
Operação de tráfego aéreo em Cascavel é feita por empresa que pertence a ex-secretário
Direito de prestar o serviço foi arrematado em leilão em 2015; empresa diz que não foi avisada sobre voo que precisou ir a Curitiba por falta de operador de rádio…...
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Por Mariana Lioto

Ter um aeroporto estruturado é um desejo antigo do cascavelense, por isso, notícias como a de ontem, quando um avião da Gol não conseguiu pousar devido a não haver operador de rádio para auxiliar o pouso geram descontentamento. Mas como funciona este serviço em Cascavel?
A Empresa Prestadora do Serviço de Tráfego Aéreo na cidade vem originalmente do ramo imobiliário. A MVS Incorporações Imobiliárias Ltda participou de um leilão em 2015. Na época a cidade estava sob gestão do prefeito Edgar Bueno, mas a contratação do serviço não é municipal, nem pela Cettrans/Transitar. O serviço é regulado pela União. O direito de prestar o serviço foi arrematado de um leilão da massa falida empresa Rio Sul Linhas Aéreas (ligada a antiga Varig).
A empresa tem como sócio Marcos Vinicius Pires de Souza, que já foi secretário de Educação, Cultura, Planejamento e Comunicação em Cascavel e também já foi candidato a prefeito. A última passagem pelo poder público de Marcos Vinicius foi como secretário na gestão de Edgar Bueno entre 2011 e 2013 ele chegou a acumular a secretaria de Planejamento e de Comunicação Social. A última exoneração foi em fevereiro de 2013.
A Transitar aponta como responsável pela empresa Paulo Roberto da Silva e relata que a MVS é responsável pelo serviço desde 23 de junho de 2015. Por já ter sido candidato, Marcos Vinicius já tornou pública sua declaração de bens. Em 2018 ele declarou patrimônio de R$ 6,3 milhões, sendo que as cotas da MVS equivalem a R$ 621 mil.
No CNPJ consta como atividade principal da MVS incorporação e empreendimentos imobiliários, construção de edifícios, terminais rodoviárias e ferroviários, estacionamento de veículos e operação dos aeroportos e campos de aterrissagem.
Segundo informações, o pagamento pelos serviços da empresa é feita pelas próprias companhias aéreas. A única relação comercial da Transitar com a MVS seria a locação do espaço de funcionamento e condomínio dentro do aeroporto, pelo qual a empresa paga R$ 2.195,86.
A CGN chegou a questionar se a empresa atua no tráfego aéreo em outras cidades, mas não obteve retorno.
O avião que ficou sobrevoando Cascavel e depois precisou ir a Curitiba tinha 40 passageiros a bordo. O pouso previsto para 18h55 só ocorreu 21h05. Outros 60 passageiros esperavam para aguardar o embarque para Guarulhos-SP e também enfrentaram atraso.
A Transitar afirma que mesmo sendo a gestora do aeroporto não é possível fazer o controle com equipe própria no momento, pois os operadores são técnicos treinados pela Força Aérea Brasileira.
Nesta terça-feira, a CGN divulgou áudio entre o piloto e uma central em Curitiba onde ele informa que ficaria sobrevoando a cidade na esperança que o profissional chegasse para controlar o rádio.
A empresa disse que tão logo foi feito o contato, foram tomadas as providências para que um controlador fosse ao aeroporto. Em nota encaminhada à CGN a Gol não rebateu esta informação, não entrou em detalhes sobre o ocorrido e disse que tudo foi feito com segurança aos passageiros.
“A GOL tem a Segurança como seu valor número 1 e opera conforme todas as regras da administração aeroportuária e do espaço aéreo vigentes, seguindo fluxos de aprovações regulares. Na segunda-feira (7/9), após a decolagem do voo extra G39152 GRU/CAC, foi identificada uma limitação no aeroporto de Cascavel, sendo necessário realizar um pouso alternado no aeroporto de Curitiba. Logo que o serviço foi restabelecido, o voo foi retomado e os Clientes desembarcaram no destino final. A Companhia reitera que prestou a assistência necessária para melhor atender a todos”.
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