‘Contradição do perito’ X 'contradição do suspeito': veja embate entre defesa e acusação sobre morte de Vanessa Marty
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Por Luiz Haab
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Foi realizada na tarde desta segunda-feira, aqui no Fórum de Cascavel, mais uma audiência de instrução no caso que apura a morte da ex-escrivã da Polícia Federal, Vanessa Marty, de 45 anos. Ela foi encontrada morta na frente de casa, com tiro na cabeça, em junho deste ano, no bairro Brasília.
Essa etapa, que deve ser a última audiência de instrução, ouviu novas testemunhas, os peritos e também foi interrogado o suspeito de ter cometido o crime, o militar da reserva do Exército de Cascavel, Júlio César Waltemann. A defesa de Júlio César sustenta que a Vanessa teria tirado a própria vida e contesta os argumentos trazidos por um dos peritos. Veja o que disse o advogado Armando Souza.
“O que há é tudo que está no processo e ficou devidamente esclarecido com os laudos periciais e o próprio depoimento do perito criminal que atendeu o flagrante na noite dos fatos. O perito criminal, naquela oportunidade, em seu depoimento ao delegado de polícia responsável, ele indicou que a trajetória da bala e que a forma que ele enxergou e viu a cena do crime, ele pressupôs, ele induziu o delegado de polícia ao erro, no sentido de que o Waltemann teria cometido esse delito. Naquela oportunidade, ele afirmou categoricamente ao delegado de polícia que o tiro teria ocorrido do lado de fora do carro, a trajetória da bala do lado esquerdo para o lado direito e que o tiro, o disparo, teria sido feito do lado de fora do carro. Entretanto, esse mesmo perito responsável pela lavratura do auto de local de morte, posteriormente, ele afirma e escreve e assina isso daí que a cena do crime foi totalmente contrária do que ele afirmou inicialmente. Na verdade, a defesa entende que é caso de absolvição sumária, mas entendemos que os laudos periciais juntados ao processo deixam claro que o Walteman não praticou o disparo, não efetuou o disparo.”
Já a acusação, com base nas informações juntadas até agora no processo, sustenta uma versão diferente, a de que Júlio César teria cometido feminicídio contra a Vanessa e também aponta contradições nas informações que ele trouxe até agora no depoimento. Veja o que diz o advogado de acusação, Ricardo Augusto Bantle:
“Foi ouvido a última testemunha, que foi a irmã da vítima, ela trouxe um depoimento muito emocionado, trouxe ao processo diversos relatos de violência física que a vítima vinha sofrendo durante todos esses anos de convivência, o que foi também compartilhado por outras pessoas do cerco familiar e do cerco social do casal, porém hoje ela trouxe com mais riqueza de detalhes, especialmente os episódios onde o acusado sacava sua arma de fogo e apontava a arma de fogo para a vítima. Muitos questionamentos foram feitos a ele durante a audiência, ele mantém a negativa, o que foi indagado é a questão do disparo de arma de fogo, ele disse que não ouviu, ele lava suas mãos, ele disse que lavou suas mãos com a intenção de pegar o carro e dirigir até o hospital, mas em momento nenhum ele esboçou alguma tentativa de retirar o veículo da residência ou de certa forma não aguardar o socorro chegar ao local ou então levá-la a socorro imediato. Foi comprovado já que o disparo foi a uma distância mínima de 50 centímetros, um disparo na nuca, todos os policiais ouvidos dizem que é uma situação extremamente incomum, inclusive o perito relata que seria praticamente impossível ela ter realizado uma ação mecânica no sentido de colocar a arma na sua nuca a uma distância mínima em que esse disparo deve ter sido realizado e então ter retirado sua própria vida.”
Conforme as informações colhidas até agora no processo serão definidas as próximas etapas que incluem a possível submissão de Júlio César Waltemann ao tribunal do júri.