Acusação espera que ex-marido confesse ter matado Vanessa Marty
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Por Isabella Chiaradia
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A audiência de instrução do processo que apura a morte da escrivã da Polícia Federal Vanessa Marty deve avançar nesta segunda-feira (21) para uma das etapas consideradas mais importantes pela acusação: o interrogatório do militar da reserva Júlio César Waltemann, acusado de matar a ex-esposa.
Em entrevista à CGN, o advogado assistente de acusação, Ricardo Augusto Bantle, afirmou que espera que o acusado esclareça as circunstâncias da morte e, segundo ele, até mesmo confesse o crime.
Conforme Bantle, após a oitiva das últimas testemunhas, o interrogatório de Júlio César deverá encerrar a fase de instrução. O advogado destacou que, ao longo do processo, foram reunidos elementos do inquérito policial, provas periciais, imagens relacionadas à ocorrência e depoimentos de peritos e testemunhas.
Para o assistente de acusação, o interrogatório poderá esclarecer dúvidas específicas sobre o que aconteceu na noite da morte de Vanessa. Entre os pontos citados estão a posição do acusado no momento do disparo, a distância em que ele estaria da vítima, o que teria feito imediatamente após o tiro e seu comportamento diante da situação.
Bantle também questionou a conduta atribuída ao acusado após o disparo. Segundo ele, será importante esclarecer por que Júlio César teria lavado as mãos, por que teria alterado a cena e, principalmente, por que não teria acionado imediatamente as equipes de emergência caso realmente acreditasse que Vanessa havia tirado a própria vida.
O advogado também citou o fato de equipes policiais terem passado pelo local pouco depois da ocorrência. Para a acusação, o interrogatório poderá esclarecer por que o acusado não teria procurado os policiais naquele momento para comunicar o que havia acontecido.
“Se ele alega que ela tenha cometido suicídio, por quais motivos ele não empreendeu socorro imediato naquele momento? Por quais motivos ele não ligou para as equipes de emergência em primeiro momento?”, questionou Bantle.
A declaração ocorre em meio à divergência entre acusação e defesa sobre a dinâmica da morte. A defesa de Júlio César sustenta que Vanessa teria tirado a própria vida e afirma que elementos da perícia apontam para essa possibilidade.
Ricardo Bantle afirmou que, na avaliação da acusação, não há dúvidas sobre a responsabilidade de Júlio César pela morte de Vanessa. Para ele, os esclarecimentos que ainda podem ser obtidos durante o interrogatório estão relacionados principalmente à dinâmica do crime e ao comportamento do acusado antes e depois do disparo.
Com o encerramento da fase de instrução, caso confirmado, o processo seguirá para as próximas etapas previstas na legislação. A decisão sobre o prosseguimento da acusação e eventual julgamento pelo Tribunal do Júri caberá à Justiça, considerando o conjunto de provas produzido no processo.