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Onça-pintada capturada em área urbana de Foz volta à natureza após recuperação

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Animal que apareceu no bairro Três Lagoas recebeu tratamento, foi monitorado por equipes técnicas e ganhou colar com GPS antes da soltura no Parque Nacional do Iguaçu.
Imagem referente a Onça-pintada capturada em área urbana de Foz volta à natureza após recuperação
Foto: Projeto Onças do Iguaçu

Por Silmara Santos

Atualizado em

A onça-pintada que mobilizou uma grande operação após ser vista circulando em uma área urbana de Foz do Iguaçu, no fim de junho, foi devolvida à natureza. O macho, batizado de Tape’ỹ, foi solto no Parque Nacional do Iguaçu depois de passar por avaliações veterinárias e receber alta da equipe técnica responsável.

O felino havia sido capturado com segurança após aparecer no bairro Três Lagoas. A operação reuniu equipes brasileiras e argentinas para garantir tanto a segurança da população quanto a preservação do animal.

Desde a captura, Tape’ỹ permaneceu sob os cuidados da equipe veterinária do Refúgio Biológico Bela Vista, da Itaipu Binacional. Durante o período de recuperação, passou por exames clínicos e laboratoriais, recebeu tratamento para os ferimentos identificados no momento do resgate e teve seu estado de saúde monitorado diariamente.

Segundo a equipe técnica, os exames confirmaram que o animal apresentava boas condições físicas para retornar ao habitat natural. Durante a permanência no refúgio, o felino manteve comportamento compatível com um animal silvestre, alimentou-se normalmente e demonstrou plena capacidade para voltar à vida livre.

Antes da soltura, Tape’ỹ recebeu um colar de monitoramento por GPS. O equipamento permitirá acompanhar seus deslocamentos nos próximos meses, auxiliando pesquisadores a avaliar sua adaptação ao ambiente, compreender o uso da área e fortalecer estratégias de conservação da onça-pintada na região.

A soltura foi realizada por equipes do Projeto Onças do Iguaçu, Parque Nacional do Iguaçu/ICMBio, CENAP/ICMBio, Itaipu Binacional e instituições parceiras. Após deixar a caixa de transporte, o animal caminhou em direção à floresta e foi acompanhado visualmente até desaparecer na mata.

De acordo com Rogério Cunha de Paula, chefe do CENAP/ICMBio, a devolução do animal à natureza marca o desfecho positivo de uma operação considerada delicada, que envolveu um grande felino em área urbana. Segundo ele, todas as decisões foram tomadas com base em critérios técnicos, priorizando o bem-estar da onça e a segurança da população.

O gestor da área de Ciência e Pesquisa do Parque Nacional do Iguaçu, Marius Belluci, destacou que o episódio reforça a importância da recuperação de áreas de preservação permanente, reservas legais e da ampliação de corredores ecológicos entre o Parque Nacional do Iguaçu e o entorno do lago de Itaipu, reduzindo o risco de novos conflitos entre animais silvestres e áreas urbanas.

O caso chamou a atenção por ser considerado extremamente incomum. Conforme os pesquisadores, havia mais de duas décadas que não existiam registros confirmados de onças-pintadas na região do lago de Itaipu onde Tape’ỹ foi encontrado. Ainda não há confirmação sobre a origem do animal nem os motivos que o levaram a percorrer áreas urbanas de Foz do Iguaçu.

As equipes também destacaram que a colaboração da população foi decisiva para o sucesso da operação. As informações repassadas pelos moradores permitiram localizar o animal rapidamente, realizar a captura com segurança, garantir seu tratamento e possibilitar o retorno à natureza.

O nome Tape’ỹ, de origem tupi, significa “aquele que perdeu o caminho”, em referência ao trajeto incomum que levou o felino até a cidade. Agora, com a soltura, a expectativa é que ele volte a percorrer os caminhos da floresta, onde seguirá sendo monitorado pelas equipes de conservação.

Com informações e imagens do Projeto Onças do Iguaçu.

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