
Assis Chateaubriand: pais denunciam abandono de crianças autistas e fila sem atendimento na saúde
Na tarde desta sexta-feira (15), o jornalista Luiz Haab conversou com Tatiane e Tiago, pais da pequena Lílian, de apenas quatro anos, diagnosticada com Transtorno do...
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Por Luiz Haab

Enquanto moradores seguem denunciando filas, falta de médicos e falhas graves no atendimento da saúde pública de Assis Chateaubriand, uma nova denúncia expõe outro lado do colapso: o drama de famílias que tentam garantir tratamento para crianças com autismo e encontram portas fechadas, filas intermináveis e ausência de suporte especializado no município.
Na tarde desta sexta-feira (15), o jornalista Luiz Haab conversou com Tatiane e Tiago, pais da pequena Lílian, de apenas quatro anos, diagnosticada com Transtorno do Espectro Autista (TEA) nível 3 — classificação que indica necessidade elevada de suporte. Segundo o casal, a filha está há mais de um ano sem acesso ao acompanhamento adequado pela rede pública.
“Desde março do ano passado estamos lutando atrás dos tratamentos dela e até agora nada”, relata a mãe.
A criança apresenta dificuldades severas de comunicação, ausência de contato visual, irritabilidade intensa e outros sinais característicos do quadro. Atualmente, segundo os pais, ela recebe apenas um atendimento semanal na APAE, quantidade considerada insuficiente diante das necessidades clínicas da menina.
“O município hoje não oferece nenhum atendimento para ela além da APAE. Só que ela precisa de terapia várias vezes por semana, e lá não conseguem atender toda a demanda”, afirma Tatiane.
O casal relata ter procurado diversas vezes a Prefeitura e os serviços públicos de saúde em busca de acompanhamento multidisciplinar, mas afirma que sempre recebeu a mesma resposta: falta de profissionais.
Segundo eles, houve ainda uma negativa para acesso ao chamado Centro, estrutura que teria recursos adequados para terapias voltadas a crianças neurodivergentes. A justificativa apresentada, conforme os pais, seria o fato de a criança já frequentar a APAE.
“Falaram que por ela estar na APAE, não poderia ser atendida no Centro”, diz o pai.
A alternativa oferecida pela rede municipal teria sido o encaminhamento ao CAPS. Porém, de acordo com os relatos, o local não possui estrutura mínima para terapias infantis voltadas ao autismo severo.
“Lá não tem materiais lúdicos, pedagógicos, não tem recursos para fazer as terapias”, denunciam.
O caso ganha contornos ainda mais delicados porque, segundo a família, Lílian permaneceu durante um ano em fila de espera e, depois disso, acabou informada de que não poderia receber o atendimento solicitado.
Mesmo com laudos emitidos por três neurologistas diferentes, os pais afirmam que continuam enfrentando resistência para conseguir suporte adequado.
“Nem os laudos aceitam. Até receita médica já disseram que estava errada”, afirma Tatiane.
A situação já chegou ao Ministério Público. Ainda assim, segundo os pais, o avanço esperado não aconteceu.
“O Ministério Público falou que ela não precisava desse atendimento especializado”, relatam.
Durante a entrevista, o casal também descreveu o desgaste emocional provocado pela busca constante por atendimento. Eles afirmam que chegaram a ser acusados de negligência justamente enquanto tentavam garantir tratamento para a filha.
“Disseram que a gente estava negligenciando ela. Mas negligência é não correr atrás. E a gente corre atrás todos os dias”, desabafa o pai.
Segundo eles, a pressão e as cobranças constantes já afetaram até relações pessoais.
“Tem gente que deixou de conversar com a gente porque cobramos a situação”, contam.
As denúncias sobre o atendimento a crianças autistas se somam às outras reclamações recentes feitas por moradores de Assis Chateaubriand e já publicadas pela CGN. Na primeira reportagem, pacientes denunciaram falta de médicos, longas filas e demora no Hospital Beneficente Moacir Micheleto e nas unidades básicas de saúde. Já na segunda matéria, um paciente com câncer afirmou ter sido deixado para trás em Cascavel após uma sessão de quimioterapia, sem transporte para voltar ao município.
Agora, os relatos envolvendo crianças com TEA ampliam ainda mais a pressão sobre a administração municipal e levantam questionamentos sobre a capacidade da rede pública de oferecer acompanhamento básico a pacientes que dependem de atendimento contínuo e especializado.
Ao final da entrevista, os pais atribuíram responsabilidade direta ao poder público municipal.
“A responsabilidade é do prefeito e dos vereadores. Eles viram as costas para tudo”, afirmaram.
A reportagem procurou novamente a Prefeitura de Assis Chateaubriand. Um contato via WhatsApp foi disponibilizado pela administração municipal para solicitação de posicionamento oficial. Até o fechamento desta matéria, não houve retorno.
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