CGN - Últimas notícias de Cascavel, Paraná e Brasil
Acesse aqui o Discover e busque as mais lidas por mês!

“Não há possibilidade de diálogo”: PRF relata confronto durante tentativa de saque na BR-277

Publicado em

Relacionadas:

“Não há possibilidade de diálogo”: PRF relata confronto durante tentativa de saque na BR-277

Por Fábio Wronski

Atualizado em

Na manhã desta quarta-feira (12), autoridades da Polícia Militar e da Polícia Rodoviária Federal (PRF) concederam uma coletiva em Cascavel para esclarecer o confronto na BR-277 em Nova Laranjeiras, registrado na tarde de ontem (11). O episódio aconteceu no km 484 da rodovia, envolvendo um grave acidente de caminhões seguido de tentativa de saque da carga por indígenas e moradores locais.

O Agente Furquim, da PRF, relatou detalhes da operação: “A gente viu uma situação crítica ontem, no município de Nova Laranjeiras, que após um sinistro de trânsito, um tombamento de veículos de carga, houve uma ação dos moradores locais, do povo indígena, na tentativa de consolidar o saque da carga, que era uma carga de eletrônicos”, explicou Furquim. Ele destacou que equipes da PM chegaram rapidamente para impedir o saque: “A tensão elevou no local, como é característico, todos reagem de maneira muito agressiva… não há possibilidade de diálogo, e houve, sim, um enfrentamento entre as forças de segurança presentes, a PM e a PRF.”

Segundo o agente, o resgate do motorista do caminhão tombado foi dificultado pela resistência dos saqueadores: “Cerca de 5 horas foram necessárias para a gente fazer o salvamento do motorista, que ficou encarcerado, com grandes dificuldades das equipes de apoio, de resgate, em chegar ao local e prestar o socorro necessário, devido às equipes de socorro estarem sendo apedrejadas pelos índios, que tentavam consolidar o saque.”

Furquim destacou ainda o histórico de ocorrências na região: “A região, historicamente, é crítica contra essa situação de saque, tem um enfrentamento violento… esse ano, a gente já chega ao 11º saque na região. Graças à ação da PM, em apoio a nossas equipes, não foi consolidado esse saque desta vez. Infelizmente, quatro policiais da PM saíram feridos, alguns profissionais de saúde também foram atingidos por pedras, vários veículos das equipes envolvidas foram apedrejados e a rodovia ficou interrompida por diversas horas, com congestionamento de cerca de 14 quilômetros”, relatou.

Questionado sobre possíveis causas do acidente, Furquim afirmou: “Não foram verificados sinais de que foi provocado… aquela região é muito sinuosa, apesar da sinalização ser diariamente reforçada, nós fazemos também uma inclusão frequente de radares, porém, os motoristas abusam um pouco da velocidade e acabam acontecendo esses tombamentos.”

Sobre medidas futuras, o agente explicou: “Agora cabe aos órgãos competentes, a parte de investigação e responsabilização quanto a isso. Então, é o que vai ser feito a partir de agora, subsidiar as demais polícias com informações que a gente tenha do local.”

Furquim também relembrou outros episódios de violência: “Em 2020, nós tivemos uma situação bem emblemática, em que o corpo de um caminhoneiro foi pisoteado durante o saque. Sempre o diálogo é muito ruim com aqueles que fazem o saque. A gente não gosta de generalizar… as lideranças indígenas ali repudiam esse tipo de comportamento, porém, os que promovem o saque são sempre muito violentos e não acatam as ordens policiais.”

O acidente ocorreu por volta das 16h, envolvendo dois caminhões, sendo um carregado com eletrodomésticos. Após o tombamento, indígenas e moradores iniciaram o saque, impedindo o resgate do motorista, que ficou preso às ferragens. Durante a tentativa de conter o saque, policiais e socorristas foram atacados com pedras e pedaços de madeira. Com reforço, as equipes da PRF e da Polícia Militar do Paraná conseguiram dispersar os criminosos, permitindo o início do resgate, realizado pela concessionária EPR e pelo Corpo de Bombeiros. Parte da carga foi furtada e houve tentativas de saques em outros veículos parados na fila do acidente.

Segundo as forças policiais, socorristas ficaram feridos e os saqueadores fugiram para o mato; ninguém foi detido. O caminhoneiro resgatado foi encaminhado em estado grave para um hospital em Guarapuava. A BR-277 foi liberada para o trânsito às 21h30. Equipes da PRF seguem monitorando o local para evitar novas ações criminosas e garantir a segurança dos usuários da rodovia.

Resumo do que aconteceu

O que aconteceu na BR-277 em Nova Laranjeiras em agosto de 2026?
R: Em 11 de agosto de 2026, um grave acidente envolvendo dois caminhões na BR-277, em Nova Laranjeiras (PR), resultou em tentativa de saque da carga por indígenas e moradores locais. Isso desencadeou um intenso confronto entre saqueadores e forças de segurança, deixando feridos, bloqueando totalmente a rodovia e provocando congestionamentos de até 14 quilômetros.
Quem esteve envolvido no confronto e nas tentativas de saque?
R: Segundo as autoridades, participaram indígenas de aldeias próximas e moradores locais, que tentaram saquear a carga dos caminhões acidentados. As forças de segurança envolvidas incluíram a Polícia Militar do Paraná, equipes da RONE, Pelotão de Choque, Patrulha Rural, ROTAM, Polícia Rodoviária Federal (PRF) e equipes de socorro como o Siate e a concessionária EPR Iguaçu.
Como o acidente ocorreu e qual era a carga dos caminhões?
R: O acidente ocorreu por volta das 16h de 11 de agosto de 2026, quando um caminhão carregado com eletrodomésticos perdeu o controle em uma curva e colidiu com outro veículo. Parte da carga, composta por eletrônicos, geladeiras e outros objetos de valor, ficou exposta e foi alvo de tentativa de saque.
Quais foram as consequências imediatas do confronto na BR-277?
R: O confronto resultou em ferimentos em policiais, socorristas e possivelmente em saqueadores, embora estes tenham fugido para a mata e não tenham sido detidos. A rodovia ficou totalmente bloqueada por várias horas, com filas de até 14 quilômetros, e a liberação só ocorreu por volta das 21h30 do dia 11 de agosto. O motorista do caminhão foi resgatado em estado grave e encaminhado para um hospital.
Como as forças de segurança reagiram à situação?
R: As equipes da Polícia Militar e da PRF tentaram inicialmente impedir o saque e garantir o resgate do motorista. Devido à agressividade dos saqueadores, que atacaram policiais e socorristas com pedras e paus, as forças de segurança usaram munição não letal e solicitaram reforço de mais de 40 policiais de diferentes regiões. Após intenso confronto, os saqueadores fugiram e a ordem foi restabelecida.
Houve vítimas entre policiais e socorristas durante o confronto?
R: Sim. Quatro policiais militares ficaram feridos, sendo que um deles precisou de 12 pontos devido aos ferimentos. Uma enfermeira e um socorrista do Siate também foram feridos por agressões durante o episódio.
A carga dos caminhões foi totalmente saqueada?
R: Parte da carga foi saqueada, mas a ação das forças de segurança impediu que o saque fosse totalmente consolidado. Houve também tentativas de furtar cargas de outros caminhões parados no congestionamento.
Como o episódio afetou o trânsito e a rotina na região?
R: A BR-277 ficou bloqueada nos dois sentidos por várias horas, o que gerou longos congestionamentos e transtornos para motoristas, moradores e trabalhadores da região. O bloqueio impactou o tráfego na principal ligação rodoviária entre o Oeste e outras regiões do Paraná.
Qual é o histórico de conflitos envolvendo indígenas e a BR-277?
R: A região da Terra Indígena Rio das Cobras, onde vivem principalmente indígenas Kaingang e Guarani, registra conflitos há décadas. Desde 2008 há bloqueios da rodovia por reivindicações, e desde 2012 há registros documentados de saques de cargas após acidentes. Em 2020, ocorreu um grave confronto após um saque, com prisões e bloqueio da rodovia. Em 2026, este foi o 11º episódio de tentativa de saque registrado no ano.
Por que esses conflitos têm se agravado ao longo dos anos?
R: O aumento da frequência de acidentes na rodovia, a proximidade das comunidades indígenas com a BR-277 e a rápida mobilização de grupos para saquear cargas expostas após tombamentos têm elevado o nível de tensão. O histórico de reivindicações sociais evoluiu para episódios de violência e confronto, afetando cada vez mais a segurança de motoristas e moradores da região.
Como as autoridades classificam a atuação dos saqueadores?
R: Autoridades policiais ressaltam que é preciso diferenciar a comunidade indígena dos indivíduos que praticam crimes. O comandante da PM afirmou que 'não podem ser classificados como indígenas, mas sim como bandidos', frisando que a responsabilização deve ser individual e não generalizada para toda a população indígena.
Quais medidas estão sendo tomadas após o confronto?
R: A Polícia Militar e a PRF estão apurando responsabilidades, identificando envolvidos e encaminhando relatórios para as polícias investigativas. O local segue monitorado para evitar novas ações criminosas, e as autoridades destacam a necessidade de separar demandas legítimas da comunidade indígena de atos criminosos.
O que dizem as lideranças indígenas sobre esses episódios?
R: Segundo a PRF, lideranças indígenas da região repudiam o comportamento violento e os saques, destacando que tais ações não representam toda a comunidade.
Qual é a importância da Terra Indígena Rio das Cobras na região?
R: A Terra Indígena Rio das Cobras, criada oficialmente em 1901 e homologada em sua configuração atual em 1991, abrange cerca de 18,7 mil hectares e abriga milhares de indígenas Kaingang e Guarani. É uma área de relevância histórica, social e cultural, com forte presença e tradição indígena.
Como o caso impacta a sociedade além da comunidade indígena?
R: Os episódios de violência, saques e bloqueios na BR-277 afetam milhares de pessoas que utilizam a rodovia, incluindo caminhoneiros, moradores, trabalhadores e equipes de emergência. A sensação de insegurança e o risco de confrontos geram prejuízos e medo, mesmo para quem não está diretamente envolvido nos conflitos sociais ou territoriais.
Como as autoridades diferenciam questões indígenas de crimes?
R: A Polícia Militar e a PRF destacam que a questão indígena compete à Polícia Federal e que a responsabilização por crimes deve ser individual, sem generalizações. Episódios de saque, agressão e depredação são tratados como crimes, independentemente da origem dos autores.
O que está sendo feito para evitar novos episódios semelhantes?
R: A PRF e a Polícia Militar intensificaram o monitoramento da BR-277, reforçaram o policiamento e estão adotando medidas para agilizar o atendimento em acidentes, visando evitar que cargas fiquem expostas e se tornem alvo de saques. Também há investigações em andamento para identificar e responsabilizar os envolvidos.
Como a população local e os motoristas estão sendo orientados após o episódio?
R: As autoridades orientam motoristas a evitar o trecho da BR-277 em situações de bloqueio e a buscar rotas alternativas. Equipes de segurança permanecem no local para garantir a ordem e a segurança dos usuários da rodovia.

Veja também

Notícias Mais Acessadas Agora

Notícias Mais Lidas