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Após 8 meses, veja evolução do primeiro tetraplégico a receber polilaminina em Cascavel

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Segundo a mãe, ele já consegue virar-se, mexer as pernas e os pés e perceber quando precisa urinar.
Após 8 meses, veja evolução do primeiro tetraplégico a receber polilaminina em Cascavel

Por Luiz Haab

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Na última vez em que conversei com Neuraci de Lima Monteiro, há exatos seis meses, ela me contou que o filho começava a sentir os pés e a região abdominal. Nesta sexta-feira (30), voltei a procurá-la para saber de Wagner Felipe de Lima. Havia muito mais para contar.

Segundo a mãe, ele já consegue virar-se, mexer as pernas e os pés e perceber quando precisa urinar. Também movimenta os braços e, com a cadeira de rodas, consegue circular pela casa. Continua dedicado à fisioterapia, em uma rotina de reabilitação que agora acontece em outro estado.

A família voltou para Sorriso, em Mato Grosso, onde morava antes do acidente. Foi de lá que Neuraci me atualizou sobre uma história que acompanho desde fevereiro, quando Wagner, então com 23 anos, recebeu uma aplicação experimental de polilaminina no Hospital Universitário do Oeste do Paraná (HUOP), em Cascavel.

Ao retomar esse contato, encontrei um relato com mudanças concretas no cotidiano. Virar o próprio corpo, perceber uma necessidade fisiológica, deslocar-se pela casa: ações que ajudam a compreender o que a recuperação representa para além dos termos médicos.

Para Wagner e sua família, cada uma delas faz parte da vida que está sendo reorganizada depois do acidente.

A lesão

A história começou com um grave trauma raquimedular sofrido em um acidente de carro durante o Carnaval. Wagner precisou passar por procedimentos na coluna, incluindo a descompressão na região das vértebras T3 e T4 e o tratamento de uma lesão em T3, conforme as informações divulgadas à época. O diagnóstico era de tetraplegia.

O tratamento experimental

Em 21 de fevereiro, recebeu a polilaminina. Segundo o que foi informado naquele momento, a aplicação ocorreu mediante autorização para uso compassivo. A substância integra uma pesquisa liderada pela professora e pesquisadora Tatiana Sampaio, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), com desenvolvimento em parceria com o Laboratório Cristália.

Os primeiros sinais

No início de março, Neuraci já havia relatado à CGN o retorno de alguma sensibilidade na barriga, espasmos e pequenos movimentos nas pernas. Eram observações iniciais, acompanhadas de muita expectativa. Desde então, mantive contato com a família para acompanhar os desdobramentos.

A esperança fortalece

Agora, mais de oito meses depois da aplicação, o relato da mãe descreve novas possibilidades de movimento e percepção corporal. É uma evolução que merece ser contada com a mesma atenção dedicada ao procedimento que tornou o caso conhecido.

Também merece precisão: as informações desta atualização vêm de Neuraci. Não substituem uma avaliação neurológica, nem permitem determinar quanto da recuperação está relacionado à polilaminina, às cirurgias, à reabilitação ou à própria evolução da lesão. A percepção da necessidade de urinar, por exemplo, não equivale, por si só, à recuperação completa do controle da bexiga.

Essa distinção é parte essencial de acompanhar uma história que envolve um tratamento experimental. Os avanços relatados pela família têm importância na trajetória de Wagner; demonstrar a eficácia de uma substância exige investigação científica e avaliação sistemática dos resultados.

Esse acompanhamento continua. Segundo Neuraci, Wagner recebe visitas de médicos do Rio de Janeiro que participam da pesquisa nacional conduzida pela equipe de Tatiana Sampaio. A mais recente ocorreu em setembro.

Na ocasião, conta a mãe, o médico elogiou a evolução do jovem e reforçou a importância de manter o empenho nas sessões de fisioterapia. A próxima visita está prevista para fevereiro de 2027.

Até lá, a rotina segue organizada em torno da reabilitação e das possibilidades que Wagner vem recuperando. A cadeira de rodas permanece necessária, e ainda não há, nas informações compartilhadas pela família, uma previsão sobre voltar a caminhar.

O milagre da fé e da Ciência

Ao procurar Neuraci nesta sexta-feira, eu queria saber o que havia mudado desde nossa última conversa. A resposta veio em detalhes do dia a dia: Wagner está mais animado, celebra cada nova conquista de movimento.

Há seis meses, eu contava sobre o início da sensibilidade nos pés e no abdome. Hoje, posso contar sobre esses novos avanços. O futuro ainda tem perguntas, mas a esperança da família encontra motivos concretos no presente — e é esse presente, com suas conquistas e seus limites, que sigo acompanhando.

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