“Paguei duas vezes e vivo com medo”, diz nova vítima que teria sido chantageada por ‘golpista das semijoias’ na pandemia

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Por Luiz Haab

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A cada novo depoimento, o quebra-cabeça do suposto “golpe das semijoias” ganha mais peso em Cascavel. Nesta sexta-feira (15), a CGN recebeu o relato de mais uma mulher que afirma ter sido vítima do homem cujas centenas de vítimas citam cobranças judiciais, acordos controversos e dívidas que, segundo elas, já haviam sido quitadas.

Marlene, moradora de Cascavel, contou à reportagem que conheceu o representante comercial durante a pandemia, quando começou a vender produtos para complementar a renda da família. Segundo ela, o homem frequentava sua casa, deixava mostruários e realizava os acertos normalmente nos primeiros meses da relação comercial.

“Ele entrou dentro da minha casa, conversou comigo, parecia uma pessoa normal. No começo, vinha acertar certinho”, relatou.

Mas o cenário mudou quando a crise causada pela Covid-19 afetou diretamente os pagamentos dos clientes. Marlene afirma que acumulou uma dívida de aproximadamente R$ 900 após não conseguir receber pelas vendas realizadas.

Sem condições de quitar o valor de uma só vez, ela diz que negociou pessoalmente um parcelamento com o homem investigado.

“Eu falei pra ele que conseguia pagar R$ 200 por mês, porque eu teria que tirar do meu próprio dinheiro. Eu era diarista na época”, disse.

A partir daí, segundo o relato, os pagamentos começaram a ser feitos via PIX e depósitos em conta bancária. Como nunca imaginou que enfrentaria uma disputa judicial no futuro, Marlene afirma que descartou os comprovantes após os pagamentos.

O que veio depois, segundo ela, foi um choque.

“Um ano depois apareceu oficial de Justiça na minha casa dizendo que eu devia R$ 3 mil. Eu fiquei sem chão, porque eu tinha pago e não tinha como provar”, contou.

A mulher afirma que passou então a enfrentar uma nova batalha judicial. Segundo ela, foi pressionada a firmar um acordo para encerrar o processo. O novo parcelamento teria sido feito diretamente com o advogado do cobrador.

“Eu pagava pelo PIX do advogado dele. Assinei acordo pelo WhatsApp. E mesmo assim ele ainda bloqueou minha conta na Caixa. Tudo que entrava, ele tirava”, relatou.

Marlene afirma que acabou pagando os R$ 3 mil para “parar de se incomodar”, mas hoje vive com medo de voltar a ser cobrada judicialmente.

“Meu marido falou: paga pra acabar logo com isso. Mas agora eu tenho medo de ele me processar de novo, porque eu não tenho comprovante.”

O depoimento também revela o impacto emocional que o caso teria causado em diversas famílias. Segundo ela, além das cobranças judiciais, oficiais de Justiça chegavam às residências para registrar bens e veículos.

“Quantos casamentos foram destruídos, quantas brigas entre marido e mulher. Eles vinham e tiravam fotos das coisas dentro de casa, até da placa do carro do meu marido.”

O relato de Marlene se soma a uma série de denúncias já recebidas pela CGN nas últimas semanas. Mulheres relatam histórias semelhantes: vendas realizadas durante anos, pagamentos feitos informalmente, ausência de recibos e, posteriormente, cobranças judiciais de valores muito superiores aos originalmente negociados.

Muitas afirmam ter procurado delegacias, advogados e até o Fórum de Cascavel sem conseguir resolver a situação de forma definitiva.

Enquanto o caso se espalha pelas redes sociais e grupos de vítimas se organizam para reunir provas, cresce também a pressão para que as autoridades aprofundem as investigações sobre o suposto esquema.

Nos bastidores, o sentimento entre as denunciantes é de revolta, medo e desgaste emocional. Para muitas delas, a dívida financeira se transformou em um trauma que atravessou famílias, abalou relacionamentos e deixou marcas que vão além do prejuízo no bolso.

“Eu tô com vocês. A justiça de Deus não falha”, finalizou Marlene, em mensagem direcionada às outras mulheres que também afirmam ter sido vítimas do caso.

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