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“Não pudemos olhar o rosto dele pela última vez”: família pede ajuda para sepultura de menino morto por caminhão

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“Não pudemos olhar o rosto dele pela última vez”: família pede ajuda para sepultura de menino morto por caminhão

Por Luiz Haab

Atualizado em: 11/06/2026 às 15:05

“Ele não merece aquilo. Eles só colocaram dentro de um buraco.”

A frase, dita entre lágrimas pela tia de Carlos Eduardo Camargo dos Santos, de 12 anos, resume a dor de uma família que tenta sobreviver ao luto enquanto busca recursos para construir uma sepultura digna para o menino, morto de forma trágica após ser atropelado por um caminhão em Cascavel. Além do pedido de justiça, os familiares agora fazem um apelo à comunidade para conseguir comprar o lote e erguer a lápide do garoto.

Durante entrevista à CGN, Milena, tia de Carlinhos, falou pela primeira vez sobre os dias que se seguiram à tragédia registrada no último domingo (7), no Jardim Ipanema. Emocionada, ela descreveu o sofrimento da família e contestou versões que circularam após o acidente.

Segundo ela, o menino não estava brincando no meio da rua quando foi atingido.

“Ele não estava na rua. Ele estava na calçada. As pessoas estão querendo falar coisas que não são verdade. O Carlos era uma criança de 12 anos. Ele estava com a bola na mão para brincar. Quando a bola caiu, ele se abaixou para pegar. Foi nesse momento que a roda de trás do caminhão pegou ele”, relatou.

A familiar também fez duras críticas ao fato de o motorista já estar em liberdade após a prisão em flagrante.

“Ele já está solto. A gente não pôde nem velar o nosso pequeno direito. Não pudemos olhar no rosto dele pela última vez. A única coisa que representava ele era uma foto em cima do caixão”, afirmou.

Milena contou que a mãe do garoto, Renata, está devastada desde o acidente. Segundo ela, as lembranças da cena vivida no dia da morte do filho têm tornado a dor ainda mais difícil de suportar.

“A gente conversa com ela e, às vezes, ela parece estável. Mas desmorona do nada. Ela viu a cena. Isso nunca vai sair da cabeça dela.”

“Ele só saiu para brincar de bola”

Na entrevista, a tia relembrou os últimos momentos de Carlinhos antes da tragédia.

De acordo com ela, o menino passou o domingo ajudando a avó a preparar o almoço da família. Cortou legumes, frutas e participou da preparação da refeição. Pouco depois, pediu para sair por alguns minutos para brincar.

“Ele passou o dia em casa. Estava ajudando a avó na cozinha. Depois do almoço, falou que iria brincar um pouquinho de bola. Foi menos de dez minutos. Ninguém imaginava que aquilo aconteceria.”

Para a família, a morte interrompeu de forma brutal a vida de uma criança descrita como educada, prestativa e muito querida por todos ao redor.

Pedido de ajuda para a sepultura

Além da luta por justiça, os familiares enfrentam outra dificuldade: a falta de recursos para custear um local definitivo para o descanso do menino.

Carlos Eduardo está sepultado no Cemitério Jardim da Saudade, no Guarujá. Segundo Milena, a família deseja adquirir o lote e construir uma lápide que represente o carinho que sempre teve pelo garoto.

“Dinheiro nenhum vai trazer o Carlos de volta. Mas, como cuidamos dele em vida, queremos continuar cuidando dele após a morte. Queremos dar um lugar digno para ele descansar.”

O apelo também foi publicado nas redes sociais da família. Na mensagem, os parentes descrevem Carlinhos como um menino de sorriso tímido, covinhas nas bochechas, apaixonado por futebol, que adorava ajudar a avó na cozinha e cuidar dos irmãos mais novos.

“Nosso menino merecia muitos anos de vida. Como isso lhe foi tirado cedo demais, queremos ao menos oferecer a ele um lugar de descanso feito com o mesmo amor e cuidado que sempre tivemos”, escreveram.

A chave-pix para quem puder contribuir (com qualquer valor) é (45) 98820-2122, em nome da tia do menino (Milena Vitoria Pereira), que organiza a campanha. A família afirma que toda arrecadação será destinada exclusivamente à compra do lote e à construção da lápide, comprometendo-se a prestar esclarecimentos sobre a utilização dos valores recebidos.

Enquanto tenta lidar com a ausência de Carlinhos, a família segue repetindo um único pedido.

“Justiça pelo Carlos. Justiça por todas as crianças. É só isso que a gente quer.”

Resumo do que aconteceu

Quem foi a vítima fatal do atropelamento em Cascavel?
R: A vítima foi Carlos Eduardo Camargo dos Santos, um menino de 12 anos, que morreu após ser atropelado por um caminhão no cruzamento das ruas Serra da Borborema e Serra do Vento, no Bairro Morumbi, Cascavel, na tarde de 7 de junho de 2026.
Como aconteceu o acidente que matou Carlos Eduardo?
R: Carlos Eduardo estava brincando com uma bola de futebol e, ao tentar recuperar a bola, foi atingido por uma carreta durante uma conversão no cruzamento das ruas Serra da Borborema e Serra do Vento. O acidente ocorreu por volta das 17h20 do dia 7 de junho de 2026.
Quem era o motorista envolvido e qual sua situação após o acidente?
R: O motorista, identificado pelas iniciais E.S.N., dirigia a carreta que atropelou Carlos Eduardo. Ele foi preso em flagrante por embriaguez ao volante com resultado morte, mas recebeu liberdade provisória com uso de tornozeleira eletrônica no dia seguinte ao acidente.
O motorista estava alcoolizado no momento do acidente?
R: Sim, o teste do etilômetro realizado no local apontou 0,67 miligrama de álcool por litro de ar expelido, índice que caracteriza crime de trânsito por embriaguez ao volante.
O motorista tentou fugir do local do acidente?
R: Segundo relatos do próprio motorista e testemunhas, ele não percebeu o atropelamento no momento em que ocorreu e só foi avisado por populares cerca de 150 metros depois. Ele retornou ao local após ser alertado e colaborou com os agentes.
Quais medidas restritivas foram impostas ao motorista após sua soltura?
R: O motorista deve comparecer a todos os atos do processo, não pode frequentar bares, boates ou locais onde sejam vendidas bebidas alcoólicas ou entorpecentes, não pode se ausentar da comarca por mais de oito dias sem autorização judicial e deve usar tornozeleira eletrônica por 90 dias, até 8 de setembro de 2026.
O que diz a mãe da vítima sobre o caso?
R: Renata Pereira Garcia dos Santos, mãe de Carlos Eduardo, expressou profunda dor e pediu justiça, afirmando que seu filho era inocente e querido por todos. Ela fez um apelo para que o caso não seja esquecido e que a morte do filho não fique impune.
Qual foi a reação da comunidade e dos moradores após o acidente?
R: O acidente causou forte comoção entre moradores, familiares e amigos. Populares revoltados depredaram o caminhão envolvido no acidente e houve necessidade de intervenção policial para garantir a segurança do motorista.
O que mostrou a câmera de segurança sobre o momento do acidente?
R: Imagens de uma câmera de segurança flagraram Carlos Eduardo brincando com uma bola e se aproximando da esquina, quando a carreta iniciou a conversão e o atropelou. O vídeo confirma que o menino foi atingido durante a manobra do caminhão.
O motorista admitiu ter ingerido bebida alcoólica antes de dirigir?
R: Sim, em depoimento à polícia, o motorista afirmou ter tomado cinco cervejas durante o almoço e, após um cochilo, saiu para trabalhar.
Como foi a atuação das forças de segurança após o acidente?
R: Equipes do Corpo de Bombeiros, Polícia Militar, Guarda Municipal, Transitar e Polícia Científica foram mobilizadas. O motorista foi submetido ao bafômetro, preso pela Guarda Municipal e encaminhado à Central de Flagrantes. O local foi periciado e o corpo de Carlos Eduardo levado ao IML.
Houve alguma tentativa de justificar o acidente por parte da defesa do motorista?
R: A defesa alegou que o motorista parou após ser avisado, colaborou com os agentes e sugeriu a possibilidade de 'ponto cego' da carreta, além de pedir a análise de imagens do local.
O que diz o relatório da Polícia Militar sobre o acidente?
R: O relatório confirma que o caminhão Scania R124 realizava uma conversão à direita quando atingiu Carlos Eduardo, que seguia pela via. A documentação do motorista e do veículo estava regular, e o teste do etilômetro confirmou embriaguez ao volante.
Como a escola de Carlos Eduardo reagiu à tragédia?
R: O Colégio Estadual Marcos Cláudio Schuster, onde Carlos Eduardo estudava, divulgou nota de pesar, prestando solidariedade à família e à comunidade escolar, e lamentando profundamente a perda do estudante do 7º ano D.
O que moradores dizem sobre o local do acidente?
R: Moradores relataram que o cruzamento onde ocorreu o atropelamento é bastante movimentado e frequentado por crianças, ressaltando os perigos do local e sugerindo que crianças não fiquem sozinhas na rua.
Quais são os próximos passos da investigação?
R: O caso segue sendo investigado pela Polícia Civil de Cascavel. O inquérito deve ser concluído em cerca de 30 dias, e o Ministério Público deverá se manifestar nos autos.
O motorista já tinha antecedentes criminais?
R: Segundo a decisão judicial, o motorista é tecnicamente primário e não possui maus antecedentes.
Populares tentaram agredir o motorista após o acidente?
R: Sim, ao retornar ao local, o motorista foi alvo de agressão por populares revoltados, sendo protegido por um policial à paisana até a chegada das autoridades.
O acidente reacendeu algum debate na cidade?
R: Sim, a morte de Carlos Eduardo reacendeu o debate sobre os perigos da combinação de álcool e direção, especialmente em áreas residenciais com grande circulação de crianças.
Houve comoção nas redes sociais após a tragédia?
R: Sim, amigos, familiares e membros da comunidade escolar publicaram diversas mensagens de carinho e homenagens a Carlos Eduardo nas redes sociais.

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