou o barco e fugiu disfarçado de mulher. Dez anos mais tarde, depois de ser pego no comando de outra embarcação escravista, Gordon foi a primeira e única pessoa a ser julgada e enforcada pelo crime de tráfico de africanos nos Estados Unidos, diz o documentarista Yuri Sanada, diretor da produtora Aventuras Produções e roteirista de um filme a ser produzido sobre o malfadado capitão.
Aqui no Brasil, a polícia entrou nas fazendas para apreender os africanos recém-chegados e investigou os fazendeiros envolvidos na organização criminosa. Era a primeira vez que o império brasileiro tomava uma atitude em relação ao tráfico ilegal, afirma Martha Abreu, professora do Instituto de História da Universidade Federal Fluminense. “Chegaram outros navios? Podem ter chegado, mas realmente a partir do Camargo foi um sinal, olha, não dá mais.”
Um dos envolvidos no escândalo era o comendador José de Souza Breves, proprietário do antigo engenho Santa Rita do Bracuí, atual território do quilombo. Segundo a griô e coordenadora da Associação de Remanescentes do Quilombo Santa Rita do Bracuí (ARQUISABRA), Marilda de Souza Francisco, a propriedade era na verdade uma fachada para o tráfico. Uma estrada que passava por dentro da fazenda levava os africanos aos cafezais da cidade de Bananal, no interior de São Paulo.
Depois de mais de um século de resistência e batalha por reconhecimento, o quilombo está prestes a receber o título das terras pelo Incra e espera que a história do brigue Camargo não seja esquecida. Uma das ideias em discussão é que o local do naufrágio se torne um ponto de visitação turística em benefício da comunidade.
Se os pesquisadores de fato encontrarem o brigue Camargo, será um feito inédito. “O apagamento histórico é muito forte. A nossa pesquisa é a primeira de um navio escravagista no Brasil, depois de tantos e tantos anos,” afirma o arqueólogo Julio Cesar Marins.
O programa vai ao ar neste domingo (06) às 22h, na TV Brasil.
Fonte: Agência Brasil
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