Caso PF Vanessa Marty: Defesa de Júlio César afirma que laudos periciais ainda não foram concluídos
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Por Diego Cavalcante
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O advogado Armando Souza, responsável pela defesa do militar da reserva Júlio César Waltemann, preso preventivamente pela morte da escrivã da Polícia Federal Vanessa Marty, concedeu entrevista à CGN e afirmou que a denúncia apresentada pelo Ministério Público por feminicídio foi oferecida antes da conclusão das principais provas periciais do caso.
Segundo o defensor, embora diversas diligências tenham sido realizadas durante o inquérito policial, os laudos técnicos considerados mais importantes para esclarecer a dinâmica da morte ainda não foram finalizados.
“Recebemos a informação de que o Ministério Público ofertou denúncia contra o Sr. Júlio César por feminicídio, muito embora ainda não tenham sido finalizadas as investigações e a prova pericial solicitada pela Polícia Científica”, afirmou.
Armando Souza disse ver com preocupação a rapidez no oferecimento da denúncia, sustentando que os exames periciais poderão esclarecer se houve suicídio ou homicídio.
“Não há motivos para uma pressa tão exagerada no oferecimento da denúncia, já que esses laudos periciais são importantíssimos e podem, pelos indícios já apontados no inquérito policial, comprovar que sim ocorreu suicídio”, declarou.
Defesa cita vestígios encontrados na mão da vítima
Durante a entrevista, o advogado destacou um elemento que, segundo ele, consta nos autos do processo e que ainda depende de confirmação técnica.
Conforme explicou, foram encontrados “pontilhos de sangue” na mão de Vanessa, fato que, na avaliação da defesa, pode indicar que o disparo tenha sido realizado pela própria vítima.
“O principal ponto que nós temos, e isso está no processo, é que há na mão da vítima pontilhos de sangue. Isso pode levar a crer que foi ela mesma quem efetuou o disparo. Essa circunstância precisa ser atestada por meio da prova pericial, que ainda não foi concluída”, afirmou.
Histórico de depressão e tentativas anteriores
Armando Souza também alegou que Vanessa enfrentava problemas de saúde mental e que esse contexto não poderia ser desconsiderado durante a investigação.
Segundo ele, familiares e colegas de trabalho da Polícia Federal relataram que a vítima passava por um quadro de depressão e já teria tentado contra a própria vida em outras oportunidades.
“A família tinha conhecimento desse quadro. Essas informações foram prestadas por colegas de trabalho e também pela própria irmã da vítima. Portanto, não se pode descartar essa possibilidade de suicídio”, disse.
O advogado acrescentou que o casal também enfrentava problemas relacionados ao consumo de álcool.
Vídeo reforça versão apresentada pela defesa
Outro ponto abordado durante a entrevista foi o vídeo captado pelas câmeras de segurança da residência, divulgado recentemente.
De acordo com Armando Souza, as imagens mostram toda a movimentação desde a chegada do casal ao imóvel até o atendimento realizado pelo Corpo de Bombeiros.
Segundo o defensor, após o disparo, Júlio César teria percebido rapidamente o ocorrido e iniciado uma série de ligações em busca de ajuda.
“Foi ele quem ligou para o Samu, para o superior hierárquico da Vanessa, comunicou a irmã dela e pediu ajuda para outras pessoas do círculo de amizade”, afirmou.
Ainda conforme o advogado, as imagens também demonstrariam a preocupação do investigado em preservar a cena dos fatos, receando que qualquer alteração pudesse prejudicá-lo posteriormente.
Defesa pretende questionar processo
Na avaliação de Armando Souza, a denúncia apresentada antes da conclusão dos laudos periciais afronta princípios do devido processo legal e da presunção de inocência.
Ele afirmou que a defesa pretende discutir essa questão perante o Tribunal nos próximos dias.
“O oferecimento da denúncia sem a conclusão da prova pericial confronta o devido processo legal e a presunção de inocência. Entendemos que isso pode configurar motivo de nulidade absoluta do processo”, declarou.
O advogado ressaltou ainda que acompanha o caso desde a prisão em flagrante de Júlio César e afirmou que a defesa colaborou com as diligências realizadas durante o inquérito, inclusive requerendo novas medidas investigativas.
“A gente está muito tranquilo de que, ao final, tudo ficará esclarecido e será comprovado que o Sr. Júlio César não praticou esse crime”, concluiu.
Júlio César Waltemann permanece preso preventivamente enquanto responde à acusação de feminicídio. O processo segue em tramitação na Justiça e deverá passar pelas próximas fases da instrução, quando acusação e defesa poderão produzir novas provas antes da decisão sobre eventual submissão do caso ao Tribunal do Júri.