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“Não passava necessidade”, diz amigo de cascavelense presa em Bali com cocaína líquida

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Thania foi detida em 6 de outubro, no Aeroporto Internacional Ngurah Rai, em Bali, suspeita de transportar aproximadamente 3,6 quilos de cocaína líquida em sete frascos de produtos de higiene pessoal.
“Não passava necessidade”, diz amigo de cascavelense presa em Bali com cocaína líquida

Por Luiz Haab

Atualizado em

“Não passava necessidade, não passava fome, não passava nada.” A declaração de um amigo próximo de Thania Cristina dos Santos, de 37 anos, traduz a perplexidade de quem a conhece e tenta compreender a prisão da cascavelense na Indonésia. Em entrevista exclusiva à CGN, ele relatou o impacto da notícia entre amigos e familiares, descreveu uma vida marcada por viagens internacionais e revelou a angústia diante do que pode acontecer com a brasileira.

O flagra

Thania foi detida em 6 de outubro, no Aeroporto Internacional Ngurah Rai, em Bali, suspeita de transportar aproximadamente 3,6 quilos de cocaína líquida em sete frascos de produtos de higiene pessoal. Segundo informações atribuídas às autoridades indonésias nas notícias sobre o caso, ela teria recebido uma oferta de US$ 50 mil pelo transporte.

“Pegou todo mundo desprevenido. Não esperava isso”, afirmou o entrevistado, que conversou com o jornalista Luiz Haab sob condição de anonimato. A identidade será preservada.

Das viagens pelo mundo à prisão na Indonésia

Na descrição do amigo, Thania é uma mulher “aventureira”, acostumada a conhecer outros países em viagens no estilo “mochilão” e a passar períodos fora do Brasil. Natural de Cascavel e solteira, ela teria feito diversos intercâmbios, morado em Gold Coast, na Austrália, e visitado Bli outras vezes antes da viagem em que acabou presa.

“Ela passava muito tempo viajando e conheceu vários países. […] Ela chegou a morar na Austrália por um tempo”, contou.

O relato é de uma rotina em que as viagens se alternavam com retornos à casa dos pais, em Cascavel. O entrevistado também mencionou um período em Florianópolis, onde Thania morou durante a faculdade na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC).

Antes disso, segundo o amigo, Thania estudou no Colégio Marista, instituição católica de ensino que é uma das mais caras de Cascavel (veja o vídeo postado nas redes sociais em que Thania reza a oração de São Francisco em inglês, em 2020).

Fonte de renda

O entrevistado pela CGN não sabe informar se ela tinha alguma outra fonte de renda além do apoio financeiro dos pais. O pai trabalhou como caminhoneiro e atualmente está aposentado; a mãe é dona de casa, também aposentada, e a família teria boa condição financeira.

Para o amigo, esse contexto ajuda a explicar a dificuldade de assimilar a notícia.

“Tem uma vida boa, tem uma casa boa, tem tudo que precisa, com certeza”, declarou. “Não tinha necessidade.”

‘Às vezes, ao mesmo tempo, dá raiva’

A entrevista expõe sentimentos que se misturam: preocupação, tristeza e indignação. Ao falar da prisão, o amigo questionou o que poderia ter levado Thania à situação investigada pelas autoridades.

“Às vezes, ao mesmo tempo, dá raiva… é de pensar: ‘meu, pra quê’?”

As declarações expressam a reação pessoal do entrevistado. Ele não apresentou informações que permitam esclarecer as circunstâncias do suposto transporte ou a participação de outras pessoas.

Segundo a fonte, familiares de Thania estariam bastante nervosos com a situação. O receio de uma eventual condenação severa atravessa o relato. A possibilidade de prisão perpétua, mencionada nas notícias sobre o caso, amplia a apreensão de quem aguarda informações sobre os próximos passos. Não há, no material reunido para esta reportagem, confirmação de sentença contra a brasileira.

Família ainda busca respostas

O amigo afirmou que há necessidade de contratar assistência jurídica para atuar no exterior foi, mas não soube dizer se o Itamaraty chegou a ser acionado ou entrado em contato com a família. Ele acredita que os pais tenham conversado com ela por telefone, mas não há detalhes de quais são as condições em que ela está detida ou qual orientação jurídica recebeu.

Vídeo mostra movimentação no aeroporto

Imagens das câmeras de monitoramento do Aeroporto de Bali (veja abaixo)  mostram a movimentação de Thania no dia do desembarque, a movimentação na alfândega, a abertura da mala e os recipientes onde, segundo a polícia indonésia, havia droga.

Conforme o relato da imprensa local fornecido à CGN, a fiscalização da bagagem identificou sete frascos com a substância apontada como cocaína líquida. Após a abordagem, a brasileira e o material apreendido foram encaminhados à polícia de Bali.

Enquanto a investigação busca esclarecer o transporte da droga, em Cascavel, pessoas próximas tentam compreender como a rotina de viagens de Thania terminou em uma prisão a milhares de quilômetros de casa. Entre o choque da descoberta e o medo do futuro, a família ainda aguarda respostas.

A CGN tentou contato com o pai de Thania, mas não obteve retorno.

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