Seu Madruga completa 102 anos de história e segue fugindo da Dona Florinda
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Por Redação
Se existe alguém que conseguiu transformar a falta de dinheiro em patrimônio cultural, esse alguém foi Seu Madruga.
Interpretado pelo ator mexicano Ramón Valdés, o personagem de Chaves faria 102 anos nesta quarta-feira (2). E, mesmo décadas depois de sua criação, continua sendo um dos moradores mais queridos da vila que conquistou o público latino-americano.
Ramón Gómez Valdés de Castillo nasceu em 2 de setembro de 1924, na Cidade do México. Antes de vestir a tradicional camiseta preta, o jeans e o inseparável boné de Seu Madruga, construiu carreira no cinema e na televisão mexicana.
Foi ao entrar para o elenco de Chaves, criado por Roberto Gómez Bolaños, que ele encontrou o personagem que marcaria definitivamente sua trajetória.
O homem que não queria trabalhar
Seu Madruga era desempregado por vocação, embora a vila nunca deixasse faltar oportunidade para ele tentar escapar da próxima bronca.
Devendo 14 meses de aluguel ao Senhor Barriga, sempre encontrava uma maneira de explicar a situação. Quando não estava tentando evitar a cobrança, estava sendo perseguido por Dona Florinda ou envolvido em alguma confusão com Quico, Chaves e os demais moradores.
A graça estava justamente nas contradições.
Seu Madruga era malandro, rabugento e frequentemente sem paciência, mas também aparecia como uma figura carinhosa e protetora. Tinha dificuldades financeiras, fazia bicos e, apesar das confusões, demonstrava preocupação com Chaves e com a filha, Chiquinha.
Um personagem que virou memória afetiva
Ramón Valdés deixou Chaves em diferentes momentos ao longo da produção, mas sua presença permaneceu como uma das marcas mais fortes da série.
O ator morreu em 9 de agosto de 1988, aos 64 anos, no México. Seu Madruga, porém, continuou aparecendo diariamente nas telas e, principalmente, nas lembranças de quem cresceu acompanhando as confusões da vila.
Talvez seja por isso que, tantos anos depois, basta alguém falar “Seu Madruga” para praticamente ninguém precisar de explicação.
E se existe uma homenagem que ele provavelmente aprovaria, seria esta: lembrá-lo sem cobrar o aluguel.