Cascavelense eleito vice-governador critica máquina pública e antecipa governo Moro
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Por Luiz Haab
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Dois dias depois da vitória nas urnas, Edson Vasconcelos (PL) elevou o tom contra a atuação de estruturas públicas na disputa pelo governo do Paraná e apresentou as primeiras sinalizações sobre a administração que pretende construir ao lado de Sérgio Moro (PL). Em entrevista ao jornalista Luiz Haab, no Estúdio CGN, nesta terça-feira (6), o vice-governador eleito afirmou que a mobilização política de governos municipais, deputados e secretarias estaduais reduziu a vantagem da chapa na reta final.
“Ela foi muito pesada, acho que exageraram, fugiram da regra da democracia”, declarou, ao descrever o que classificou como uma atuação conjunta dessas estruturas em favor da candidatura adversária.
Vasconcelos não apresentou, durante a entrevista, documentos ou episódios específicos que permitissem verificar eventual irregularidade. A declaração expressa sua avaliação política sobre a campanha.
“Eu acho que isso não faz bem para a democracia, para as pessoas que perderam o direito de, inclusive, opinar”, acrescentou.
Vitória sem busca por unanimidade
A crítica à campanha desembocou em uma mensagem sobre o exercício do poder. Vasconcelos afirmou que a futura gestão deverá aceitar questionamentos e não terá como objetivo alcançar índices de aprovação próximos da unanimidade.
“Nós não queremos ter 80%, 90% de aprovação. Nós queremos ter a aprovação necessária para fazer aquilo que é preciso para o Estado do Paraná.”
O vice eleito associou essa posição à disposição de tomar decisões que possam enfrentar resistência. Também levantou uma crítica à relação entre cargos públicos, recursos e liberdade de manifestação.
“Nós não podemos ter um estado que não permita crítica porque fez um aparelhamento das estruturas, por cargos comissionados, talvez por um acesso de recursos na própria imprensa”, afirmou, sem identificar veículos ou detalhar situações concretas.
O discurso estabelece uma promessa que poderá servir de parâmetro para a própria administração: preservar espaço para a crítica mesmo diante do desgaste provocado por decisões de governo.
Secretarias maiores e cobrança por resultados
Na montagem da equipe, Vasconcelos sinalizou a intenção de reunir áreas em “super secretarias”, com maior capacidade de decisão. A proposta, segundo ele, é agrupar temas e evitar que a estrutura administrativa seja organizada apenas para acomodar aliados.
“Empoderar os secretários e não criar cargos simplesmente ali para se ter ocupação política”, resumiu.
O vice eleito reconheceu que as composições partidárias fazem parte da governabilidade, mas defendeu um governo com perfil técnico e capacidade de entrega. Para ilustrar o problema que pretende enfrentar, relatou cobranças feitas a conhecidos que ocuparam secretarias e presidências partidárias.
Segundo ele, ao questionar a demora em decisões, ouviu como resposta: “Não tenho tempo, estou cuidando do meu partido, estou fazendo a ampliação da minha base”.
“Isso não é o que nós queremos hoje para o governo”, afirmou.
Vasconcelos não anunciou nomes para o secretariado. Disse que a preparação da transição inclui a organização da equipe e um levantamento de contratos, compromissos e entregas pendentes da atual administração. Segundo ele, mais de 500 especialistas e mais de 6 mil contribuições populares participaram da elaboração do plano de governo.
Cascavel no centro das decisões — mas ainda sem prazos
Para Cascavel e o Oeste, a principal sinalização foi a promessa de aproximar demandas regionais do núcleo do Executivo. Nascido na cidade e com trajetória em entidades empresariais, Vasconcelos argumentou que a região acumulou representação legislativa, mas teve pouca presença no centro das decisões do Palácio Iguaçu.
O vice eleito apontou energia e transporte ferroviário entre os entraves que pretende enfrentar. Relatou que mudanças de secretários frequentemente obrigavam lideranças regionais a reapresentar problemas já conhecidos, atrasando o encaminhamento de soluções.
Na área energética, defendeu alinhamento com a concessionária e um cronograma acompanhado regionalmente. Sobre as ferrovias, mencionou uma “janela de oportunidade” relacionada à concessão federal.
O desenho apresentado aposta em articulação institucional para mobilizar investimentos que, segundo ele, não dependem diretamente do Tesouro estadual. A entrevista, porém, não trouxe datas, valores ou obras específicas que permitam dimensionar quando os compromissos chegarão à população.
Renato Silva telefonou para Moro
Vasconcelos também confirmou que o prefeito de Cascavel, Renato Silva, telefonou para Moro no próprio domingo da eleição. Disse ter acompanhado a conversa, que descreveu como “muito cordial”.
Embora ainda não tivesse conversado pessoalmente com o prefeito, o vice eleito sinalizou disposição para o diálogo.
“O que importa para nós agora é Cascavel, o que importa é o Oeste, o que importa são os projetos”, declarou.
Ao comentar o perfil do governador eleito, rejeitou a imagem de um Moro isolado ou pouco acessível à negociação. “Ele é uma pessoa muito hábil, de fácil diálogo”, afirmou. A defesa indica que Vasconcelos pretende apresentar a futura gestão como um projeto coletivo, sob a liderança de Moro, com interlocução política distribuída entre o Executivo e sua base parlamentar.
Desenvolvimento medido no bolso do cidadão
Questionado sobre o legado pretendido, Vasconcelos colocou a melhoria das condições de vida em regiões de baixo desenvolvimento entre as prioridades.
“Um estado é rico […] quando o cidadão tem poder de compra, não quando ele tem que viver das benesses do estado.”
Também citou segurança, combate à corrupção e ao crime organizado, saúde e infraestrutura como frentes do futuro governo, sem detalhar novas medidas na entrevista.
Entre o discurso de eficiência administrativa e a promessa de maior protagonismo para o Oeste, a cobrança passa a ganhar critérios concretos: quem comandará as áreas estratégicas, quais projetos terão prioridade e em quanto tempo a proximidade de Cascavel com o poder estadual se transformará em entregas.