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“Não pudemos olhar o rosto dele pela última vez”: família pede ajuda para sepultura de menino morto por caminhão

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“Não pudemos olhar o rosto dele pela última vez”: família pede ajuda para sepultura de menino morto por caminhão

Por Luiz Haab

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“Ele não merece aquilo. Eles só colocaram dentro de um buraco.”

A frase, dita entre lágrimas pela tia de Carlos Eduardo Camargo dos Santos, de 12 anos, resume a dor de uma família que tenta sobreviver ao luto enquanto busca recursos para construir uma sepultura digna para o menino, morto de forma trágica após ser atropelado por um caminhão em Cascavel. Além do pedido de justiça, os familiares agora fazem um apelo à comunidade para conseguir comprar o lote e erguer a lápide do garoto.

Durante entrevista à CGN, Milena, tia de Carlinhos, falou pela primeira vez sobre os dias que se seguiram à tragédia registrada no último domingo (7), no Jardim Ipanema. Emocionada, ela descreveu o sofrimento da família e contestou versões que circularam após o acidente.

Segundo ela, o menino não estava brincando no meio da rua quando foi atingido.

“Ele não estava na rua. Ele estava na calçada. As pessoas estão querendo falar coisas que não são verdade. O Carlos era uma criança de 12 anos. Ele estava com a bola na mão para brincar. Quando a bola caiu, ele se abaixou para pegar. Foi nesse momento que a roda de trás do caminhão pegou ele”, relatou.

A familiar também fez duras críticas ao fato de o motorista já estar em liberdade após a prisão em flagrante.

“Ele já está solto. A gente não pôde nem velar o nosso pequeno direito. Não pudemos olhar no rosto dele pela última vez. A única coisa que representava ele era uma foto em cima do caixão”, afirmou.

Milena contou que a mãe do garoto, Renata, está devastada desde o acidente. Segundo ela, as lembranças da cena vivida no dia da morte do filho têm tornado a dor ainda mais difícil de suportar.

“A gente conversa com ela e, às vezes, ela parece estável. Mas desmorona do nada. Ela viu a cena. Isso nunca vai sair da cabeça dela.”

“Ele só saiu para brincar de bola”

Na entrevista, a tia relembrou os últimos momentos de Carlinhos antes da tragédia.

De acordo com ela, o menino passou o domingo ajudando a avó a preparar o almoço da família. Cortou legumes, frutas e participou da preparação da refeição. Pouco depois, pediu para sair por alguns minutos para brincar.

“Ele passou o dia em casa. Estava ajudando a avó na cozinha. Depois do almoço, falou que iria brincar um pouquinho de bola. Foi menos de dez minutos. Ninguém imaginava que aquilo aconteceria.”

Para a família, a morte interrompeu de forma brutal a vida de uma criança descrita como educada, prestativa e muito querida por todos ao redor.

Pedido de ajuda para a sepultura

Além da luta por justiça, os familiares enfrentam outra dificuldade: a falta de recursos para custear um local definitivo para o descanso do menino.

Carlos Eduardo está sepultado no Cemitério Jardim da Saudade, no Guarujá. Segundo Milena, a família deseja adquirir o lote e construir uma lápide que represente o carinho que sempre teve pelo garoto.

“Dinheiro nenhum vai trazer o Carlos de volta. Mas, como cuidamos dele em vida, queremos continuar cuidando dele após a morte. Queremos dar um lugar digno para ele descansar.”

O apelo também foi publicado nas redes sociais da família. Na mensagem, os parentes descrevem Carlinhos como um menino de sorriso tímido, covinhas nas bochechas, apaixonado por futebol, que adorava ajudar a avó na cozinha e cuidar dos irmãos mais novos.

“Nosso menino merecia muitos anos de vida. Como isso lhe foi tirado cedo demais, queremos ao menos oferecer a ele um lugar de descanso feito com o mesmo amor e cuidado que sempre tivemos”, escreveram.

A chave-pix para quem puder contribuir (com qualquer valor) é (45) 98820-2122, em nome da tia do menino (Milena Vitoria Pereira), que organiza a campanha. A família afirma que toda arrecadação será destinada exclusivamente à compra do lote e à construção da lápide, comprometendo-se a prestar esclarecimentos sobre a utilização dos valores recebidos.

Enquanto tenta lidar com a ausência de Carlinhos, a família segue repetindo um único pedido.

“Justiça pelo Carlos. Justiça por todas as crianças. É só isso que a gente quer.”

Resumo do que aconteceu

Menino de 12 anos morre atropelado em Cascavel: o que aconteceu?
R: No fim da tarde de domingo, 7 de junho de 2026, Carlos Eduardo Camargo dos Santos, de 12 anos, foi atropelado e morto por um caminhão no cruzamento das ruas Serra da Borborema e Serra do Vento, no Jardim Ipanema, em Cascavel.
Como foi o acidente que tirou a vida de Carlos Eduardo?
R: Carlos Eduardo brincava com uma bola de futebol quando correu para recuperá-la. Nesse momento, um caminhão Scania R124 fazia uma conversão à direita e o atropelou. O menino morreu ainda no local devido à gravidade dos ferimentos.
Quem era Carlos Eduardo Camargo dos Santos?
R: Carlos Eduardo Camargo dos Santos era um menino de 12 anos, aluno do 7º ano D do Colégio Estadual Marcos Cláudio Schuster, descrito como educado, prestativo, querido por todos, apaixonado por futebol e que gostava de ajudar a avó na cozinha e cuidar dos irmãos mais novos.
O motorista do caminhão estava embriagado?
R: Sim. O motorista foi submetido ao teste do etilômetro, que apontou 0,67 miligrama de álcool por litro de ar alveolar expelido, índice que configura crime de embriaguez ao volante.
O motorista foi preso após o acidente?
R: Sim. O motorista foi preso em flagrante por embriaguez ao volante com resultado morte e encaminhado à 10ª Central Regional de Flagrantes.
Como o motorista se defendeu sobre o atropelamento?
R: O motorista alegou em depoimento que não percebeu o momento do atropelamento, afirmou que só soube do acidente após ser avisado por populares e confirmou ter ingerido cinco cervejas no almoço, mas disse que descansou antes de dirigir.
O motorista continua preso?
R: Não. Em 8 de junho de 2026, a Justiça concedeu liberdade provisória ao motorista, que agora usa tornozeleira eletrônica e deve cumprir restrições como não frequentar bares e não sair da comarca sem autorização.
Qual foi a reação dos moradores após o acidente?
R: Moradores e familiares ficaram revoltados com a tragédia, depredaram o caminhão envolvido no acidente e precisaram ser contidos por equipes da Guarda Civil Patrimonial e Polícia Militar para garantir a segurança do motorista.
A família pôde se despedir de Carlos Eduardo?
R: Não. Segundo a família, não foi possível velar o corpo de Carlos Eduardo adequadamente nem olhar seu rosto pela última vez, o que aumentou ainda mais a dor dos parentes.
A família está pedindo ajuda? Como contribuir?
R: Sim. A família faz um apelo para arrecadar recursos para comprar o lote e construir uma lápide digna para Carlos Eduardo. Doações podem ser feitas via Pix para (45) 98820-2122, em nome de Milena Vitoria Pereira, tia do menino.
Por que o caso chocou tanto a comunidade?
R: A morte precoce de uma criança querida, as circunstâncias envolvendo álcool, a revolta popular e a comoção no colégio e nas redes sociais fizeram o caso repercutir fortemente em Cascavel.
O que dizem as autoridades sobre o acidente?
R: A Polícia Militar e o Corpo de Bombeiros lamentaram a tragédia e reforçaram os riscos da combinação de álcool e direção, especialmente em áreas residenciais. O caso está sendo investigado pela Polícia Civil.
Testemunhas e câmeras confirmam a versão do motorista?
R: Imagens de câmeras de segurança mostram Carlos brincando com a bola e sendo atropelado durante a conversão do caminhão. Testemunhas divergem quanto à posição exata do menino, mas a dinâmica do acidente foi registrada.
O motorista tentou fugir do local?
R: O motorista alegou que não percebeu o atropelamento e só parou cerca de 150 metros depois, ao ser avisado por populares. Ele retornou ao local e foi protegido da revolta dos moradores pelas autoridades.
Como está a investigação do caso?
R: O inquérito está em andamento na Polícia Civil, que apura as circunstâncias do acidente, incluindo laudos periciais, depoimentos e imagens. O Ministério Público deve se manifestar nos autos.
Houve outros desdobramentos após o acidente?
R: Além da prisão e soltura do motorista, o caminhão foi depredado, o colégio emitiu nota de pesar, e a família iniciou campanha para arrecadação de recursos para a sepultura.
Quais as medidas impostas ao motorista após a liberdade provisória?
R: O motorista deve usar tornozeleira eletrônica, comparecer a todos os atos do processo, não frequentar bares ou locais com venda de álcool, e não sair da comarca sem autorização judicial.
Como a mãe de Carlos Eduardo reagiu à tragédia?
R: Renata Pereira Garcia dos Santos, mãe do menino, está devastada, pediu justiça e relatou que perdeu metade do coração com a morte do filho, reforçando que Carlos era inocente e muito amado.
O local do acidente já era considerado perigoso?
R: Sim. Moradores afirmaram que o cruzamento é movimentado e que muitas crianças passam e brincam ali, ressaltando os riscos para quem circula na região.
O caso pode mudar a fiscalização de motoristas alcoolizados em Cascavel?
R: O acidente reacendeu o debate sobre os perigos da mistura de álcool e direção, com autoridades reforçando a importância das operações de Lei Seca e da fiscalização rigorosa para evitar novas tragédias.

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